Jornal O Globo
O pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, minimizou as declarações do atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), para que ele fizesse uma composição com Flávio Bolsonaro (PL) e não se candidatasse diretamente à eleição. Para Zena, a declaração de Simões é uma "mera conjugação, uma mera ideia". Zema disse que o mundo perfeito sempre existe na cabeça das pessoas e que, para ele, o mundo perfeito seria ser candidato único. — Recebo as declarações (de Simões) com muita naturalidade. Quem acompanhou a fala toda sabe que isso é uma mera conjugação, uma mera ideia. O mundo perfeito sempre existe nas nossas cabeças e pra mim o mundo perfeito seria ser candidato único também, então isso pra mim não afeta em nada, continuo dando o meu total apoio a ele. PSD e Novo em Minas Gerais estão caminhando lado a lado — declarou Zema, que participou de evento em São Paulo realizado pelo Instituto Diálagos, criado pela senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para discutir o cenário geopolítico atual. Sobre o contexto geopolítico, Zema disse que o Brasil tem se aproximado cada vez mais da China e se distanciado do Ocidente. Ele atribuiu esse posicionamento à atuação do Itamaraty na gestão do presidente Lula. Para o pré-candidato, o governo Lula vem "questionando os Estados Unidos e cria uma dependência perigosa da China". — Nós estamos vendo, há muito tempo, um Brasil cada vez mais próximo da China e mais distante do Ocidente. E o tarifaço está dentro desse contexto. O Itamaraty tem atuado principalmente desde que o PT assumiu o país há 22 anos na direção de questionar Estados Unidos e de se distanciar de países do Ocidente numa clara aproximação à China. A China é importantíssima, todo parceiro comercial precisa ser muito bem tratado, mas o Brasil está criando uma dependência perigosa com a China — afirmou. Para Zema, se a China começar a reduzir a importação de alguns produtos brasileiros, o país vai enfrentar dificuldades muito grandes. Oriundo do varejo, Zema disse que sua estratégia no ramo sempre foi não concentração em nenhum cliente. — A partir do momento em que você depende de um cliente você fica vulnerável e me parece que o PT escolheu essa opção — declarou. Zema acredita que o novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil teve influência do governo Lula e do PT, que têm afrontado os Estados Unidos. Ele afirmou que como a família Bolsonaro é muito próximo do Trump, que ajudem a resolver essa questão. Sobre a possível adoção da lei de reciprocidade pelo Brasil em relação aos EUA, Zema disse que a medida deve ser vista com cautela. — Quando você fala: eu vou fazer com você o que você está fazendo comigo, talvez o tiro saia pela culatra. No caso dos vistos, claramente se prejudica o turismo, a rede hoteleira sofre, o brasileiro como um todo sofre porque acaba recebendo menos turistas aqui. E com as questões comerciais, isso tem que ser visto também. Às vezes na hora que você aplicar mesmo a lei quem vai pagar é o brasileiro que vai pagar mais caro por produtos que vêm desses países. Então é algo que deve ser sempre colocado sobre a mesa, mas não de maneira automática. É preciso ponderar e calibrar muito bem isso — disse.
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