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Desempenho do PT nas 200 maiores cidades, com metade do eleitorado do país, preocupa campanha de Lula | Collector
Desempenho do PT nas 200 maiores cidades, com metade do eleitorado do país, preocupa campanha de Lula

Desempenho do PT nas 200 maiores cidades, com metade do eleitorado do país, preocupa campanha de Lula

O desempenho nas 200 maiores cidades do país, que concentram cerca de metade do eleitorado, se transformou em motivo de preocupação para a pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados de votação mostram uma queda ao longo dos anos nesse grupo de municípios, e o temor é que o desgaste na popularidade do chefe do Executivo acentue o processo. Os cálculos sobre os aptos a votar na disputa de outubro ainda não foram finalizados pela Justiça Eleitoral, mas em 2024 essas cidades tinham 47,9% dos eleitores. O retrospecto das últimas disputas mostra que o PT vem perdendo força. Em 2012, o partido elegeu 37 prefeitos nos 200 maiores municípios do país. Quatro anos depois, atingido pela Lava-Jato, a sigla venceu em apenas nove, sendo que apenas uma era capital (Rio Branco). As investigações sobre irregularidades da Petrobras, iniciadas em 2014 e que se estenderam pelos anos seguintes, levaram para a cadeia dirigentes e lideranças da sigla. Foram presos, entre outros, os ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e o próprio Lula. Em 2020, o PT elegeu novamente nove prefeitos nos maiores municípios, mas com a diferença que, pela primeira vez desde 1985, não venceu em nenhuma capital. Em 2024, foram oito chefes do Executivo, um em capital (Fortaleza). Número de prefeitos eleitos do PT nas maiores cidades do país caiu Editoria de Arte Nas últimas três disputas presidenciais, os candidatos petistas também foram derrotados no segundo turno na soma dos votos obtidos nesse grupo de 200 cidades. Em 2022, Lula teve 47,2% dos votos válidos contra Jair Bolsonaro. Quatro anos antes, Fernando Haddad havia conquistado 38% também contra Bolsonaro. Em 2014, quando o oponente era Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff obteve 46,8%. O cientista político Carlos Melo, professor do Insper, entende que o PT se distanciou, ao longo dos anos, da nova realidade vivida pela população nas grandes cidades em razão das mudanças econômicas e sociais. Ele avalia que esse distanciamento se soma ao desgaste provocado pelos escândalos de corrupção que fomentaram o antipetismo, que tiveram mais impacto na população desses municípios. "Fadiga" com o PT — O mundo mudou, e o PT não. É um partido com uma cultura da sociedade industrial, com os sindicatos, as escolas organizadas, os movimentos sociais. Há uma fadiga do material. Tem cidades, por exemplo, que têm uma interface muito grande com o agro. Qual o discurso do PT para esse setor? Tem um mundo novo acontecendo nessas cidades e um discurso velho, da política em geral, mas do PT em especial — analisa Melo. Na eleição presidencial de 2022, Lula conseguiu recuperar terreno em algumas grandes cidades em comparação com o desempenho de Haddad quatro anos antes. O atual presidente venceu, por exemplo, em São Paulo, município mais populoso do país, com 53,54% dos votos válidos no segundo turno contra Bolsonaro. Em 2018, o ex-mandatário havia tido 60,38% dos votos na capital paulista contra 39,62% de Haddad. Em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista onde Lula iniciou sua carreira política nos anos 1970 como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, também houve mudança de cenário de uma eleição para outra. Lula bateu Bolsonaro com 53,83% dos votos válidos. Quatro anos antes, Haddad havia perdido na cidade, que é berço do PT, com Bolsonaro conquistando 59,57% dos votos válidos. Mas na vizinha Santo André, também no ABC, Lula não conseguiu em 2022 reverter o quadro favorável a Bolsonaro. O então candidato do PL teve 52,13% dos votos válidos no segundo turno. Em 2018, o ex-presidente havia obtido 66,84% dos votos válidos contra Haddad na cidade. Ex-prefeito não conseguiu se eleger vereador No passado, o PT já teve presença forte em Santo André. O partido venceu cinco eleições para prefeito na cidade. Três das vitórias foram obtidas por Celso Daniel, que foi assassinado em 2002, quando era o coordenador do programa de governo da campanha presidencial de Lula. Depois de sua morte, seu posto ficou com Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto que seria escolhido para comandar o Ministério da Fazenda a partir de 2003. O último prefeito petista de Santo André foi Carlos Grana, eleito em 2012. Em 2016, ele tentou a reeleição, mas foi derrotado no segundo turno para o tucano Paulo Serra por 78,21% a 21,79%. Ex-metalúrgico, assim como Lula, Grana, que hoje é assessor no Ministério do Trabalho, acredita que a cidade se transformou ao longo dos anos e isso afastou o eleitorado local do PT. — Santo André deixou de ser industrial e passou a ser uma cidade de comércio e serviços. Houve uma mudança do perfil econômico e social. E o PT tem dificuldade de penetrar nessas camadas mais desorganizadas de trabalhadores, com um caráter mais transitório. O trabalho em fábrica é mais consistente, a pessoa passa anos no mesmo emprego. Para se ter uma ideia da mudança, nós temos uma avenida na cidade chamada Industrial, que hoje não tem mais nenhuma indústria. Só tem shopping e residência — avalia o ex-prefeito petista, que em 2020 tentou se eleger vereador no município e não conseguiu. Na cidade baiana de Teixeira de Freitas, que também foi governada pelo PT no passado, Lula venceu em 2022, mas por uma margem apertada de votos (50,36% a 49,64%), muito inferior à média do estado. Na Bahia, Lula teve 72,12% dos votos válidos contra Bolsonaro no segundo turno. O município atualmente é comandado por um prefeito do União Brasil, Marcelo Belitardo. O petista João Bosco Bitetencourt governou a cidade de 2013 a 2016. A preocupação do PT com o desempenho de Lula nas 200 maiores cidades do país ficou explícita com a decisão do presidente da legenda, Edinho Silva, que será o coordenador da campanha presidencial, de realizar uma reunião virtual no com os dirigentes dos diretórios desses municípios. O plano é ter porta-vozes locais de Lula nas redes sociais e buscar mobilizar eleitores ainda durante a pré-campanha. Quando a campanha propriamente começar, o atual presidente deve concentrar suas agendas nessas cidades para reverter o quadro visto hoje como desfavorável.

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