Saiba quais são os nove tipos de 'red flags' em relacionamentos amorosos
Jornal O Globo

Saiba quais são os nove tipos de 'red flags' em relacionamentos amorosos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física e/ou sexual praticada por um parceiro íntimo. No Brasil, os números também preocupam: mais de 29 milhões de pessoas relatam ter vivenciado algum tipo de violência, sendo que 52,4% das agressões contra mulheres são cometidas por companheiros ou pessoas com quem mantêm uma relação afetiva. Para combater essa realidade, Bia Diniz, à frente da ONG Cruzando Histórias — organização dedicada à promoção de educação, conscientização e apoio a pessoas em situação de violência de gênero —, mapeou nove comportamentos que, de longe, parecem inofensivos, mas que carregam grande potencial de escalonamento da violência contra a mulher e de feminicídios. “Os sinais acontecem muito na sutileza e são disfarçados de cuidado, de amor. ‘Eu faço isso porque te amo’. É aí onde mora o perigo”, afirma. Ignorar Chantagear Humilhar Manipular Ter ciúmes excessivo Controlar Invadir a privacidade (intrusão) Isolar Intimidar Apesar de listados separadamente, Bia explica que esses comportamentos costumam aparecer de forma combinada e progressiva. “Eles se conversam, se misturam, e por isso fica difícil identificar”, diz. O perigo do “tratamento de silêncio” Entre os sinais mais comuns está o ato de ignorar o parceiro, conhecido como “tratamento de silêncio”. “Você entra em um conflito e a pessoa simplesmente para de responder, te ignora, age como se você não existisse. Isso deixa o outro extremamente vulnerável”, explica. Segundo ela, esse comportamento é frequente até em relações duradouras e pode gerar sensação de invisibilidade e desvalorização. Controle disfarçado de cuidado Outro ponto de alerta é o controle excessivo, muitas vezes confundido com zelo. “Controlar com quem você anda, o que você veste, como você se comporta… isso não é cuidado, é violência”, afirma. Ela também destaca o impacto das relações no ambiente digital, como a exigência de acesso a senhas e localização em tempo real. “A pessoa pede sua localização o tempo todo, mas não é para te proteger — é para te vigiar.” Educação como caminho para mudança Para Bia, a transformação passa necessariamente pela educação, especialmente entre os mais jovens. “Tem muita gente que está começando a se relacionar e não sabe o que é um relacionamento saudável”, diz. Ela alerta ainda para o aumento de comportamentos misóginos entre adolescentes, influenciados principalmente pelo ambiente digital. “A nossa influência como família hoje é muito menor do que a da internet. Por isso, precisamos falar mais sobre isso nas escolas, na mídia e em todos os espaços.” Construindo novas formas de se relacionar Apesar dos desafios, Bia acredita que é possível mudar esse cenário. “Não é sobre o que foi feito até agora, mas sobre como a gente pode fazer diferente daqui para frente”, afirma. Para ela, reconhecer os sinais é o primeiro passo para interromper ciclos de violência e construir relações mais saudáveis. O trabalho faz parte da campanha global de Yves Saint Laurent "Abuso não é amor", iniciativa que atua na prevenção da violência por parceiro íntimo por meio de educação e informação.

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