Jornal de Brasília
Neymar fez ontem um exame de ressonância magnética e a CBF distribuiu uma nota que merece entrar para a história da comunicação institucional. Não porque revelou alguma novidade, mas justamente porque conseguiu não revelar absolutamente nada. “O atleta Neymar foi submetido a exame. O exame apontou boa evolução dentro dos parâmetros esperados. Ele seguirá o processo planejado.” Traduzindo: Neymar fez um exame, está se recuperando e continuará se recuperando. Pronto. A fórmula é tão eficiente que poderia ser aplicada a qualquer assunto do planeta, desde a guerra dos EUA no Irã, à delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro: A guerra de Trump “O conflito foi submetido a avaliação nesta segunda-feira. A análise apontou evolução dentro dos parâmetros esperados. As partes seguirão o processo de negociação planejado.” O que isso significa? Ninguém sabe. Mas parece importante. A delação de Vorcaro “O colaborador foi submetido a novo procedimento de colaboração. A avaliação apontou evolução dentro dos parâmetros esperados. O processo seguirá o planejamento estabelecido pelas autoridades competentes.” Traduzindo: ele falou alguma coisa. Talvez. Ou não. E agora vai continuar falando. No caso de Neymar, o torcedor queria saber se ele joga, se não joga, se está perto de voltar, se corre risco de corte ou se a recuperação atrasou. Em vez disso, recebeu uma obra-prima do jornalismo quântico: uma nota que informa e desinforma ao mesmo tempo. Ao final da leitura, o brasileiro sabe exatamente a mesma coisa que sabia antes de começar.
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