Revista Oeste
"Qualquer assunto em que você se aprofunde, você acaba chegando em Aristóteles". É nisso que Augusto Fleck, editor-chefe da Logos, acredita. Seja estudando direito, biologia ou a própria filosofia, as ideias do polímata morto em 322 a.C. formam uma base incontornável do pensamento ocidental. Não à toa, desde a fundação da empresa, em 2024, Fleck e seus sócios pactuaram um projeto ambicioso: publicar a obra completa do pensador da Grécia Antiga . + Leia mais notícias de Cultura em Oeste A tese ganhou corpo com um resultado revelado em entrevista a Oeste . A Logos já atingiu a marca de R$ 2 milhões com a pré-venda da coleção. O volume de adesões surpreendeu tanto os idealizadores que resultou em uma inversão na hierarquia financeira da empresa. “Olhando para trás, sem ter os dados de venda que a gente tem hoje, eu vejo o quão ousado foi”, afirma Lorenzo Fioreze, CEO da Logos. “Mas a sorte favorece os audazes.” Segundo o executivo, o plano inicial era que o clube de livros por assinatura sustentasse a estrutura da editora. Mas o cenário se inverteu. “É o Aristóteles que está financiando a editora.” Uma coleção para acadêmicos e iniciantes O projeto, no entanto, não nasceu somente de uma vontade da dupla. Ele surge de uma necessidade acadêmica e editorial real, uma vez que a íntegra dos trabalhos de Aristóteles nunca foi publicada de forma sistemática no Brasil. A coleção, que terá 19 volumes publicados até 2030, é planejada para atender a essa demanda com rigor técnico. Um dos pilares do projeto é a adoção da numeração de Bekker, uma espécie de "GPS" ou sistema de coordenadas universal para a obra de Aristóteles. O mecanismo identifica cada página, coluna e linha do texto original, permitindo que um leitor no Brasil localize exatamente a mesma passagem que um pesquisador em Oxford ou na Sorbonne, independentemente do idioma ou da edição consultada. Sem essa padronização internacional, o estudante brasileiro permanecia em desvantagem no debate acadêmico, sem uma referência comum para navegar com precisão pelos tratados do filósofo. https://www.youtube.com/watch?v=h4fJmYoTsGc Além disso, a editora evitou inovações linguísticas que pudessem isolar o leitor da história da filosofia. Fleck e sua equipe de tradutores optaram por manter a terminologia consagrada, garantindo que o público brasileiro se insira nas discussões clássicas sem ruídos. Ele exemplifica com o termo phronesis , geralmente traduzido como prudência: "Se a gente opta por uma palavra muito diferente, como 'juízo', o leitor se perderia ao comparar com textos em outras línguas”, diz. De toda forma, o texto será bilíngue, acompanhado por notas de rodapé de especialistas e um glossário de termos gregos. Uma semente para as próximas décadas O cuidado com o meio acadêmico aparece até no plano de negócios, que estabeleceu um modelo de doação vinculado às vendas. Cada coleção integral comercializada financia o envio de volumes do Órganon , que reúne as principais ideias aristotélicas sobre lógica, para instituições de ensino sugeridas pelos compradores. Mil exemplares já estão destinados a universidades brasileiras. “O impacto disso, daqui a 20 ou 30 anos, é o de ter uma massa crítica de pessoas estudando Aristóteles”, vislumbra Fioreze. “Eu amo filosofia, mas eu quero que tenha mais pessoas que gostem tanto quanto eu”. Leia também: "Paul McCartney anuncia novo disco, focado no passado" O post Editora fatura R$ 2 mi com obras completas de Aristóteles apareceu primeiro em Revista Oeste .
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