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Nova onda de remakes de novelas e filmes cria 'atalhos emocionais' para o público em meio a excesso de conteúdo | Collector
Nova onda de remakes de novelas e filmes cria 'atalhos emocionais' para o público em meio a excesso de conteúdo

Nova onda de remakes de novelas e filmes cria 'atalhos emocionais' para o público em meio a excesso de conteúdo

Que atire o primeiro celular quem não se sentiu em débito nas últimas 24 horas. Basta rolar o feed de qualquer rede social para lembrar de séries e filmes do momento que ainda não foram vistos, de livros não lidos, de viagens por fazer... A sensação imediata é a culpa — e, em modo automático, a lista de desejos e tarefas só vai aumentando infinitamente. Até que se chega, enfim, a um grande vazio. E nada é realizado. Eis o ciclo sem fim dos “acumuladores de conteúdo”, categoria que parece definir toda e qualquer pessoa no tempo presente. Caso bem-sucedido: No Rio, roteirista de 'La casa de papel' fala do fracasso que precedeu o sucesso da série Lançamentos à vista: TV Globo anuncia novidades e mira 'pluralidade singular' do Brasil de várias telas Os dilemas dessa era de abundância permanente — e as possíveis formas de escapar de tais armadilhas — foram tema de debate no Rio2C. Em vez de discutir a qualidade do que se consome hoje, os participantes voltaram a atenção para uma questão mais fundamental: afinal, o que acontece quando a oferta de informação, entretenimento e conhecimento cresce num ritmo muito superior à capacidade de absorvê-los? — Estamos passando por um momento muito específico da humanidade tanto na produção quanto no consumo, mas, acima de tudo, no acesso aos conteúdos. É como se estivéssemos num interminável fim de semana com os avós — compara o jornalista e comunicador Chico Barney. — Há sempre um open bar de oportunidades ao nosso alcance. Até 20 anos atrás, havia pessoas e empresas que faziam uma curadoria para nós, de um jeito mais direto. Hoje, essa seleção é moldada por tecnologia. Se você gosta de cheeseburger, terá todo tipo de cheeseburger até morrer. É assim que funciona o algoritmo, para ninguém nunca deixar de se deliciar com o seu cheeseburger ou seja lá o que for. Caminhos mais curtos Se a escassez de opções marcou boa parte do século passado, o problema contemporâneo é justamente o oposto. Em meio à avalanche de lançamentos, estímulos e disputas pela atenção, cresce a busca por referências familiares. Nesse contexto turbulento, remakes, reedições, continuações e revivals ganham força não apenas por razões comerciais, mas também por funcionarem como “atalhos emocionais”. A definição vem de Beatriz Carvalho, diretora de desenvolvimento e produção de ficção da Floresta, produtora da Sony Pictures, que participou de uma mesa sobre o tema no Rio2C. Initial plugin text Títulos recentes mostram, não à toa, a força da nostalgia com o público. Alguns exemplos são a novela “Vale tudo” (2025), recriação de Manuela Dias para a TV Globo; a versão brasileira de “Quarto do pânico” (2025), com Isis Valverde, para o suspense homônimo de David Fincher, de 2002; a reedição de “Dona Beja” (2026), com Grazi Massafera, na HBO Max; a transformação do folhetim “A viagem” (1994) num longa-metragem inédito em produção pelos Estúdios Globo; a série inspirada na franquia “Harry Potter”, que começa a ser rodada pela HBO Max neste mês... E por aí vai. — Nostalgia tem mais a ver com o resgate de um sentimento do que com uma volta ao passado — analisa Beatriz. — De fato, esta é uma grande tendência. Num mundo de aceleração constante e imenso consumo de conteúdo, trabalhar com propriedades intelectuais que já existem dá ao público um atalho emocional. A força de tais produções, no entanto, não está necessariamente na promessa de reviver tempos passados. Ao contrário. O fenômeno parece apontar para algo mais complexo: uma conversa permanente entre épocas distintas. — Qualquer releitura de uma novela ou filme sempre traz elementos atuais, mas posiciona o espectador num lugar específico, familiar — afirma o cineasta Maurílio Martins, da produtora Filmes de Plástico. — Toda inovação produz uma ausência. Por isso, sempre olharemos para trás. Veja o caso dos vinis: estão produzindo discos a rodo agora. Initial plugin text

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