Zizi Possi 70 anos: cantora revela como mantém saúde, bem-estar e criatividade após décadas de carreira
Jornal O Globo

Zizi Possi 70 anos: cantora revela como mantém saúde, bem-estar e criatividade após décadas de carreira

Aos 70 anos, a cantora Zizi Possi celebra quase cinco décadas de carreira, refletindo com gratidão sobre experiências que transformaram sua música e presença nos palcos. Em entrevista ao GLOBO, ela recorda encontros com grandes nomes da música brasileira, apresentações internacionais e o amadurecimento que acompanhou sua trajetória artística. Melody revela virada na carreira após faturar milhões: 'O mercado começou a me enxergar como uma marca' Lorena Comparato vive fase plural na carreira, entre séries, cinema e novos projetos: 'Não adianta só ter visibilidade, é preciso ter conteúdo' "Pois é, quase cinco décadas. Tantas emoções! Alguns momentos marcaram profundamente meu aprendizado e amadurecimento musical, e posso citar alguns deles”, inicia Zizi, destacando a importância de relações que a apoiaram desde o início: "Ao conhecer Menescal, encontrei fora do núcleo familiar alguém que acreditava e confiava em mim. Embora hoje saiba que a vida não dá garantias, esse foi, sem dúvida, o ponto de partida da minha jornada." Entre os momentos que deixaram marca em sua trajetória, Zizi compartilha com emoção a gravação de "Pedaço de Mim", ao lado de Chico Buarque, com músicos como Milton Nascimento, Beto Guedes e Novelli. "Tive que permitir que uma parte da minha consciência não aterrissasse para conseguir cantar… Era muita informação, mas um privilégio imenso! Não há ganho de loteria que supere isso. Naquele momento, percebi que era possível levar ao universo popular alguns requintes essenciais pelos quais minha alma clamava e eu estava cercada por pessoas assim", lembra. Outras experiências fortaleceram a liberdade artística de Zizi. "Assistir ao show do Sting no Rio de Janeiro, no final da década de 1980, revelou a liberdade musical que ele possui e que costuma assustar a indústria e até compositores em busca do tal 'sucesso'. Naquele instante, senti que tinha recebido minha carta de alforria", detalha. Para Zizi, a música sempre foi um espaço de experimentação rítmica e poética. "Encontrar Marco Suzano foi outro momento marcante. Ele não apenas acreditou em mim, mas também me inspirou na forma pouco convencional como eu sentia e dividia ritmicamente a poesia das músicas", conta. Zizi Possi Divulgação Danilo Borges A carreira internacional também trouxe descobertas sobre o poder universal da música. "Cantar pela primeira vez em Nova York era uma incógnita. Eu trabalho com silêncios, com outra língua… Sim, eram apresentações para estrangeiros mesmo. O que era para ser três apresentações virou sete, e então percebi que a música realmente transforma quem ouve, independentemente da língua", revela. Experiências semelhantes se repetiram em Copenhague, onde dinamarqueses e noruegueses falavam português por terem se encantado com a música brasileira. Projetos como "Per Amore" abriram novas possibilidades de expressão, permitindo que ela cantasse ao vivo acompanhada de quarteto e orquestra de câmara, misturando raízes e idiomas diversos. "Muitas dessas vivências despertam inspirações silenciosas, que mais tarde se transformam no 'meu jeito de cantar'", explica. A maturidade, segundo Zizi, reflete diretamente na maneira como se apresenta nos palcos. "Integrá-lo às mudanças que a vida e as experiências trazem aos sentimentos, ao corpo e à consciência é algo inevitável. O resultado… você gosta?", brinca a artista. Zizi Possi Divulgação Danilo Borges Ela garante que, ao longo de toda a trajetória, nunca enfrentou preconceito ou dificuldades por ser mulher em uma fase mais madura da profissão: "Até agora não." Quando pensa em bem-estar físico e emocional, Zizi prioriza alimentação, atenção ao corpo e hábitos que fortalecem equilíbrio e vitalidade. "Gostaria de ter conseguido manter exercícios, motivação e hábitos que praticava antes, mas, por inúmeros motivos, não foi possível. Hoje, foco em cuidar da alimentação — estou até reformando a cozinha por isso — e em não me julgar quando escolho passar momentos 'fazendo nada'. Admito: essa parte de não me julgar é uma tarefa hercúlea. Procuro também estar atenta aos limites do meu corpo. Posso querer fazer isto ou aquilo, mas talvez ele não concorde. Nesse momento da vida, ele é soberano. Não vale a pena desafiá-lo!", declara.

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