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Lesão como a de Neymar também pode ocorrer em atletas adolescentes? Especialistas mostram quais são as mais comuns | Collector
Lesão como a de Neymar também pode ocorrer em atletas adolescentes? Especialistas mostram quais são as mais comuns

Lesão como a de Neymar também pode ocorrer em atletas adolescentes? Especialistas mostram quais são as mais comuns

O Brasil sofreu com a lesão de Neymar — com certeza não tanto quanto ele —, mas os amantes do futebol ficaram preocupados quando o médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, confirmou que o jogador estava com uma lesão de grau 2 na panturrilha direita e que ele precisaria ficar afastado nos gramados por pelos menos três semanas. Mas não é só com grandes jogadores que isso acontece, muito menos apenas com os atletas adultos. Adolescentes que praticam esportes de alto rendimento também estão suscetíveis a sofrerem com as lesões. Segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, as principais são: lesões no joelho, principalmente nos casos de jogadores de futebol, como um rompimento de ligamento ou até por uma rotação do pivô; distensão dos punhos e ombros em jogadores de tênis e fraturas ósseas, independente do esporte. — As lesões que ocorrem nesses atletas vão ser principalmente as de repetição por conta dos movimentos frequentes que eles fazem. Esse impacto repetido vai estressando aquele osso, cartilagem ou ligamento, que ainda está em crescimento e desenvolvimento — afirma o endocrinologista, médico do esporte e sócio do Instituto Nutrindo Ideais, Francisco Tostes. O médico afirma que as lesões ocorrem nesses adolescentes que praticam esporte de alto rendimento em razão da falta de controle de carga. — Quando eles estão com energia e disposição o treinador geralmente eleva o potencial deles, aumenta a carga, treina até o limite. No dia seguinte, ao invés de diminuir a carga ou balancear, ele vai treinar novamente no limite, porque ele é atleta, é jovem, o corpo dele consegue se recuperar fácil para repetir as movimentações com peso maior ou igual e assim repetidamente. Tudo isso forma a tempestade perfeita para que uma lesão aconteça — explica Tostes. O endocrinologista entende que essa repetição é a especialização, porém, afirma que sem esse controle de peso isso acaba se transformando em um estresse muscular que pode levar a uma lesão severa. — Além disso, é preciso levar em conta as condições sociais daquele atleta. Se ele dorme adequadamente, quantas horas de descanso ele tira, como é a alimentação dele, se o corpo está fisicamente apto para grandes cargas, ou ele já chega cansado para o treino por pegar ônibus e metrô. Todos esses fatores aumentam as chances de ter uma lesão — diz. Tipos de lesões Uma lesão muscular acontece quando as fibras musculares sofrem algum tipo de dano. Isso geralmente ocorre devido a esforço físico excessivo, o que pode fazer com que as fibras se estiquem ou contraiam acima da sua capacidade. Os músculos são essenciais para o movimento do corpo, sendo responsáveis por gerar força. Essa situação pode causar bastante dor e limitações nos movimentos. Há três tipos de lesões. A primeira, de grau I, é mais leve, como um pequeno estiramento ou ruptura de algumas fibras musculares com dor leve e mínima perda de força. Segundo o Einstein Hospital Israelita, pode ter inchaço e sensibilidade, mas o movimento ainda é possível, ainda que com algum desconforto. Já o de grau II, o mesmo de Neymar, é considerada moderada, pois a ruptura engloba mais fibras musculares. O paciente pode sentir dor moderada, inchaço, arroxeamento, e uma perda parcial de força e função. O movimento pode ser limitado e doloroso. Por último, a de grau III é considerada grave. Ruptura completa do músculo ou separação do músculo do tendão. Esta lesão causa dor intensa, inchaço significativo, hematomas extensos, e uma perda quase total de função do músculo afetado. Sintomas Os sintomas variam de acordo com a gravidade da lesão. Por isso, é importante procurar atendimento com profissionais de saúde para uma melhor avaliação no caso dos seguintes sinais: Dor e inchaço local Fraqueza muscular Deformidade e hematoma (roxo) local O nutrólogo, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e fundador do Instituto Borghi, Alfio Borghi Neto, explica que o processo de cicatrização de uma lesão divide-se em três fases biológicas contínuas, são elas: a inflamatória, onde ocorre a limpeza e o corpo inicia a resposta para conter o dano; a proliferativa, focada em reconstruir a área danificada, ela pode ir do terceiro dia até a segunda ou terceira semana. E a fase de remodelação ou maturação, ocorre da terceira semana e pode durar meses. Ela tem como objetivo fortalecer o tecido. — Em todas as três fases, o que mais importa para esse adolescente, além é claro do descanso e da fisioterapia que ele deve fazer, é a alimentação. Durante a primeira fase, por exemplo, para uma melhor evolução, ele precisa dar atenção ao zinco, e se alimentar de comidas ricas em vitamina C e A, como por exemplo: cenoura, abóbora, batata-doce, espinafre, couve, brócolis e agrião — explica Borghi Neto. O médico afirma ainda que muitas das lesões sofridas por adolescentes que praticam esporte de alta performance podem ocorrer por falta de alimentação. — Às vezes ele faz um movimento errado porque perdeu o equilíbrio, pode ser por conta de uma fadiga muscular que pode ser consequência da falta de cálcio. O organismo jovem tem uma resposta cicatricial melhor e mais rápida, porém, não podemos esquecer que é um organismo em formação. Se ele não tem uma alimentação adequada, isso pode impactar no tratamento e recuperação do paciente — diz. Os adolescentes se recuperam mais rápido? O fisioterapeuta e fisiologista do exercício Alex Evangelista diz que os atletas adolescentes têm o que ele chama de “fratura do galho verde”, pois é difícil de quebrar. — O osso é capaz de regenerar mais rápido, a célula tronco é mais jovem, os fatores que ajudam na cicatrização são muito mais elevados, o que aumenta o poder de regeneração, então é natural que a recuperação deles seja mais rápido dependendo do tipo de lesão — afirma Evangelista. Tostes lembra também da importância de diagnosticar a lesão de forma rápida e ter acesso ao tratamento, como uma boa fisioterapia. Visto que, quanto mais tempo demorar para tratar ou diagnosticar, maior será a recuperação. — Em condições iguais, o adolescente se recupera mais rápido, mas depende de muitos fatores e o tipo de lesão também — diz. Os especialistas, no entanto, são enfáticos ao dizer que a cirurgia não é mais uma primeira opção e só é utilizada como tal, depois de descartar todas as demais alternativas. — Nós temos hoje o que chamamos de medicina regenerativa, ou seja, que não é invasiva. Quanto menos abrir um corpo, melhor. Um adolescente com o organismo em desenvolvimento, o melhor a se fazer é não ser invasivo. E entramos com um tratamento que chamamos de conservador, ou seja, fisioterapia, compressas de água gelada, quente, antinflamatórios, entre outros — explica Evangelista. O adolescente que, mesmo com o tratamento, não apresentar melhoras, não reduzir a dor ou o inchaço, ou aqueles com lesões maiores e articulares, que não tem outra alternativa são considerados para a cirurgia.

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