Governo Lula assina decreto que reestrutura Coaf com objetivo de fortalecer combate ao crime organizado
Jornal de Brasília

Governo Lula assina decreto que reestrutura Coaf com objetivo de fortalecer combate ao crime organizado

NATHALIA GARCIA, RAQUEL LOPES E ANA POMPEU BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou nesta quinta-feira (26) um decreto que estabelece a reestruturação do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O objetivo da medida é ampliar o alcance e a efetividade do órgão no combate a crimes financeiros depois de episódios que colocaram à prova a segurança do sistema. A medida amplia de 39 para 66 as funções de confiança no órgão e reduz um cargo em comissão (de 36 para 35). Com a reestruturação, o número total de servidores subirá de 75 para 101. A iniciativa também contempla ajustes na organização interna do órgão, com atualizações de competências e alteração de denominações de unidades. O plano do Coaf prevê a criação de três subunidades regionais: em São Paulo, Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu. A reestruturação foi antecipada pela Folha de S. Paulo, mas o desenho final é mais enxuto do que a proposta inicial, que pedia criação de 66 cargos comissionados (funções de confiança para as quais não há exigência de concurso público). O plano incluía também novas estruturas em outras três localidades -Campo Grande, Recife e Belém. Apesar das mudanças feitas pelo governo federal, a medida é vista como satisfatória por membros do Coaf, segundo relato de um interlocutor a par das tratativas. "O objetivo é ampliar o alcance e a efetividade do conselho, especialmente no que diz respeito à atividade de produção de inteligência financeira para o combate ao crime organizado", disse o Palácio do Planalto em nota. Além de Lula, assinaram o decreto a ministra Esther Dweck (Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A reestruturação tem como foco a criação de novas diretorias, a regionalização da inteligência financeira e na busca por maior estabilidade do seu quadro técnico. Atualmente, o Coaf processa mais de 7,5 milhões de comunicações e supervisiona mais de 550 mil pessoas e entidades obrigadas a reportar atividades suspeitas. No entanto, o órgão alega enfrentar limitações, como a inexistência de uma carreira própria e a alta rotatividade de servidores cedidos, o que gera perda de conhecimento institucional. Um dos pilares da reestruturação é a criação de subunidades de Inteligência Financeira em pontos estratégicos do Brasil. O objetivo é descentralizar a produção de inteligência e integrar o órgão às redes locais de segurança pública. As localidades refletem critérios operacionais e estratégicos. Rio de Janeiro e São Paulo foram indicados pela alta concentração de instituições financeiras e pelo elevado volume de comunicações. No caso do Rio, a criação da unidade também atende a uma determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). Já Foz do Iguaçu aparece como ponto-chave para o enfrentamento de crimes fronteiriços e rotas de tráfico. O Coaf, órgão responsável por receber e analisar comunicações de operações suspeitas no país, vive um descompasso entre o volume de informações que processa e sua capacidade operacional. Apesar da relevância estratégica no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, a estrutura do órgão é considerada limitada. Atualmente, o Coaf é composto pela Presidência, Secretaria Executiva, Diretoria de Inteligência Financeira e Diretoria de Supervisão, mas esse arranjo não acompanhou o aumento expressivo das demandas nem a sofisticação das práticas criminosas. A ausência de uma carreira própria faz com que boa parte da equipe seja formada por profissionais cedidos de outros órgãos, o que resulta em alta rotatividade e perda de conhecimento técnico acumulado.

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