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Grupo do maior primata das Américas será reintroduzido após sete anos de preparação | Collector
Grupo do maior primata das Américas será reintroduzido após sete anos de preparação

Grupo do maior primata das Américas será reintroduzido após sete anos de preparação

Muriqui-do-norte é primata exclusivo da Mata Atlântica Ananda Porto Uma ação inédita de conservação pretende devolver grupos de muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) à vida livre na Mata Atlântica a partir de julho de 2026, em uma área de cerca de 800 hectares em Lima Duarte (MG). Pela primeira vez, grupos da espécie serão reintroduzidos em uma floresta onde os primatas já não existiam mais. Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Considerado o maior primata das Américas, o muriqui-do-norte é uma espécie criticamente ameaçada de extinção e conta com apenas cerca de mil indivíduos vivendo na natureza. Após a soltura, os animais serão acompanhados por colares com tecnologia GPS. Para viabilizar o monitoramento, a equipe lançou a campanha "Do resgate à liberdade: monitorando muriquis", que arrecada recursos para a compra dos colares via satélite. Veja mais notícias do Terra da Gente: Camarão asiático gigante invade áreas protegidas no Brasil Corrida pela tainha: por que o Brasil suspendeu a pesca do peixe mais procurado do inverno? Águas de Lindóia: fontes de 15 mil anos unem relatos de cura e mistério espacial Primeira reintrodução de grupos Os cerca de mil indivíduos remanescentes na natureza estão distribuídos em apenas 12 populações conhecidas na Mata Atlântica. Segundo o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), fundador e conselheiro do Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), Fabiano Rodrigues de Melo, cada ação voltada à proteção da espécie tem um impacto significativo. O fundador e conselheiro do Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), Fabiano Rodrigues de Melo, está à frente da campanha de arrecadação Fabiano Rodrigues de Melo "Estamos falando de aproximadamente mil indivíduos vivendo na natureza. Então qualquer ação de manejo que vise a proteção da espécie, sua perpetuação, reprodução e sobrevivência em seu habitat natural é fundamental", afirma. O pesquisador destaca que a iniciativa possui características inéditas. Até hoje, os esforços de manejo realizados com muriquis envolveram principalmente indivíduos isolados. Desta vez, o projeto prevê a translocação e reintrodução de grupos em uma área onde a espécie já não ocorria mais. Atualmente, o grupo do Muriqui House é composto por sete indivíduos. Priscila Maria Pereira "É uma ação muito importante porque até hoje só fizemos manejo de indivíduos isolados. Nunca tínhamos levado um grupo para ser solto em uma mata que não tinha mais muriquis", explica. Sete anos de preparação Dois grupos participarão da soltura. Um deles é o Muriqui's House, formado por animais resgatados em diferentes regiões e reabilitados ao longo dos últimos anos. O outro é o Grupo Peçanha, composto por indivíduos de uma população isolada e em declínio. A estratégia dos pesquisadores é integrar os animais para aumentar a variabilidade genética e fortalecer as chances de sobrevivência da futura população. Muriqui é considerado 'jardineiro' da floresta por dispersar sementes Ananda Porto Ao longo de quase sete anos, os animais passaram por um intenso trabalho de adaptação e ressocialização. O desafio de fazer um muriqui "voltar a ser muriqui" Para Fabiano, um dos maiores desafios da conservação da espécie é recuperar o comportamento social de animais que passaram anos isolados. "As fêmeas podem passar muitos anos sozinhas em fragmentos florestais isolados. Isso gera um problema social muito grande. Os muriquis são animais extremamente sociáveis, que vivem em grupos com dezenas de indivíduos", explica. Por isso, o processo de ressocialização é considerado uma etapa crítica da reabilitação. Maior primata das Américas, muriqui está ameaçado de extinção. Norton Santos "O maior desafio é fazer um muriqui virar muriqui de novo. Muitas vezes ele precisa dessa reabilitação para recuperar suas habilidades sociais antes de voltar para a natureza", afirma o pesquisador. Veja o que está em alta no g1: Agora no g1 Tecnologia a serviço da conservação Após a soltura, os grupos serão monitorados diariamente por uma equipe formada por pesquisadores, veterinários e biólogos. Os colares GPS serão a principal ferramenta desse acompanhamento. Os equipamentos registram automaticamente a localização dos animais a cada três horas, durante 24 horas por dia, enviando os dados via satélite para a equipe responsável. Ibitipoca abriga o Projeto Muriqui House, ativo desde 2017. Priscila Maria Pereira Os colares possuem bateria com duração aproximada de dois anos e um sistema de desligamento automático, que permite que o equipamento se desprenda ao final da vida útil. Segundo Fabiano, o uso da tecnologia é indispensável para garantir a segurança dos animais. "O colar GPS é crítico porque envia a coordenada exata da localização do animal. E como eles vivem em grupos, onde está o indivíduo com o colar, os demais também estarão próximos", explica. Além dos colares, os pesquisadores utilizarão armadilhas fotográficas e drones equipados com câmeras térmicas para auxiliar no monitoramento. A campanha busca arrecadar recursos para a compra dos colares de monitoramento e oferece diferentes faixas de contribuição para os apoiadores. Embora a área de soltura esteja localizada em uma região com baixa densidade populacional, o envolvimento da sociedade continua sendo importante. Muriqui-do-sul tem a face negra e os pelos do corpo são beges Fabiano Melo/ Arquivo Pessoal Além do apoio financeiro, a equipe também desenvolve ações de educação ambiental e sensibilização junto às comunidades locais. Caso os animais se desloquem para áreas vizinhas, moradores poderão colaborar informando avistamentos à equipe técnica. "Junto com a soltura, fazemos um trabalho de sensibilização e educação ambiental. As pessoas podem ajudar informando a presença dos animais e contribuindo para a proteção deles", destaca Fabiano. Eliot é o filhote de muriqui que representa a esperança para o futuro da espécie João Marcos Rosa Considerado o maior primata das Américas e um dos principais símbolos da Mata Atlântica, o muriqui-do-norte enfrenta um futuro incerto na natureza. Para os pesquisadores, a soltura prevista para 2026 representa a chance de criar uma nova população da espécie e escrever um capítulo inédito em sua conservação. Como ajudar As doações para a campanha "Do resgate à liberdade: monitorando muriquis" podem ser feitas em diferentes valores e serão destinadas à aquisição dos colares de monitoramento que permitirão acompanhar os animais após a soltura. Os interessados podem contribuir por meio do link oficial. A arrecadação segue até 1º de julho de 2026 e a expectativa da equipe é garantir os recursos necessários antes do início da soltura, prevista para ocorrer a partir do mesmo mês, em Boa Vista, dentro do Ibiti Projeto, em Lima Duarte (MG). VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

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