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Com sinal verde do STF, ministro fala em leilão da Ferrogrão neste ano
Jornal de Brasília

Com sinal verde do STF, ministro fala em leilão da Ferrogrão neste ano

Brasília, 21 - O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 9 a 1, manter a lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim (PA) para comportar os trilhos da Ferrogrão. A implementação da ferrovia ainda está condicionada aos estudos de impacto e licenciamento ambiental. O PSOL, autor da ação, questionava a redução de 862 hectares no perímetro da área protegida. Para a legenda, essa alteração não poderia ter sido feita por medida provisória (MP). O empreendimento está paralisado desde 2021 por decisão do relator, Alexandre de Moraes. Com a decisão, o ministro dos Transportes, George Santoro, disse ontem que a Ferrogrão deverá ser leiloada no segundo semestre de 2026. Ele avaliou que o projeto avançou nas discussões ambientais, teve os estudos atualizados e prevê R$ 1 bilhão em compensações ambientais. O projeto prevê 933 quilômetros que serviriam como corredor de escoamento da produção agrícola, entre Sinop, em Mato Grosso, e o porto de Miritituba, no Pará. A ferrovia - que tem orçamento estimado em R$ 28 bilhões - é defendida pelo agronegócio, que quer reduzir custos com o frete de grãos. Já ambientalistas criticam o projeto sob o argumento de que ela estimulará a ocupação ilegal das terras indígenas, mais desmatamento e emissões de carbono. O relator entendeu que alteração do perímetro do parque não foi irregular, pois só ocorreu após a conversão da MP em lei. Para o ministro, "não há nenhum perigo de dano ambiental iminente" em liberar o andamento do projeto, que ainda está condicionado ao licenciamento ambiental. Ele ainda destacou que 635 km do trajeto passam por área já afetada pela rodovia BR-163. Moraes também destacou que a perda de proteção ambiental representa 0,054% da área original do parque, dos quais 60% já estão sem vegetação devido à rodovia que passa na região. "É algo ínfimo em relação aos benefícios que trará, não só na diminuição da emissão de CO2, diminuição do número de acidentes rodoviários, mas também o progresso da região Centro-Oeste a Norte/Nordeste do País", afirmou ao votar, em outubro. O ministro André Mendonça afirmou que esse entendimento segue um juízo de razoabilidade, já que não haveria um impacto ambiental significativo. "Estudos indicam que o impacto de uma ferrovia é, em termos ambientais, inferior aos impactos de uma rodovia, e se garante uma maior economia no transporte e na logística." Estadão Conteúdo

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