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De touca descartável a capacete próprio: passageiros de moto por aplicativo adotam novos hábitos por higiene e segurança | Collector
De touca descartável a capacete próprio: passageiros de moto por aplicativo adotam novos hábitos por higiene e segurança

De touca descartável a capacete próprio: passageiros de moto por aplicativo adotam novos hábitos por higiene e segurança

Para chegar à faculdade e voltar para casa depois das aulas noturnas, a estudante de Direito Gabriele Senise, de 26 anos, recorre diariamente às corridas de moto por aplicativo no Rio. A economia e a rapidez transformaram o serviço em parte da rotina, mas foi uma dermatite no couro cabeludo que a levou a adotar um acessório que hoje considera indispensável: a touca descartável. O hábito reflete uma preocupação cada vez mais comum entre passageiros, que vai além da higiene e envolve as condições dos capacetes oferecidos pelos motociclistas. Em publicações no X, internautas relatam ter adquirido equipamentos próprios para usar nas viagens e se queixam de problemas como viseiras ausentes, forrações desgastadas e tamanhos inadequados. Para entender quais cuidados devem ser adotados, quando um capacete deve ser substituído e quais regras se aplicam ao serviço, O GLOBO ouviu dermatologistas, especialistas em trânsito e a Uber. Preço de carro por aplicativo pode ser diferente para duas pessoas no mesmo lugar? Passageiros questionam Onde deveria ser vendido o Jaé? Enquete do GLOBO mostra onde cariocas querem encontrar o cartão às vésperas do fim do dinheiro nos ônibus — Alguns capacetes fornecidos por motoristas de aplicativo apresentavam mau odor e acabavam deixando o meu cabelo com cheiro ruim. A preocupação aumentou depois que precisei tratar uma dermatite no couro cabeludo por dois meses. Minha dermatologista informou que uma possível causa poderia estar relacionada ao uso de capacetes compartilhados em viagens por aplicativo — disse a jovem. Antes, embora se incomodasse com o estado de alguns capacetes, Gabriele nem sempre lembrava de usar a proteção. — Depois do diagnóstico e do tratamento, passei a utilizar touca descartável em todas as viagens — afirma Gabriele. Segundo a Uber, já foram mais de 30 milhões de pessoas no país andando de moto por aplicativo durante os cinco anos que a empresa oferece o serviço. Os horários de maior demanda no aplicativo por motos ocorrem às 7h, 8h, 17h e 18h, acompanhando justamente os deslocamentos para trabalho e estudo. Capacete próprio Em uma publicação no X, uma usuária contou que costuma levar o próprio capacete ao pedir corridas de moto por aplicativo. Segundo ela, a prática é tão incomum que alguns motociclistas chegam a presumir que ela também pilota motos. A passageira, porém, esclarece que não tem motocicleta e que opta por usar o capacete particular por se sentir mais confortável e segura durante as viagens. O uso do próprio capacete ultrapassa as preocupações com higiene e chegam até às condições dos capacetes disponibilizados em algumas corridas. Entre as queixas mais comuns estão viseiras ausentes ou excessivamente arranhadas, fechos danificados, forrações desgastadas e equipamentos com tamanho inadequado para o usuário. Em alguns casos, o capacete fica folgado e se movimenta durante o trajeto, comprometendo o conforto e até a sensação de segurança. Initial plugin text Danos invisíveis Embora o uso do equipamento seja obrigatório, a proteção depende não apenas da presença do capacete, mas também de sua conservação e do ajuste correto à cabeça de quem o utiliza. Especialista em segurança no trânsito, Rodolfo Rizzotto explica que, por mais que não exista prazo legal obrigatório para a troca dos capacetes, os fabricantes costumam recomendar a substituição entre três e cinco anos após o início do uso. Além da idade do equipamento, impactos anteriores também devem ser considerados. — Qualquer impacto significativo, mesmo sem danos visíveis, já é suficiente para comprometer a estrutura interna de absorção de energia, tornando a substituição imediata a medida mais segura — afirma Rizzotto. Segundo ele, um dos principais problemas é que os danos mais graves nem sempre podem ser identificados a olho nu. Para Rizzotto, o debate ganha importância especial no universo dos aplicativos, onde passageiros frequentemente utilizam equipamentos cujo histórico desconhecem. — O capacete compartilhado representa um risco adicional: histórico de uso desconhecido, ajuste inadequado, higiene comprometida e maior probabilidade de danos ocultos — diz o especialista. Ele ainda observa que poucos usuários verificam itens básicos antes de iniciar uma viagem, como a presença do selo do Inmetro, a integridade da forração interna, o estado da cinta jugular e o ajuste correto à cabeça. Para quem passa horas diárias sobre uma motocicleta, ele considera que a qualidade do equipamento não deve ser encarada como um detalhe. — Para quem usa moto diariamente como instrumento de trabalho, o investimento em um capacete de qualidade deixa de ser uma questão de modelo e passa a ser uma questão de sobrevivência. O local de trabalho é o trânsito. A Uber informou que o uso de capacete é obrigatório em todas as viagens e recomenda a higienização das mãos, da motocicleta e do equipamento. Os usuários podem utilizar tanto o capacete fornecido pelo motociclista quanto um equipamento próprio. O uso de acessórios adicionais, como toucas descartáveis, é opcional. Cuidados com o couro cabeludo Embora especialistas considerem baixo o risco de transmissão de doenças em usos ocasionais, eles afirmam que alguns cuidados são recomendados para quem utiliza o serviço com frequência. A dermatologista Fabiana Bordin explica que capacetes podem funcionar como fômites, ou seja, objetos capazes de transportar agentes causadores de doenças. — Existe risco, principalmente, de infecções fúngicas por dermatófitos. Mas isso depende de muitas variáveis, como a imunidade da pessoa, o tempo de contato e o tipo de fungo envolvido — afirma Bordin. Ela ressalta que doenças inflamatórias comuns do couro cabeludo, como dermatite seborreica, psoríase e algumas formas de alopecia, não são transmissíveis entre pessoas. Segundo a médica, o uso de uma barreira física entre o couro cabeludo e o capacete compartilhado pode ajudar a reduzir os riscos. — O uso de toucas pode diminuir o risco de transmissão porque reduz o contato do couro cabeludo com o capacete. Mas é importante que essa touca seja lavada com frequência, pois o fungo também pode permanecer no tecido — explica a medica. Além da questão sanitária, o acessório também pode ajudar a preservar a aparência dos fios. A dermatologista observa que o atrito do capacete pode deixar os cabelos amassados e aumentar o frizz, mas não provoca danos ao couro cabeludo nem está associado ao surgimento de calvície. Para quem utiliza motos por aplicativo regularmente, ela recomenda ter uma touca própria e mantê-la sempre higienizada. Após o uso de capacetes compartilhados, uma lavagem convencional dos cabelos ao fim do dia costuma ser suficiente. — Não é recomendado usar álcool ou desinfetantes diretamente no couro cabeludo. Esses produtos podem causar irritação, ressecamento e dermatites — alerta Bordin. Esta reportagem foi desenvolvida a partir de uma parceria entre O GLOBO e Uber para o Rio no Radar, uma plataforma que trata de desinformação sobre mobilidade, transporte e urbanismo no Rio de Janeiro.

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