Jornal O Globo
No saturado mercado de bem-estar, onde centenas de marcas disputam a atenção do consumidor com promessas de resultado e preços, a Akiwell decidiu que não bastava entregar a melhor fórmula, era preciso garantir que o cliente pudesse pagar por ela. A empresa, que atua desde 2013 no segmento de suplementação, bem-estar e estética, acaba de cravar um marco no setor: se tornar a primeira marca de suplementos do Brasil a lançar um cartão de crédito próprio com bandeira Visa Internacional. Mais do que uma inovação pontual, a iniciativa reformula a maneira como a marca se relaciona com seus clientes e cria um diferencial competitivo ainda raro no mercado de suplementação. Essa movimentação não se trata apenas de um "mimo" de fidelidade. Mas pode ser considerada uma manobra financeira feroz para verticalizar o negócio e assumir o controle de uma etapa crítica da jornada do cliente, o pagamento. Para Vanessa Moreno, sócia da Akiwell, a decisão de entrar no setor financeiro foi pragmática. Segundo a empresária, as limitações de crédito eram uma barreira silenciosa para o crescimento. “A decisão nasceu de uma leitura muito clara do nosso próprio crescimento, não era falta de demanda, era falta de acesso. Tínhamos clientes prontos para comprar, mas limitados por crédito. Em vez de aceitar essa barreira, decidimos eliminá-la", explica. “O cartão surge como uma solução estratégica para destravar consumo, aumentar conversão e, principalmente, assumir o controle de uma etapa crítica da jornada do cliente, o pagamento.” Ao lançar o Akiwell Visa, em parceria com o Banco Afinz, a marca saiu da posição de fornecedora de suplementos e vitaminas para se tornar uma facilitadora de estilo de vida com maior presença. A estratégia visa atender o público mais maduro da marca, acima de 40 anos, que valoriza confiança e facilidade de pagamento, mas também expande para um perfil mais novo, que cresceu no digital, que entende o valor da integração entre consumo e serviços financeiros. A escolha por um cartão com bandeira Visa, ao invés de programas tradicionais de fidelidade, não foi por acaso. Segundo a executiva, o objetivo era ir além de benefícios pontuais. “Porque não queríamos criar mais um benefício, queríamos criar um ativo. Cashback fideliza momentaneamente. O cartão Akiwell Visa Internacional transforma a relação do cliente com a marca. Ele amplia o poder de compra, gera autonomia e posiciona a Akiwell dentro da vida financeira do consumidor. Isso muda completamente o nível de conexão e recorrência”, explica. Empresa investe em ecossistema completo para ampliar acesso e fortalecer vínculo com clientes. Divulgação Verticalização: do laboratório ao pagamento A estratégia do cartão é apenas uma peça de um xadrez maior. Recentemente, a Akiwell adquiriu um laboratório próprio, passando a controlar desde a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) até a fabricação das fórmulas. Essa integração permite margens mais saudáveis, que sustentam a operação de crédito e oferecem preços mais competitivos. O impacto nos indicadores de desempenho (KPIs) da empresa foi imediato. O cartão atua diretamente no telemarketing da companhia, reduzindo objeções e permitindo que o cliente opte por protocolos de saúde mais completos. "O impacto foi significativo. Com acesso a crédito estruturado, o cliente deixa de comprar por impulso e passa a consumir de forma estratégica, optando por tratamentos mais completos. Isso aumenta o ticket médio e fortalece a recorrência, dois pilares fundamentais para crescimento sustentável", afirma a sócia da Akiwell. Essa estratégia permite que a marca se estabeleça no mercado como um ecossistema completo de bem-estar. Dentro desse movimento, o cartão passa a ocupar um papel central, com expansão prevista para além do crédito. “Estamos estruturando um ecossistema onde o cartão será o centro de uma série de benefícios, como condições exclusivas, acesso antecipado a campanhas, programas de relacionamento e experiências diferenciadas. A ideia é transformar o cliente em parte ativa do nosso ecossistema”, pontua Moreno. Além das condições dentro da própria Akiwell, a empresa já conecta o produto a vantagens no cotidiano do consumidor, como descontos em farmácias, acesso a consultas médicas, exames laboratoriais e conteúdos educacionais, ampliando o valor percebido e reforçando a recorrência. Um novo padrão competitivo no setor O setor de suplementação alimentar no Brasil cresce a taxas superiores a 10% ao ano, com projeções de atingir a marca de R$ 10 bilhões. Para Vanessa Moreno, o futuro das empresas que desejam sobreviver a esse crescimento não está no produto isolado, mas na criação de ecossistemas para proporcionar ao consumidor todas as suas necessidades de saúde. "Preço é uma disputa de curto prazo. Acesso, experiência, controle de produção e relacionamento são diferenciais de longo prazo. Quando você controla a cadeia, resolve o acesso ao crédito e constrói relacionamento com o cliente, você deixa de competir por preço, você passa a operar em outro nível. E nesse nível, você não é comparado, você é escolhido", afirma Moreno. Ao unir o rigor da indústria farmacêutica com a agilidade das fintechs, a Akiwell de Vanessa Moreno sinaliza que a próxima fronteira do bem-estar não está apenas no que o consumidor ingere, mas em como a marca se insere na sua vida financeira e emocional. Por isso, a empresária acredita que inovação deixou de ser diferencial para se tornar condição de sobrevivência. “Mais do que vender, estamos construindo um sistema que sustenta crescimento, gera escala e, principalmente, melhora a vida do cliente de forma prática e acessível. A inovação não será diferencial, será requisito. Empresas que não evoluírem em tecnologia, experiência e modelo de negócio simplesmente deixarão de competir”, finaliza.
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