Jornal O Globo
Larissa Manoela voltou a chamar atenção para a endometriose em sua publicação mais recente nas redes sociais. No vídeo, ela compartilha de forma direta a experiência com a doença e destaca a necessidade de mais informação e conscientização sobre o tema. "Estamos no Março Amarelo, o mês mundial de conscientização sobre a endometriose. Sempre usarei a minha voz para fortalecer a campanha, levar informação segura e ampliar o diálogo sobre a doença. Tenho certeza de que, juntas, conseguimos cada vez mais levar conhecimento e alerta para todas as mulheres. Contem comigo!", afirmou. Endometriose: por que a doença tem sido cada vez mais discutida por personalidades públicas Endometriose: especialistas desmistificam condição que afeta Anitta, Demi Lovato e Gisele Bündchen O posicionamento da atriz dialoga com uma realidade que atinge muitas mulheres, especialmente quando o assunto envolve fertilidade e planejamento familiar. Para o ginecologista e obstetra Cesar Patez, especialista em endometriose, relatos como o de Larissa têm papel importante na conscientização. "A endometriose é uma doença inflamatória e progressiva. Dependendo da profundidade e das estruturas acometidas, a fertilidade pode ser diretamente impactada. Quando uma paciente expõe sua vivência, ela ajuda outras mulheres a reconhecerem sintomas e buscarem diagnóstico", explica. A condição pode causar dor intensa, alterações anatômicas e dificuldades para engravidar, especialmente em casos mais avançados. "O tratamento adequado é fundamental antes de qualquer tentativa de gestação. Cuidar da saúde primeiro aumenta significativamente as chances de uma gravidez segura e bem-sucedida", acrescenta o especialista. O debate público sobre a doença também tem impulsionado o interesse por estratégias de preservação da fertilidade. A especialista em Reprodução Humana Taciana Fontes destaca que o congelamento de óvulos tem sido cada vez mais considerado. "A idade ainda é o principal fator. O ideal é realizar o congelamento até os 35 anos, quando há melhor qualidade e quantidade de óvulos. Depois disso, as taxas de sucesso tendem a diminuir progressivamente", detalha. Ela ressalta ainda que a participação de figuras públicas ajuda a normalizar a discussão. "Quando celebridades falam sobre saúde reprodutiva, isso ajuda a normalizar o assunto. Muitas mulheres passam a entender que existem opções e que o planejamento pode e deve ser individualizado", afirma. Além da fertilidade, compreender a origem da endometriose é fundamental para determinar o tratamento mais eficaz. O ginecologista Igor Chiminacio, referência na teoria embrionária da doença, esclarece que a condição não surge da menstruação retrógrada, como se acreditava anteriormente. "Hoje sabemos que a endometriose tem origem embrionária. Os focos fora do útero já estão presentes desde a formação fetal e podem se manifestar ao longo da vida reprodutiva", pontua. Segundo o especialista, esse entendimento transforma a abordagem clínica. "A endometriose profunda segue trajetos específicos. Quando conseguimos mapear essas áreas com precisão, a cirurgia de excisão completa se torna mais eficaz, reduz dor, melhora a qualidade de vida e pode impactar positivamente a fertilidade", relata. Ele alerta que o diagnóstico nem sempre é simples: "Exames de imagem ajudam, mas não substituem uma avaliação clínica detalhada. Em muitos casos, é a experiência do profissional que faz a diferença na identificação da doença". Initial plugin text O vídeo de Larissa reforça um movimento crescente de mulheres que buscam informação para tomar decisões mais conscientes sobre o próprio corpo. Para o Dr. Cesar, esse é o caminho mais seguro. "Com acompanhamento adequado, tratamento individualizado e respeito ao tempo do organismo, é totalmente possível preservar a fertilidade e planejar a maternidade com mais tranquilidade", conclui.
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