Jornal O Globo
A Vale, maior produtora global de minério de ferro, não enxerga evidências de redução da demanda por seus minérios relacionada à guerra nos mercados de metais e tem visto margens crescentes à medida que o conflito com o Irã interrompe o fluxo de matérias-primas, afirmou ontem o CEO Gustavo Pimenta. A mineradora brasileira está focando na exploração de seus próprios recursos em vez de buscar aquisições, disse Pimenta em entrevista ao serviço de TV da agência Bloomberg no Rio de Janeiro. A demanda mundial por minerais críticos tem sido “superconstrutiva” para a mineradora brasileira, acrescentou. Entrevista: A aviação continua crescendo mundialmente, e a América do Sul é parte do crescimento', diz CEO da KLM IPO à vista: OpenAI protocola pedido confidencial de oferta inicial de ações enquanto rivais correm para abrir capital As interrupções no Estreito de Ormuz aumentaram os preços dos combustíveis e os custos de frete para mineradoras como a Vale, que viu pressões de custos compensarem os ganhos de preço e produção durante o primeiro trimestre. Canaã dos Carajás, no Pará: Vista aérea do pátio de estocagem do Complexo S11D da mineradora Vale Ricardo Teles / Agência Vale / Divulgação A empresa elevou em US$ 1,5 bilhão a previsão de fluxo de caixa livre para seu principal produto, o minério de ferro, para refletir a alta nos preços da commodity desde o início da guerra com o Irã. A empresa agora espera que o minério tenha um preço médio de US$ 112 por tonelada este ano, acima dos US$ 102 previstos em seu cenário pré-conflito. Aço indiano Pimenta afirmou na entrevista que está “muito otimista” em relação às perspectivas para o ano. Embora a China, um dos principais importadores de minério de ferro do Brasil, provavelmente já tenha atingido seu pico de produção de aço, a Vale prevê que o crescimento da demanda será impulsionado cada vez mais por outras regiões, como o Sudeste Asiático, a Europa e os Estados Unidos. A Índia será um importante motor de crescimento, dobrando sua produção de aço bruto na próxima década, afirmou o CEO. 'Ouro de sangue': Como grupos armados e guerrilhas tomaram controle da mineração na Venezuela A Vale suspendeu as operações de um complexo de pelotização em Omã até o terceiro trimestre, devido a restrições logísticas relacionadas à guerra. As operações da Vale em Omã têm uma capacidade de produção anual de 9 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro, ou aproximadamente 29% da produção total da empresa. Ontem, Pimenta afirmou que a reabertura terá que esperar até que o conflito arrefeça. Apesar da guerra no Oriente Médio, a Vale considera Omã um centro estratégico para abastecer clientes na região, disse ele. Terras-raras A Vale tem estudado se uma incursão no setor de terras-raras faz sentido estratégico para a empresa, incluindo a avaliação de oportunidades no Brasil. O país sul-americano detém as maiores reservas mundiais dos 17 elementos essenciais para a transição energética fora da China. No entanto, Pimenta afirmou que ainda existem dúvidas, principalmente em relação à escala e à capacidade da Vale de competir efetivamente com os produtores internacionais consolidados de terras raras. Por ora, a prioridade da Vale é concentrar-se em áreas onde possui expertise e escala, como cobre e níquel, observou ele.
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