Jornal O Globo
A polícia de choque boliviana entrou em confronto neste sábado com manifestantes na cidade de Santa Cruz, no leste do país, durante uma operação para desbloquear uma estrada ocupada por agricultores que exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Há mais de um mês, Paz enfrenta protestos, incluindo bloqueios de estradas, de agricultores, mineiros e outros trabalhadores que culpam o líder de centro-direita por não conseguir resolver a crise econômica do país, a pior em quatro décadas. Contexto: Ministros entregam cargos na Bolívia em meio a manifestações que pressionam por renúncia do presidente 'Para os pacientes, oxigênio e comida': Médicos denunciam colapso hospitalar durante marcha contra bloqueios na Bolívia Dezenas de policiais antimotim, apoiados por veículos militares, chegaram cedo a uma estrada na cidade de San Julián e lançaram gás lacrimogêneo para desobstruir a via no centro de Santa Cruz, uma rica região agrícola da Bolívia que abastece o Ocidente com alimentos. Os manifestantes responderam com pedras e paus, queimando pneus, vegetação rasteira e troncos para impedir o avanço do contingente policial, observou um colaborador da agência de notícias AFP. O chefe de polícia de Santa Cruz, coronel David Gómez, informou em uma coletiva de imprensa em uma cidade próxima a San Julián que dois policiais foram feridos por disparos, o que levou à retirada da operação. Ambos estão recebendo tratamento em um hospital. Anteriormente, o Ministro do Desenvolvimento Produtivo, Mario Justiniano, informou que a estrada é estratégica para o escoamento de alimentos e observou que a polícia, na linha de frente da operação, enfrentou forte "resistência" dos manifestantes. A estrada havia sido parcialmente liberada, mas os manifestantes a bloquearam novamente. A operação em San Julián ocorre um dia depois de forças policiais e militares terem desobstruído uma rota vital que liga La Paz às regiões agrícolas do sul. Initial plugin text Pressão pública O presidente, a apenas seis meses no poder, espera que o Parlamento aprove uma lei de estado de emergência para autorizar o destacamento de mais militares a fim de suspender os bloqueios. Quase uma centena de estradas estão bloqueadas, causando grave escassez de alimentos, medicamentos e combustível em La Paz, El Alto e outras cidades. Avaliação do presidente: Rodrigo Paz fala em teste à democracia enquanto protestos por sua renúncia entram na quarta semana O governo boliviano, que recebeu apoio dos Estados Unidos e de países aliados na região, culpa o ex-presidente de esquerda Evo Morales (2006-2019) por promover as manifestações. Morales, que se refugiou em seu reduto de cultivo de coca em Chapare (centro da Bolívia) para evitar um mandado de prisão por suposto tráfico de crianças, disse à AFP que os protestos são uma "rebelião" contra um governo "subserviente" aos Estados Unidos.
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