Por que os humanos são tão diferentes entre si, em comparação com outros primatas? A evolução explica
Jornal O Globo

Por que os humanos são tão diferentes entre si, em comparação com outros primatas? A evolução explica

Pensando bem, nós, humanos, somos muito diferentes. Cor da pele, do cabelo, dos olhos. Tamanho de boca, nariz, olhos, cabeça. Formatos de rosto. Sobrancelha grossa, barba longa... Os rostos humanos são excepcionalmente variados em comparação aos de outros primatas. Mas por que? Você pode pensar que é apenas a mistura de ancestrais, combinando diferentes conjuntos de genes até chegarmos onde estamos hoje, mas a ciência descobriu que há mais do que isso. A questão é que precisamos identificar uns aos outros. Quando os cães se cumprimentam, eles cheiram o traseiro. Os albatrozes fazem uma pequena dança de "bom te ver de novo", enquanto os golfinhos usam o gosto da urina de seus companheiros de grupo para encontrar seus amigos. Agradeça, então, por dependermos tanto dos rostos. Um estudo de 2014 buscou determinar se nossa capacidade de nos reconhecermos uns aos outros com extrema facilidade decorre de uma pressão evolutiva para sermos únicos. Para chegar ao fundo da questão, foi necessário estudar métricas corporais, a partir do banco de dados de medidas corporais do Exército dos EUA. O que esses dados revelaram foi que nossos rostos apresentam muito mais variabilidade do que qualquer outra característica corporal. Também mostraram que as características faciais são independentes umas das outras. Por exemplo, ter braços longos geralmente significa ter pernas mais longas, mas um nariz mais largo não está correlacionado com um queixo maior. Os pesquisadores também analisaram o genoma humano em busca de respostas e descobriram que há um aumento na variação genética nas regiões que controlam nossas características faciais. Mais um sinal de que ter a capacidade de apresentar muita variação em nosso fenótipo facial — na nossa aparência — é uma vantagem evolutiva, e não apenas um acidente. Embora continuemos insistindo em padrões de beleza, a tal simetria e procedimentos estéticos que muitas vezes deixam todos meio parecidos, a diversidade tem sido essencial para nossa evolução. Tudo se resume à nossa complexa vida social. Acredita-se que a parte branca dos nossos olhos possa ser resultado da evolução para nos comunicarmos uns com os outros com um olhar. Desde então, a necessidade humana de compartilhar informações só aumentou, e sabe o que é extremamente útil na hora de espalhar uma notícia? Saber com quem você está falando. “Claramente, reconhecemos as pessoas por muitas características – por exemplo, sua altura ou sua maneira de andar – mas nossas descobertas indicam que o rosto é a principal forma de reconhecimento”, afirmou o autor do estudo e ecologista comportamental Michael J. Sheehan, pesquisador de pós-doutorado no Museu de Zoologia de Vertebrados da UC Berkeley. Os humanos são fenomenalmente bons em reconhecer rostos; existe uma parte do cérebro especializada para isso. "Nosso estudo mostra que os humanos foram selecionados para serem únicos e facilmente reconhecíveis. É claramente benéfico para mim reconhecer os outros, mas também é benéfico para mim ser reconhecível. Caso contrário, todos seríamos mais parecidos.”

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