Jornal O Globo
O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) recebeu o primeiro aval do Ministério da Educação (MEC), no início do mês, para implantar uma faculdade de Medicina. Mesmo com presença em outros estados do país, a entidade, que completou 16 anos em março, escolheu o Rio para sediar o novo curso. Segundo a presidente do instituto, Fernanda Moll, o ecossistema de pesquisa que já existe na cidade, a integração com outras unidades de saúde e parcerias com instituições locais contribuíram para a escolha. Além do Idor, a Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) também obteve autorização para fornecer a mesma formação. 'Três Apitos' de Noel Rosa: Vila Isabel entra no mapa do turismo internacional com nova Rota do Samba Carnaval: Juliana Paes anuncia saída do posto de rainha de bateria da Viradouro No Idor, serão cem vagas em duas turmas de 50 alunos, uma por semestre. O prédio que vai abrigar a comunidade acadêmica fica no Centro, o que, para Fernanda, pode contribuir para a reocupação do bairro, que sofreu forte impacto na pandemia. Em entrevista ao GLOBO, a neurocientista, que também será uma das professoras do curso, destacou que a faculdade vai entregar à sociedade médicos com formação atenta às questões de saúde do povo brasileiro, produzindo pesquisas de ponta em âmbito nacional e internacional. O Idor surgiu com foco na pesquisa e agora avança para a criação de uma faculdade de Medicina. Como isso influenciou a construção deste curso? A gente acredita que, onde se pesquisa, se ensina melhor. A pesquisa, inclusive, vem antes da palavra “ensino” no nome: é Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. E ele nasce no Rio com foco em algumas linhas de pesquisa, incluindo neurociências. Hoje, já abraça grandes áreas da saúde, com laboratórios em dez estados do Brasil. Mas a nossa atuação foi se consolidando ao longo dos anos. No ensino, começamos em 2012, quando unificamos um programa de estágio nos hospitais da rede. Depois, em 2017, vieram o doutorado e a faculdade de Ciências Médicas (cursos de Radiologia, Enfermagem e Psicologia). Em 2024, abrimos o mestrado, e, agora, depois de passar por todos os processos regulatórios, vamos ter o curso de Medicina. O desejo de ter essa formação sempre existiu, e veio num contínuo dentro do instituto, com um lastro de pesquisa e ensino que a gente acredita ser fundamental para um sistema inovador. 'Quem é o governador do Rio?': enquete no Largo da Carioca termina sem nenhum acerto O governo federal já habilitou o instituto para oferecer a graduação médica. O que isso significa e o que acontece agora? A habilitação nos autoriza a protocolar o curso de Medicina. A gente já protocolou nosso projeto, com propostas de grade curricular, ementa, horários, valores de mensalidades e tudo o mais. Agora tem todo um processo regulatório e de certificação do MEC que concede, após esse trâmite, a qualificação e a aprovação para a abertura do curso, ou seja, vão avaliar e certificar que nós estamos prontos para começar. Quando o curso vai abrir inscrições? Depende do MEC. Não existe um prazo determinado de quanto tempo essa avaliação pode durar, mas a gente tem a expectativa de começar as atividades no primeiro semestre de 2027. A princípio, serão cem vagas por ano, divididas em duas turmas, uma em cada semestre. Decisão: Justiça mantém prisão de Rodrigo Bacellar após audiência de custódia Como o curso foi elaborado? A gente tem o Núcleo Docente Estruturante, que é um grupo responsável por estruturar o curso. A gente vem pesquisando há alguns anos várias faculdades e cursos inovadores e tradicionais, do Brasil e do mundo, buscando referências e inspirações para adaptar à nossa realidade e criar um curso com diferencial inovador. Ao longo do processo, a gente também ouviu pacientes, professores e alunos, perguntando que médicos eles gostariam de ter, formar e ser. Foram anos de um trabalho árduo para criar este projeto. Qual será o diferencial pedagógico da faculdade do Idor? O curso nasce de um instituto de pesquisa em parceria com uma rede hospitalar já instalada. A gente já treinou mais de dois mil acadêmicos dentro das estruturas da rede, temos mais de 30 programas de residência só no Rio de Janeiro. Então, o diferencial do curso é uma visão forte de pesquisa e inovação aliada ao ensino. A