Jornal O Globo
Nesta semana, alguns dos principais programadores do mundo se reunirão na Califórnia para o WWDC, evento anual promovido pela Apple focado nesses profissionais. Neste ano, um estudante de Brasília foi destaque e apresentou seu aplicativo para Tim Cook e John Ternus, respectivamente o atual e o futuro CEO da Apple. Estudante do terceiro ano de ciência da computação na Universidade Católica de Brasília, Marcos Albuquerque, 19, lançou em fevereiro o app Say Cheese!, um jogo que tem como premissa a exploração do mundo por meio das lentes de uma câmera fotográfica. Ele foi criado como um dos projetos de Marcos na Apple Developer Academy, programa global da companhia que incentiva jovens programadores a criarem software para suas plataformas. iOS 27: Apple apresenta novo sistema do iPhone; confira mudanças iPhone 11 escapa da 'aposentadoria': veja lista de aparelhos compatíveis com o iOS 27, novo sistema operacional da Apple — O jogo é sobre a história da minha vida e mostra como a fotografia pode mudar a vida das pessoas. Eu era uma pessoa muito tímida e a fotografia foi um meio para que eu me tornasse uma pessoa mais conectada, que se relaciona melhor com os outros — disse ele ao GLOBO. Say Cheese! chamou a atenção da Apple, que elegeu o trabalho como um dos 50 projetos de destaque no mundo, o que rendeu o convite para visitar o Apple Park nesta semana. Mas o reconhecimento foi além: o estudante foi um dos oito convidados para apresentar o projeto para executivos da empresa. O que ele não imaginava é que isso renderia um encontro com o CEO mais longevo da história da companhia e com o novo comandante, que assume a direção em setembro. A aparição da dupla foi uma surpresa para os jovens programadores, que apresentaram seus trabalhos no domingo (7). Marcos foi o primeiro do dia a mostrar seu aplicativo. — Eu já estava nervoso para a apresentação por conta do inglês. Quando olho para o lado, estavam Tim Cook e John Ternus. Eu estava quase desmaiando, mas eles quebraram o gelo e deu tudo certo. Ao GLOBO, Cook contou o que chamou a atenção no projeto do brasileiro: — Adorei forma como Marcos transformou sua paixão pela fotografia em um aplicativo que ensina as pessoas a registrar o mundo ao seu redor de maneiras criativas. Temos orgulho da forma como a Apple Developer Academy no Brasil ajuda estudantes apaixonados como Marcos a dar vida às suas ideias. E é incrível ver desenvolvedores de todo o Brasil descobrindo o seu talento e à sua criatividade para criar experiências poderosas para usuários em todo o mundo. Marcos, que um dia imagina poder trabalhar na Apple, conta que ouviu palavras de incentivo do atual chefão da companhia: — Ele falou para a gente se dedicar sempre para solucionar problemas do mundo. Tim Cook se despede do comando da Apple em último evento oficial Mais Brasil em destaque Entre os 50 projetos globais da Apple Developer Academy, apenas um outro é brasileiro. Nesta semana, o estudante Antônio Paes, 24, também participou do WWDC por conta do seu aplicativo Juru, que ajuda pessoa com esclerose lateral amiotrófica (ELA) a se comunicar por gestos faciais, que são transformados em texto e voz em um iPad. Estudante de ciência da computação no do CESAR School, em Recife, o pernambucano contou ao GLOBO que uma situação muito próxima envolvendo ELA ajudou a inspirar a criação do app: — O tio de uma amiga atingiu um estágio no qual não tem mais a fala, só os movimentos do rosto. Além disso, no Brasil, é extremamente caro comprar equipamentos especializados e as famílias dependem de um profissional especializado para calibrar esses equipamentos. Paes conta que a sua solução torna a comunicação mais acessível já que ela é compatível com o chip A16 Bionic, presente no iPad mais barato lançado em 2025, e que ainda pode ser encontrado no varejo por valores entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Pelas estimativas dele, aparelhos profissionais que auxiliam na comunicação de portadores de ELA podem ultrapassar R$ 20 mil. — Peguei essa ideia e tentei disponibilizar para a maior quantidade possível de pessoas.
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