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Vulcão Kilauea: sequência de erupções bate recorde que resistia há mais de quatro décadas no Havaí; entenda | Collector
Vulcão Kilauea: sequência de erupções bate recorde que resistia há mais de quatro décadas no Havaí; entenda

Vulcão Kilauea: sequência de erupções bate recorde que resistia há mais de quatro décadas no Havaí; entenda

As fontes de lava que irromperam do Kilauea na manhã de 1º de junho duraram cerca de nove horas, cobriram quase metade da cratera Halemaʻumaʻu e colocaram a erupção atual do vulcão havaiano em um lugar inédito na história registrada do arquipélago. Com o chamado episódio 48, o Kilauea passou a deter o recorde de maior número de episódios de fontes de lava de alta intensidade registrados em uma única erupção intermitente do vulcão. Vulcão Kilauea dá sinais de nova erupção no Havaí e lava volta a emergir da cratera; veja vídeo Copa do Mundo e clima: por que mudar os jogos para a noite não é suficiente para enfrentar o calor extremo A marca foi alcançada após a atividade superar um recorde que resistia desde a década de 1980. Entre 1983 e 1986, a fase inicial da erupção de Puʻuʻōʻō registrou 47 episódios desse tipo, número igualado pelo episódio 47 da erupção atual, em maio. O evento ocorrido em 1º de junho levou a contagem para 48 e colocou a atividade em Halemaʻumaʻu sozinha no topo da série histórica. A ressalva é importante. O recorde não se refere ao maior número de episódios eruptivos já observados no Kilauea. Outras erupções tiveram mais eventos associados a mudanças de ventilação ou de padrão de atividade. O que a atual erupção estabeleceu foi a maior sequência de episódios repetidos de fontes de lava de alta intensidade dentro de uma mesma erupção intermitente. Veja o vídeo: Initial plugin text O ritmo com que a marca foi atingida chama ainda mais atenção dos vulcanólogos. Segundo o Observatório Vulcanológico do Havaí (HVO), ligado ao Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a erupção iniciada em dezembro de 2024 chegou ao 47º episódio em cerca de um ano e meio. A atividade começou a ganhar força ainda em 30 de maio, quando pequenos transbordamentos de lava passaram a ser observados na abertura sul da cratera. Foram 95 eventos precursores ao longo de cerca de 35 horas, antes de a abertura norte assumir o protagonismo da erupção. Às 4h40 da manhã de 1º de junho, no horário local, a fonte principal entrou em atividade. Em pouco mais de uma hora, a coluna de lava atingiu cerca de 200 metros de altura, alimentando uma pluma carregada de cinzas que chegou a aproximadamente 7,6 mil metros acima do nível do mar. O volume de material expelido também foi expressivo. O HVO estima que cerca de 5,6 milhões de metros cúbicos de lava tenham sido lançados durante o episódio, cobrindo aproximadamente 40% do piso da cratera Halemaʻumaʻu. Embora a altura da fonte tenha ficado abaixo dos episódios mais intensos registrados recentemente — alguns superaram os 400 metros — os cientistas destacaram a rapidez com que a erupção atingiu seu pico de emissão. A pluma provocou queda de fragmentos vulcânicos em diferentes áreas do Parque Nacional dos Vulcões do Havaí e em comunidades localizadas a nordeste do cume. Cinzas finas e os chamados "cabelos de Pele", filamentos de vidro vulcânico formados durante as erupções, foram registrados em localidades como Volcano, Mauna Loa Estates e ʻŌhiʻa Estates. A intensidade da nuvem também provocou impactos pontuais na aviação. Relatos de pilotos sobre a presença de cinzas e gases vulcânicos levaram ao cancelamento e ao desvio de alguns voos programados para o aeroporto de Hilo. Segundo o USGS, esse tipo de erupção normalmente não produz nuvens densas o suficiente para afetar o tráfego aéreo comercial, o que tornou o episódio 48 uma exceção. Vulcão Kilauea dá sinais de nova erupção no Havaí e lava volta a emergir da cratera Reprodução/X Após o encerramento abrupto da atividade às 13h37, o observatório reduziu o nível de alerta do vulcão de WATCH para ADVISORY e rebaixou o código de cor para a aviação de laranja para amarelo. A avaliação é que os riscos imediatos diminuíram, embora a agitação subterrânea continue sendo monitorada. Os modelos utilizados pelo USGS indicam que um novo episódio eruptivo é provável dentro das próximas semanas. As projeções mais recentes apontam para uma possível retomada entre os dias 12 e 15 de junho, mantendo o padrão observado desde o fim de 2024, quando o vulcão passou a alternar períodos de inflação do reservatório magmático com episódios curtos e intensos de fontes de lava.

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