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Exercícios físicos ajudam no lipedema? Especialistas explicam limites e benefícios
Jornal O Globo

Exercícios físicos ajudam no lipedema? Especialistas explicam limites e benefícios

Dor, sensação de peso nas pernas, inchaço persistente e acúmulo de gordura desproporcional da cintura para baixo estão entre os sintomas mais comuns do lipedema, doença crônica que afeta principalmente mulheres e ainda costuma ser confundida com obesidade. Diferentemente do ganho de peso tradicional, porém, a gordura associada à condição não responde da mesma forma a dietas e processos de emagrecimento, o que faz muitas pacientes relatarem frustração mesmo mantendo hábitos considerados saudáveis. Nesse cenário, a prática de exercícios físicos aparece como uma das principais estratégias de controle da doença, embora especialistas alertem que ela, sozinha, não resolve o problema. Lipedema: além de Bárbara Reis, famosas como Paolla Oliveira e Yasmin Brunet ampliam debate sobre diagnóstico Atriz Bárbara Reis fará cirurgia para tratar lipedema; saiba quando o procedimento é indicado Segundo o cirurgião plástico Rafael Erthal, referência no tratamento de lipedema, a atividade física integra um conjunto de medidas necessárias para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pacientes. "A atividade física faz parte dos pilares fundamentais do tratamento. Mas é importante ressaltar que não existe uma abordagem única para o lipedema, e sim um conjunto de medidas que engloba exercícios, dieta personalizada, terapias compressivas e, quando necessário, perda de peso", explica. Entre as práticas mais recomendadas, a musculação costuma ocupar um papel importante por ajudar tanto no fortalecimento muscular quanto na proteção das articulações. "Além de contribuir para a manutenção ou ganho de massa muscular, a musculação também auxilia no fortalecimento e na proteção articular", afirma o médico. O impacto do lipedema sobre os joelhos também preocupa especialistas. De acordo com o ortopedista Marcos Cortelazo, o excesso de gordura característico da doença pode aumentar a pressão sobre a articulação e acelerar processos degenerativos. "A presença de tecido adiposo em excesso na parte interna da coxa pode provocar sobrecarga no joelho, pressionando o compartimento medial da articulação. Esse aumento de pressão acelera a degeneração articular e também pode limitar a amplitude dos movimentos", detalha. Além da musculação, atividades aquáticas como hidroginástica e natação também aparecem entre as mais indicadas para pacientes com lipedema. Isso porque a pressão exercida pela água favorece a drenagem linfática e pode ajudar na sensação de alívio nas pernas. Ainda assim, Rafael destaca que a regularidade costuma ser mais importante do que a intensidade dos treinos. "Costumo dizer que a melhor atividade física é aquela que também traz prazer e consegue ser mantida no longo prazo. Tão importante quanto praticar exercícios é manter a constância. O lipedema não tem cura e o tratamento precisa ser contínuo ao longo da vida", observa. Os especialistas também alertam que, em alguns casos, as medidas conservadoras podem não ser suficientes para controlar a progressão da doença ou aliviar sintomas como dor e limitação de mobilidade. "Mesmo em estágios iniciais, algumas pacientes atingem um limite de evolução apenas com alimentação anti-inflamatória, atividade física, terapias compressivas e drenagem linfática. Isso pode gerar frustração, especialmente em um cenário marcado por subdiagnóstico e tratamentos insuficientes", pontua. Nessas situações, a cirurgia redutora de lipedema pode ser indicada como forma de diminuir o volume da gordura doente e melhorar o controle da condição. Entre as técnicas mais recentes está a chamada Lipedefinition, que associa a retirada do tecido adiposo ao contorno corporal. "É uma cirurgia funcional porque ajuda a reduzir volume e dor ao retirar o máximo possível da gordura comprometida, mas ao mesmo tempo devolve uma forma corporal mais harmônica para a paciente", diz Rafael. Segundo Marcos, a redução do volume de gordura também pode diminuir a sobrecarga sobre os joelhos e ajudar a evitar o agravamento da degeneração articular. Em quadros mais avançados, alguns pacientes podem precisar de artroplastia, procedimento cirúrgico para colocação de prótese no joelho. "Mas, caso a artroplastia seja necessária, o ideal é que ela aconteça apenas após o tratamento do tecido adiposo do lipedema. Caso contrário, os problemas de mobilidade podem persistir e a degeneração da articulação continuar evoluindo", conclui.

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