Congelamento de óvulos: decisão de Juju Salimeni aos 39 levanta dúvidas sobre fertilidade
Jornal O Globo

Congelamento de óvulos: decisão de Juju Salimeni aos 39 levanta dúvidas sobre fertilidade

A decisão de Juju Salimeni de iniciar o congelamento de óvulos colocou novamente em pauta um tema que atravessa a vida de muitas mulheres, ainda que nem sempre seja dito em voz alta: o tempo da maternidade. Aos 39 anos, a apresentadora compartilhou que chegou a um limite pessoal, e biológico, para adiar esse plano. "Não posso mais esperar", afirmou. O que mudou no olhar de Anitta? Especialistas apontam possível transplante O 'boom' das transformações estéticas entre famosas: como a naturalidade redefine padrões de beleza A escolha não veio isolada. Em um relacionamento com o fisiculturista Diogo Basaglia desde 2021, Juju explicou que a rotina intensa dos dois também pesou na decisão. "Ele está no auge da carreira, fazendo uso de hormônios. Eu também. Em que momento a gente ia encaixar isso?", questionou. O alerta definitivo veio após exames que indicaram sua reserva ovariana no limite, o que acelerou o início do protocolo. Ao dividir a experiência, a apresentadora também ajudou a esclarecer dúvidas comuns sobre o processo. Uma delas envolve a necessidade, muitas vezes presumida, de interromper hormônios ou retomar o ciclo menstrual. "Eu achava que precisava menstruar… e no fim eu não tenho que menstruar", detalhou. O aumento de relatos como o de Juju acompanha uma mudança mais ampla no comportamento feminino. Cada vez mais, o planejamento reprodutivo deixa de ser uma decisão urgente para se tornar uma estratégia possível. Para o especialista em reprodução humana Alfonso Massaguer, diretor da Clínica Mãe, o tema ultrapassa o campo médico. "A preservação da fertilidade é sobre empoderamento. É sobre dar à mulher a liberdade de escrever sua própria história, no seu tempo", afirma. Mais do que uma alternativa técnica, a preservação da fertilidade se insere em um contexto de autonomia. Segundo o médico, trata-se de ampliar a janela reprodutiva e permitir escolhas mais alinhadas aos diferentes momentos da vida. "Não gosto de pensar que ofereço apenas um serviço; estou criando um meio para que a mulher tenha controle sobre seu futuro parental", observa. Initial plugin text Na prática, o congelamento de óvulos tem sido buscado por perfis diversos: mulheres que priorizam a carreira, que ainda não têm um parceiro ou que enfrentam condições médicas que podem comprometer a fertilidade. O procedimento, já consolidado na medicina reprodutiva, acontece em etapas bem definidas, da estimulação ovariana, com uso de hormônios para induzir a produção de óvulos, à coleta, feita com sedação, até a criopreservação, quando os óvulos são armazenados em nitrogênio líquido por tempo indeterminado. Os avanços da técnica também ajudam a explicar sua popularização. "Hoje temos taxas de sobrevivência superiores a 90%, o que mantém a qualidade dos óvulos praticamente intacta", diz o Dr. Alfonso. Entre os principais benefícios estão o controle do tempo biológico, a possibilidade de decidir quando engravidar e uma sensação maior de segurança no planejamento de vida. Ainda assim, há um fator importante: o momento da decisão. "O ideal é realizar o congelamento até os 35 anos, quando a qualidade dos óvulos é maior. Ainda assim, mulheres até 40-42 anos podem se beneficiar, dependendo da avaliação individual", orienta o especialista. Se antes o tema era cercado de silêncio, hoje ele ganha espaço, seja em consultórios, seja nas redes sociais. Histórias como a de Juju Salimeni ajudam a tornar mais visível um dilema contemporâneo: como conciliar desejo, carreira, corpo e tempo. "Não estamos apenas oferecendo um procedimento; estamos oferecendo a possibilidade de escolha", conclui.

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