Jornal O Globo
Após ter seu visto negado pelas autoridades dos Estados Unidos e ser impedido de participar da Copa do Mundo de 2026, o árbitro Omar Abdulkadir Artan teve suas redes sociais "invadidas" por torcedores de todo o mundo que se sensibilizaram com o juíz. As mensagens, em tom de apoio e suporte, foram enviadas pelos comentários do Instagram. "Toda soliedariedade pra você, triste ver uma injustiça assim", disse um torcedor. "Todos os seres humanos que tem coração ficaram muito triste com seu corte da copa do mundo!", afirmou outro em comentário enviado para Omar. Alguns dos comentários feitos na última postagem do árbitro somali Reprodução/Instagram O próprio árbitro também se manifestou publicamente. Em tom conciliador, agradeceu as mensagens de apoio recebidas da comunidade do futebol e desejou sucesso aos colegas que estarão na competição. — Apesar das circunstâncias, mantenho uma atitude positiva e estou focado nos próximos desafios da minha carreira como árbitro — afirmou. Artan, de 34 anos, faria história ao se tornar o primeiro árbitro somali a atuar em uma Copa do Mundo. Sua convocação para o torneio era vista no país como um símbolo do crescimento do esporte nacional e um marco para o futebol da Somália. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o Ministério da Juventude e dos Esportes informou que trabalha em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores para obter explicações oficiais sobre o episódio. Segundo o governo somali, contatos diplomáticos já foram iniciados com autoridades dos Estados Unidos e com a Fifa para esclarecer as razões que levaram à negativa de entrada do árbitro em território americano. A Fifa confirmou que Artan não participará da competição. Em nota, a entidade ressaltou que não interfere nos procedimentos migratórios dos países anfitriões e afirmou ter sido informada de que a situação do árbitro não será revista neste momento. O caso ganhou repercussão internacional na segunda-feira, quando foi revelado que o juiz havia sido impedido de entrar nos Estados Unidos, um dos três países-sede do Mundial, ao lado de Canadá e México. Para as autoridades somalis, a decisão representa uma perda não apenas para o profissional, mas também para o país. "Omar Artan sempre representou a Somália e o esporte nacional com profissionalismo", destacou o governo no comunicado, acrescentando que sua presença no torneio seria motivo de orgulho para toda a população. Considerado um dos principais árbitros do continente africano, Artan havia sido selecionado para integrar o quadro oficial de arbitragem da FIFA na Copa do Mundo. Sua ausência amplia a lista de impactos provocados pelas restrições migratórias adotadas pelos Estados Unidos às vésperas do torneio.
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