China abre duas investigações comerciais contra os EUA, retaliando ações americanas
Jornal O Globo

China abre duas investigações comerciais contra os EUA, retaliando ações americanas

A China iniciou duas investigações sobre práticas comerciais dos Estados Unidos, retaliando apurações semelhantes feitas pelo governo de Donald Trump, enquanto as superpotências definem posições antes de uma esperada cúpula presidencial em maio. Efeito cascata em penduricalhos? Governo e analistas avaliam que outras carreiras podem pedir quinquênio Consumo compulsivo: Itália investiga Sephora por incentivo a skincare de crianças e risco de 'cosmeticorexia' A medida, anunciada pelo Ministério do Comércio nesta sexta-feira, é um reflexo direto das ações que o presidente dos EUA, Donald Trump, tomou para retomar sua agenda tarifária depois que a Suprema Corte, no mês passado, anulou algumas de suas tarifas. “A China expressa sua forte insatisfação e firme oposição a essas ações”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio em comunicado, referindo-se às chamadas investigações da Seção 301 iniciadas em 11 de março. As medidas chinesas surgem dias depois de a Casa Branca informar que Trump viajará à China em meados de maio para se reunir com o presidente Xi Jinping em uma cúpula adiada devido ao conflito dos EUA com o Irã. As duas maiores economias do mundo estabilizaram em grande parte suas relações após uma guerra de tarifas no ano passado, embora Pequim tenha sinalizado sua oposição a novas ações dos EUA. Initial plugin text Os ataques ao Irã, parceiro diplomático da China, trouxeram novas tensões às relações entre EUA e China, embora ambos os governos tenham buscado continuar em um caminho de engajamento. As relações também são prejudicadas por questões persistentes, incluindo o elevado superávit comercial da China e as vendas de armas dos EUA para Taiwan, uma democracia autônoma que Pequim reivindica como seu território. Pequim ainda não confirmou a visita de Trump à China, embora normalmente anuncie movimentos da liderança mais próximos do evento. 'Barreiras' a produtos chineses Cada uma das novas investigações tem prazo de seis meses, com possível extensão de três meses, dando a Pequim uma justificativa legal para futuras contramedidas e maior poder de negociação antes de quaisquer conversas. Tarifaço: Governo Lula vê risco de novas tarifas de Trump com avanço de investigação comercial dos EUA Uma dessas apurações, movida separadamente contra o México em setembro, foi concluída na segunda-feira. Pequim concluiu que as tarifas do país sobre produtos chineses constituem barreiras comerciais e prometeu adotar medidas para defender os interesses das empresas chinesas, sem especificar quais. Uma investigação anunciada na sexta-feira tem como alvo práticas dos EUA que, segundo Pequim, perturbam as cadeias globais de suprimentos, incluindo restrições à entrada de produtos chineses no mercado americano, controles de exportação de tecnologia avançada e limitações ao investimento bilateral em setores críticos. A outra ação concentra-se especificamente no que a China descreveu como barreiras americanas ao comércio de produtos verdes, incluindo restrições às exportações de bens renováveis chineses para os EUA e limitações à cooperação em tecnologia verde. Por dentro do jato 'VIP ao quadrado': família Safra coloca à venda maior avião executivo do Brasil; imagens O Ministério do Comércio afirmou que algumas medidas em ambas as investigações podem violar regras da OMC e tratados assinados conjuntamente pelos dois países. Primeiro-ministro da China promete apoiar comércio equilibrado enquanto exportações disparam O Representante de Comércio dos EUA iniciou, no início deste mês, uma investigação da Seção 301 sobre a China e outras 15 economias por suposto excesso de capacidade industrial. No dia seguinte, o USTR abriu uma investigação separada sobre 60 economias, incluindo a China, por causa de uma proibição de importações produzidas com trabalho forçado. O ministro do Comércio da China, Wang Wentao, expressou na quinta-feira “sérias preocupações” ao Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, sobre as investigações. Em uma reunião em Camarões, Wang citou Xi e descreveu o comércio como o “lastro” da relação. Ele pediu aos EUA que evitem uma “competição viciosa” e implementem o consenso alcançado durante a reunião anterior dos líderes em Busan e nas conversas subsequentes. Autoridades dos dois países, incluindo Greer e o secretário do Tesouro Scott Bessent, reuniram-se em Paris no início deste mês em um encontro destinado a preparar o terreno para a cúpula. Os países estão discutindo a possível criação de um painel de fiscalização comercial para ajudar a resolver disputas, um mecanismo que Greer chamou de “Conselho de Comércio EUA-China”.

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