Jornal O Globo
O Banco de Brasília (BRB) e o Flamengo assinam no próximo dia 31 de março o novo acordo de parceria que torna operacional o banco digital Nação BRB FLA, que passará a ser uma instituição totalmente à parte. A exposição da marca BRB na camisa do Flamengo continua como parte do acordo, mas também será incluído o nome #NAÇÃOBRBFLA, reforçando o marketing da plataforma financeira. A nova parceria terá prazo de cinco anos, mas como a contagem é a partir de 2024 (quando a empresa foi criada, ainda que sem estar operacional até hoje), o prazo vai até 2029. O contrato pode ser renovado por períodos iguais até o limite de 20 anos. O presidente do BRB, Nelson de Souza, disse ao GLOBO que o novo desenho reorganiza a relação financeira e estratégica entre as partes e a meta é torná-lo o “maior banco digital da América Latina”. O contrato anterior previa pagamentos de R$ 40,9 milhões anuais, somando patrocínio direto e pagamentos vinculados ao uso de propriedade intelectual. O valor foi atualizado pelo IPCA para R$ 42,3 milhões. A diferença agora é que ele deixará de ser um desembolso direto do banco para o clube. A engenharia é a seguinte: O BRB faz um Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) em quatro tranches para o BRB NAÇÃO FLA, a primeira de metade do total e as outras três ao longo do ano. A plataforma faz o pagamento a título de “outorga de propriedade intelectual”. A nova empresa levará os 3,8 milhões de clientes que estão na base do BRB hoje. Os lucros serão divididos na proporção das participações 54,6% do banco distrital e 45,4% do Flamengo. Mas o banco brasiliense também receberá uma remuneração de R$ 2,40 por conta ativa que tiver movimentação. – O banco e o Flamengo ganham à medida que a operação cresce – disse Souza, destacando que esse é um investimento com estratégia de retorno mais clara do que um simples patrocínio, que é menos palpável. Apesar de o banco destacar que o modelo que será assinado é diferente do atual, o processo não ocorre sem polêmicas. A oposição ao Governo do Distrito Federal (GDF), ao qual o BRB é vinculado, está tratando o caso como uma renovação do patrocínio e fez uma representação ao Tribunal de Contas local para tentar barrar a operação. Ela ocorre em meio a uma severa crise pela qual passa o banco brasiliense após a tentativa de compra do Master e dos problemas de balanço gerados pela compra de carteiras com indícios de fraudes da instituição de Daniel Vorcaro. Ao reforçar o caráter apartado da NAÇÃO BRB FLA, a lógica do novo contrato de parceria também é envolver mais o Flamengo no trabalho de crescimento da plataforma digital, que funciona no formato “banking as a service”. “Nós queremos que seja o maior banco digital da América Latina”, reforçou Souza. O pagamento mínimo ao Flamengo — os R$ 42,3 milhões anuais — será garantido, mas agora vinculado ao fluxo da própria empresa, o que, se a empresa for mais rentável, pode com o tempo tirar pressão do orçamento do BRB. Caso a operação gere resultado acima desse piso, o clube passa a participar também do lucro. A aposta central do novo modelo está no uso da base de torcedores como vetor de negócios e maior poder de fidelização em um contexto de alta competição no setor financeiro. Um exemplo concreto desse potencial, segundo Souza, foi que na Supercopa do Brasil, em fevereiro, a ação de marketing que dava dois ingressos para o jogo contra o Corínthians para quem fizesse aplicações acima de R$ 200 mil gerou captação de R$ 31 milhões. A estratégia de colocar a estrutura que já existia para funcionar de maneira independente mira também ampliar o uso de produtos financeiros — crédito, seguros, investimentos — dentro da plataforma. O plano inclui a abertura de agências físicas temáticas — começando por uma unidade na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro — e a presença em todas as capitais, garantindo uma presença nacional. A inspiração é modelos como Nubank e C6 e parte da visão que a confiança do cliente é maior quando ele tem alguma representação física.
Go to News Site