Jornal O Globo
O guia nepalês Dowa Sherpa, que sobreviveu sozinho durante seis dias no Everest após ser dado como morto, deixou a unidade de terapia intensiva (UTI), informou sua família nesta terça-feira. Montanhista especializada em resgates morre após cair em fenda durante patrulha no pico mais alto da América do Norte Assista: Alpinista mostra lixo acumulado no Everest e reacende debate sobre superlotação: 'A montanha merece algo melhor' O alpinista, de 57 anos, segue internado em Katmandu, mas apresenta sinais de melhora. Segundo parentes, ele já consegue conversar e se alimentar. — Ele foi transferido da UTI para uma unidade comum e o tratamento continua. Já consegue falar um pouco e se alimentar — declarou à AFP o familiar Nuru Sherpa: — Os médicos estão observando suas mãos e pernas para verificar se há melhora. Guia nepalês que sobreviveu após seis dias desaparecido no Everest deixa UTI e já consegue se alimentar AFP Dowa Sherpa foi encontrado com vida em 4 de junho, enquanto se arrastava em direção ao acampamento-base do Everest. Dias antes, em 29 de maio, ele havia alcançado o cume da montanha mais alta do mundo, com 8.849 metros de altitude, ao lado do britânico Chris Thrall. Guia sobreviveu com chocolates e lanches Vítima de congelamento, desidratação e de uma fratura no fêmur, Dowa Sherpa precisou ser retirado da montanha de helicóptero e levado para tratamento na capital nepalesa. Abandonado à própria sorte em temperaturas abaixo de zero, próximo à chamada "zona da morte" — região onde os níveis de oxigênio são extremamente baixos —, ele afirma ter sobrevivido praticamente sem comida e água. Em entrevista à edição nepalesa da BBC, o guia contou que conseguiu se manter vivo graças a chocolates e pequenos lanches que carregava nos bolsos. Também relatou ter escapado de uma fenda antes de rastejar até o acampamento-base. Caso provoca pedidos de investigação A recuperação do montanhista foi celebrada por colegas e familiares, mas também reacendeu críticas à condução das buscas. — Houve negligência no caso dele — afirmou à AFP Maya Sherpa, presidente da Associação de Alpinistas do Everest: — Uma investigação deve ser aberta para entender o que aconteceu, com o objetivo de evitar que incidentes como esse voltem a ocorrer. A Associação de Montanhismo do Nepal também pediu a criação de uma comissão governamental para apurar as circunstâncias do caso. O desaparecimento de Dowa Sherpa já havia provocado indignação entre parentes, que questionaram a demora das equipes de resgate em localizá-lo. Nesta temporada, ao menos cinco alpinistas — dois indianos e três nepaleses — morreram durante expedições ao Everest. Segundo números preliminares do governo do Nepal, mais de mil montanhistas alcançaram o cume neste ano, tornando esta a temporada mais movimentada já registrada na montanha.
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