gente também tem parcerias com instituições de ensino e pesquisa nacionais e internacionais, como Harvard e Stanford, nos Estados Unidos, e a Universidade de São Paulo, além de colaborações científicas com mais de 80 países. Então, nossos pesquisadores participam de uma rede internacional, mas sempre olhando para a ciência em saúde adaptada à nossa realidade. Tragédia: moradora é morta durante operação da PM no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo A faculdade nasce conectada a uma grande rede hospitalar, que é a Rede D’Or. Como essa infraestrutura pode impactar a formação dos alunos? Além das práticas nos estágios que já acontecem na rede, a gente também tem parcerias com o Sistema Único de Saúde. O objetivo é formar médicos melhores para o Brasil, que estejam conectados com a inovação global e focados na necessidade real do país. A união entre pesquisa, ensino e inovação, atrelada à rede assistencial, faz com que a gente atenda melhor e faça o melhor para os nossos pacientes. O Idor tem um DNA muito marcado pela pesquisa translacional, que liga a bancada do laboratório à beira do leito hospitalar, descobrindo soluções para os problemas dos pacientes com a pesquisa científica. Quando a gente forma um profissional exposto a várias engrenagens da saúde, a gente entrega o melhor tratamento para o nosso paciente. Que legado a nova faculdade de Medicina pretende deixar para o Rio? Todas as estruturas do Idor são oportunidades de fazer pesquisa de ponta no Rio. Para fazer este curso, a gente se inspirou em institutos muito inovadores, como o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na tradução do inglês). A nossa expectativa é que este curso seja o MIT da saúde, produzindo ciência e inovação aplicadas na cidade. Outro grande objetivo, como o de qualquer instituição de pesquisa e ensino, é a formação de recursos humanos para atuar em diferentes campos da Medicina e na produção de conhecimento científico. Nosso intuito é formar médicos que estejam sempre se renovando, atentos às necessidades do território do Rio e do Brasil, e conectados com o mundo. Nas redes: Iniciativa mobiliza internautas em busca por crianças desaparecidas O prédio que será ocupado pela nova faculdade de Medicina do Instituto D’Or Divulgação Unidade vai ocupar prédio tombado no Centro A nova faculdade de Medicina do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino vai ocupar o Standard Building, na Avenida Presidente Wilson, no Centro. Construído na década de 1930 para sediar a empresa americana Standard Oil (a Esso, como é mais conhecida), o imóvel foi tombado em 2003 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). São 25 mil metros quadrados de área construída e 11 andares. A locação é de todo o edifício, durante um período mínimo de 60 meses, que pode ser renovado junto ao proprietário, o fundo imobiliário Arch Edifícios Corporativos. Tiros no Leme: suspeito fica ferido em confronto após ataque contra PMs no Morro da Babilônia Construção inovadora Antes do Idor, o prédio era ocupado pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), que rescindiu o contrato em dezembro do ano passado e se mudou para Botafogo. Em estilo art déco, o Standard Building foi o primeiro do Rio a ter ar-condicionado central, algo inovador e moderno à época. Em 2007, passou por um retrofit, feito pela BN Engenharia, que o adequou para receber os cursos do Ibmec. A reforma, que durou dez meses, manteve a fachada original, mas modificou toda a parte interna, incluindo a modernização de instalações elétricas e hidráulicas, dos elevadores e dos sistemas de climatização e de proteção contra incêndio. 'Estou desesperada': Acusada de injúria racial no Rio, argentina segue impedida de deixar o Brasil O Instituto D’Or já tem centros de pesquisa e ensino em Botafogo, na Glória e no Recreio dos Bandeirantes. A nova unidade do Centro vai concentrar os alunos que estão nos períodos básicos do curso de Medicina. Além da estrutura para os estudantes, a faculdade deve levar mais movimento a uma região que ficou muito esvaziada desde a pandemia. — O Centro é o coração do Rio. Além de produzir conhecimento, ocupar esse prédio com a comunidade acadêmica é uma das nossas entregas para a cidade — afirma Fernanda Moll, presidente do Idor.
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