Ignoradas, atribuídas a homens e redescobertas: conheça 5 obras de arte que tiveram autoria feminina apagada ao longo da história
Jornal O Globo

Ignoradas, atribuídas a homens e redescobertas: conheça 5 obras de arte que tiveram autoria feminina apagada ao longo da história

Por séculos, obras criadas por mulheres foram ignoradas, deixadas sem assinatura ou atribuídas a homens. Esse era um padrão recorrente na história da arte, e só recentemente começou a ser corrigido. Em muitos casos, a falta de reconhecimento não foi acidental, mas resultado de barreiras estruturais: mulheres tinham menos acesso a formação, assinavam menos suas obras e eram menos valorizadas por museus e mercado. BBB 26: Ex-participante Sol Vega lamenta eliminação de Jonas e declara que Ana Paula será campeã; 'tenho que me conformar' Cantora, influenciadora e herdeira: Saiba quem é Vivi Wanderley, ex de Juliano Floss que o acusa de abuso psicológico; veja vídeo Hoje, exposições e revisões históricas tentam reverter esse apagamento. A seguir, cinco casos elencados em reportagem da emissora BBC que ilustram esse processo. Conheça: 1 — 'Triunfo de Baco' (1655–59), de Michaelina Wautier The Triumph of Bacchus (1655–59), de Michaelina Wautier Kunsthistorisches Museum Por décadas, a pintura ficou esquecida em um depósito do Kunsthistorisches Museum, em Viena. Quando foi redescoberta, em 1993, pela historiadora Katlijne Van der Stighelen, não tinha assinatura e acabou atribuída ao irmão da artista, Charles Wautier. A explicação era direta: mulheres não tinham acesso a estudos com modelo vivo. “Quando se trata de obras de artistas mulheres, sempre surgem questões de atribuição”, afirmou Van der Stighelen. Hoje, a obra é reconhecida como de Michaelina Wautier e, segundo o catálogo da exposição, “agora é reconhecida como um dos destaques da coleção de pinturas do Kunsthistorisches Museum”. 2 — 'Autorretrato como Santa Catarina de Alexandria' (c1615–17), de Artemisia Gentileschi Autorretrato como Santa Catarina de Alexandria (c1615–17), de Artemisia Gentileschi National Gallery Artemisia foi uma artista reconhecida em vida, mas isso não impediu que, séculos depois, sua obra fosse atribuída a homens como seu pai, Orazio, e até a Caravaggio. O quadro só foi oficialmente reconhecido como seu em 2017. Na pintura, ela se representa como Santa Catarina — uma escolha que dialoga com sua produção marcada por figuras femininas fortes. Segundo Katy Hessel, são imagens de “mulheres buscando vingança”. A própria artista antecipou a desconfiança que enfrentaria: “O nome de uma mulher levanta dúvidas até que sua obra seja vista” e “Mostrarei a Vossa Ilustre Senhoria o que uma mulher pode fazer.” 3 — 'Companhia feliz' (1630), de Judith Leyster Companhia feliz (1630), de Judith Leyster Web Gallery of Art Durante anos, a obra foi atribuída a Frans Hals. A mudança veio com a descoberta de uma assinatura escondida — “JL”. Judith Leyster havia sido reconhecida em vida, mas, após sua morte, suas pinturas passaram a circular sob nomes masculinos. Segundo a reportagem da BBC, isso também refletia uma lógica de mercado: obras atribuídas a homens tinham maior valor comercial. 4 — 'God' (1917), de Elsa von Freytag-Loringhoven 'God', de Baroness Elsa von Freytag-Loringhoven Museu de Belas-Artes de Houston A obra foi inicialmente creditada a Morton Schamberg, e o nome da baronesa só apareceu décadas depois, já nos anos 2000. Inserida no movimento dadaísta — descrito como um “clube exclusivo de homens” —, ela produzia em um ambiente que frequentemente colocava mulheres como “musas artísticas em vez de participantes ativas”. O caso se conecta ainda ao debate sobre a obra Fountain. Em carta, Marcel Duchamp escreveu: “Uma de minhas amigas, sob um pseudônimo masculino Richard Mutt, enviou um urinol de porcelana como escultura”. Para a pesquisadora Irene Gammel, “embora a prova final do envolvimento da baronesa possa faltar, há muitas evidências circunstanciais que apontam para sua assinatura artística”. 5 — 'Tomorrow Forever' (1963), de Margaret Keane 'Tomorrow Forever' (1963), de Margaret Keane Keane Eyes Gallery O sucesso comercial veio, mas com o nome errado. A obra foi atribuída ao marido, Walter Keane, que se apresentava como autor das pinturas assinadas como “KEANE”. Margaret produzia, ele assinava. A disputa foi parar na Justiça após o divórcio. Em pleno tribunal, ambos foram convidados a pintar: ele, naturalmente, se recusou; ela concluiu em menos de uma hora a obra identificada como “Exhibit 224”. 'Exhibit 224', de Margaret Keane Reprodução/Keane Eyes Gallery

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