Grupo de hackers ligados ao Irã invade e-mail do diretor do FBI e expõe dados pessoais
Jornal O Globo

Grupo de hackers ligados ao Irã invade e-mail do diretor do FBI e expõe dados pessoais

Hackers ligados ao governo do Irã, do grupo Handala, invadiram o e-mail pessoal do diretor do FBI, Kash Patel, e divulgaram fotos e documentos retirados da conta, segundo a rede CNN. O material exposto inclui registros de comunicações pessoais, profissionais e de viagens mantidas ao longo de mais de uma década. O episódio ocorre em meio a alertas de autoridades dos Estados Unidos sobre uma possível escalada de ataques cibernéticos ligados a Teerã. Veja mapa: com mais tropas americanas a caminho, Irã fortalece defesas no Golfo e se prepara para invasão em terra Pressão sobre a Casa Branca: Trump adia 'ultimato' contra infraestrutura elétrica do Irã por 10 dias e diz que negociações avançam De acordo com uma análise preliminar dos arquivos, as mensagens acessadas datam de cerca de 2011 a 2022 e não indicam, até o momento, comprometimento direto de sistemas institucionais do FBI. Especialistas ouvidos sobre o caso afirmam que a invasão atingiu conteúdos de caráter privado, como imagens de família e informações logísticas do cotidiano. — Não se trata de uma violação de sistemas do FBI, mas de dados pessoais — afirma Ron Fabela, pesquisador em cibersegurança. Imagens divulgadas pelo grupo mostram Patel em momentos anteriores à sua nomeação para o comando da agência americana. A autenticidade dos registros foi confirmada por fontes familiarizadas com o episódio. Initial plugin text A invasão, inicialmente revelada pela Reuters, ocorre em meio a alertas recorrentes de autoridades dos EUA sobre possíveis ações de retaliação cibernética de grupos ligados a Teerã, após a intensificação dos ataques americanos e israelenses contra o Irã no último mês. Este não é o primeiro episódio envolvendo o atual diretor do FBI. No fim de 2024, antes de assumir o cargo, Patel já havia sido informado de que havia sido alvo de uma operação hacker atribuída ao Irã, que resultou no acesso a parte de suas comunicações privadas. A ofensiva fazia parte de uma campanha mais ampla conduzida por hackers estrangeiros, incluindo grupos da China e do Irã, com foco em integrantes da equipe do então presidente Donald Trump. Entre os alvos estavam nomes como o atual vice-procurador-geral Todd Blanche, a advogada Lindsey Halligan e Donald Trump Jr. Nova frente no estreito de Bab el-Mandeb: Irã ameaça bloqueio de estreito do Mar Vermelho se EUA invadirem Ilha de Kharg por terra O grupo, responsável pelo ataque mais recente, também reivindicou neste mês um ciberataque contra a fabricante americana de equipamentos médicos Stryker, que derrubou sistemas e afetou operações da empresa. A ofensiva, registrada na madrugada do dia 11 de março, intensificou alertas de autoridades e especialistas sobre a possibilidade de ampliação de alvos civis na guerra, incluindo empresas e infraestrutura crítica. Na ocasião, o grupo afirmou ter agido em retaliação a um ataque com mísseis contra uma escola no Irã em 28 de fevereiro, episódio que, segundo a mídia estatal iraniana, deixou ao menos 175 mortos, a maioria crianças. O Pentágono informou que investiga o caso. Confira antes e depois da destruição em áreas do Irã O Departamento de Justiça dos EUA acusa o grupo de atuar em nome do Ministério da Inteligência e Segurança do Irã. Como resposta a ataques recentes, autoridades americanas anunciaram a derrubada de sites usados pelos hackers, numa tentativa de conter suas atividades. Apesar disso, especialistas apontam que as operações continuam ativas, com novos alvos e disseminação de conteúdo de propaganda.

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