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Falsa advogada: dois casais acusam presa por fraude milionária de golpe em venda e aluguel de apartamento em Copacabana, Zona Sul do Rio | Collector
Falsa advogada: dois casais acusam presa por fraude milionária de golpe em venda e aluguel de apartamento em Copacabana, Zona Sul do Rio

Falsa advogada: dois casais acusam presa por fraude milionária de golpe em venda e aluguel de apartamento em Copacabana, Zona Sul do Rio

“Estamos no lugar certo e na hora certa.” Esse foi o ditado que Paulo e Júlia, nomes fictícios, acreditavam estar vivendo às vésperas do casamento. O casal buscava o primeiro apartamento e conheceu Michele Montenegro por acaso, durante um serviço que Paulo prestou a ela. Mia Montenegro se apresentou como advogada e gestora dos imóveis de sua família e disse ter um apartamento em Copacabana, Zona Sul do Rio, que atendia a todos os desejos do casal. Os recém-casados, viram o sonho se tornar um pesadelo ao perceberam que tinham sido vítimas de um golpe após terem gastado suas economias nas parcelas e obras no imóvel. Da acusação ao perdão: As frases que marcaram o julgamento do caso Henry Movimento de mais de R$ 116 milhões: Operação no Rio e em outros três estados mira esquema de lavagem de dinheiro do CV Michele Montenegro não possui registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), apesar de ser bacharel em Direito.Ela chegou a ter a carteira de estagiária, mas o cadastro está cancelado. A mulher foi presa na semana passada, acusada de se apresentar falsamente como advogada a outras pessoas e de ser mentora de uma fraude milionária envolvendo a venda de obras de arte no Rio. A aquisição do apartamento foi fechada em junho de 2023 por R$ 800 mil, que seriam pagos em parcelas, além de R$ 29 mil pagos como sinal do negócio. Segundo a defesa de Paulo e Júlia, Michele Montenegro se aproveitou da inocência deles e redigiu um contrato que misturava termos de locação e venda, criando uma “aberração jurídica” mas que só beneficiaria a ela própria. Em uma mensagem enviada a eles no dia da assinatura da escritura, Michele escreveu: “O nosso contrato deu trabalho! Muito diferente”. — Ela falava que estava fazendo um negócio como se fosse para os filhos dela. Disse que o apartamento se pagaria se eu o alugasse por temporada, por exemplo. Ainda nos apresentou ao síndico e aos funcionários como os novos proprietários do local — conta Paulo. Com o contrato firmado, o casal decidiu fazer uma obra antes de se mudar para o apartamento. Muitos dos presentes de casamento foram destinados à revitalização do imóvel, como materiais de construção, tintas e móveis. Acreditando que estavam investindo em na casa própria, eles trocaram parte da tubulação e dos pisos, além de instalaram móveis planejados, gastando quase R$ 57 mil na reforma. Alguns meses depois, Paulo e Júlia perceberam que o lugar era maior do que precisavam e decidiram se mudar e aceitar uma das ideias de Michele: alugar o imóvel para ajudar a pagar as prestações mensais. — Ela descobriu que estávamos prestes a alugar o imóvel e começou a nos ameaçar. Dizia que teria de analisar a documentação dos interessados e que nós não tínhamos autonomia para isso — detalha Paulo. Caso Henry: MP recorre do perdão judicial à Monique, alegando que juíza reformulou pergunta ao júri; entenda Antes disso, a própria Michele tentou ajudar ao casal a alugar o apartamento durante o réveillon em Copacabana: “Natal e réveillon, pacote de 10 dias, da para pedir mais” disse ela ao saber os valores anunciados pelo local. “Chama essa menina e veja se alinham pro réveillon. Alinha tudo diretamente você. Para não triangular nenhuma relação sobre a tua casa. Vou indicar tudo que me aparecer para tua avaliação, mas obviamente não vou administrar tua casa. Tuas decisões.”, escreveu Michele à Júlia. Acreditando que o contrato da casa própria era válido, eles alugaram o apartamento de Copacabana para Alice e Gustavo, nomes fictícios. O casal e a filha de 5 anos se mudaram para o imóvel, mas os problemas começaram logo na primeira semana. — A Michele apareceu lá de forma agressiva, tentando expulsar a gente do apartamento. Em tom racista, nos tratou como inferiores e chegou a dizer que tínhamos cara de bandidos. Mas conversamos com o casal que nos alugou o imóvel e vimos que eles tinham o contrato correto — explica Gustavo, ao contar por que decidiram permanecer no local. Gustavo conta que os meses seguintes se tornaram um tormento. Amigos receberam ligações pedindo que transmitissem o recado de que eles precisavam deixar o imóvel, e um homem foi ao prédio afirmando que seria melhor eles saírem por bem ou por mal, já que Michele Montenegro teria “o Comando Vermelho e a polícia nas mãos”. Feminicídio: Filha chama a polícia após ver pai matar a mãe dentro de casa em Duque de Caxias Seis meses depois de se mudarem, eles foram surpreendidos por uma ordem judicial de despejo. Michele Montenegro conseguiu uma liminar alegando que o primeiro casal, Paulo e Júlia, havia sublocado o imóvel para Alice e Gustavo, o que teria ferido o contrato de locação. — Foi traumatizante. Não imaginávamos que isso iria acontecer. Não fazia sentido aquele despejo. Perdemos 80% de nossas coisas, que foram levadas para um depósito judicial, e tivemos de ficar temporariamente na casa de um parente — lembra Gustavo. Advogado dos dois casais, Thiago Pereira afirma que, na verdade, o apartamento nunca pertenceu a Michele. O imóvel está em nome de uma administradora que tem como sócio o tio da mulher, o banqueiro Antonio Carlos de Oliveira Coelho, dono do Banco Vega. Deixou o presídio: Como foi o primeiro dia de liberdade de Monique; defesa diz que mãe de Henry sofre ameaças Como mostrou o blog Segredos do Crime, ela chegou a ser sustentada pelo tio, morou no apartamento de Copacabana e depois se mudou para outra mansão do banqueiro, na Barra da Tijuca. Entretanto, a relação entre os dois se deteriorou, e ela foi expulsa dos imóveis. Michele também frequentava a alta sociedade carioca e é irmã de uma desembargadora e tia de um ex-secretário de Administração Penitenciária do Rio. “Michele se aproximou do casal (Paulo e Júlia) de forma a conquistar sua confiança, apresentando-se como pessoa proba, que seria advogada e proprietária do imóvel negociado. Todavia, a ré não é advogada, tampouco proprietária do imóvel”, escreve o advogado na ação que pede a devolução dos recursos pagos e investidos no apartamento. Ele também ressalta condenações criminais de Mia Montenegro: “Pode-se identificar um padrão comportamental da Michele que vem se reproduzindo por anos a fio, diante da prática das condutas criminosas de estelionato, falsificação de documento público, uso de documento falso e falsidade ideológica”, completa o advogado. O GLOBO não conseguiu contato com a defesa de Michele, que continua presa preventivamente por decisão da Justiça do Rio. Initial plugin text

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