Jornal O Globo
Atual chefe do Executivo de Minas Gerais após a saída de Romeu Zema (Novo), o governador Mateus Simões (PSD) afirmou que seria melhor para ele, na disputa pela reeleição, que o antecessor não fosse candidato à Presidência da República. Simões defendeu que a presença de Zema na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, como vice, teria maior impacto positivo para sua candidatura no estado. Eleição: PT tenta conter crise com PSB após João Campos reagir à defesa de palanque duplo para Lula Em carta a evangélicos: PT se esquiva de temas da pauta de costumes e busca reforçar projetos de Lula para segmento — Seria muito mais conveniente para mim que o Zema não fosse candidato (ao Planalto) ou que fosse candidato a vice de Flávio (Bolsonaro) — afirmou Simões em entrevista ao jornal O Tempo na segunda-feira. Simões assumiu a cadeira de governador em março após a renúncia de Zema, que é pré-candidato ao Planalto e vem reafirmando publicamente que não deixará a disputa. Desde então, o atual chefe do Executivo mineiro tem apresentado dificuldade de emplacar nas pesquisas de intenção de voto. Na rodada mais recente da pesquisa Genial/Quaest, Simões aparece, numericamente, na quarta colocação, com 4% das intenções de voto. O levantamento mostra na liderança em todos os cenários de primeiro e segundo turno um político que sequer confirma se será candidato: o senador Cleitinho (Republicanos). Ele é seguido pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). Ben Mendes (Missão), por sua vez, aparece numericamente empatado com Simões. — Seria ótimo para mim se ele (Zema) e Flávio compusessem. Para Minas Gerais, a eleição estaria resolvida. Nós não teríamos nem segundo turno. Mas eu não posso fazer um movimento desse — disse Simões na entrevista. O governador ressaltou que não poderia, entretanto, pedir que Zema desistisse da candidatura ao Planalto, porque estaria subvertendo um nome que foi “leal” a ele. — Eu jamais poderia pedir isso para ele, por dois motivos. Primeiro, porque eu estaria subvertendo quem foi leal comigo, ou seja, eu estaria colocando meu interesse à frente daquele que foi quem me convidou para vir para o governo, que foi quem me convidou para ser vice-governador e me escolheu para ser sucessor. No passado, Zema chegou a ser cotado por integrantes do PL como um possível vice para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a relação dele com o bolsonarismo se deteriorou nas últimas semanas. Os atritos tiveram início após as críticas proferidas por ele contra Flávio depois da revelação dos áudios enviados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O embate também chegou aos irmãos do senador pelas redes sociais. Em resposta a um comentário feito por Zema, quando ele disse que quem votará no senador para a Presidência estará entregando a eleição para a esquerda, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) escreveu em um post no X que "está para conhecer sujeito mais baixo que esse". "Tentamos e, na primeira oportunidade, vem mais uma facada! E não me venham falar que isto é pontual, pois não é", rebateu Carlos. "Este sujeito está cada dia fazendo a chance de seu partido se desintegrar de forma brutal. E os que o apoiam de forma velada ou se mantêm inertes, se mostram cada vez de forma mais cristalina o que pretendem fazer com o país", completou. Já o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se referiu ao ex-governador como "papel higiênico da esquerda" em uma publicação também pela rede social. Aliança na direita Na semana passada, Zema disse que não descarta a possibilidade de construir uma aliança com Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, para viabilizar uma candidatura de direita para além da de Flávio. A declaração foi proferida durante a participação dele em um evento com investidores em São Paulo, na sequência das críticas proferidas pelo ex-mandatário mineiro ao parlamentar pela relação revelada com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na ocasião, Zema disse que as conversas sobre as composições serão deixadas mais para frente, mencionando o prazo final, fixado pela Justiça Eleitoral para o dia 15 de agosto, para o registro de candidaturas e das chapas. O mineiro frisou também que o cenário também poderá mudar até lá, mas disse que manterá a campanha até o final. — Eu gosto dele (Caiado). No meu governo, criamos um consórcio, com sete governadores, e me dei muito bem com todos, inclusive com o Tarcísio. Goiás e Minas são quase estados gêmeos, com uma semelhança muito grande — afirmou. Na última rodada da pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, o ex-governador mineiro contabilizou 3% das intenções de voto e Caiado teve 4%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 40% e Flávio registrou 31%.
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