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Vacina da dengue: a história do 1º imunizante contra o vírus, de 2015, que foi descontinuado após aumentar o risco de doença grave | Collector
Vacina da dengue: a história do 1º imunizante contra o vírus, de 2015, que foi descontinuado após aumentar o risco de doença grave

Vacina da dengue: a história do 1º imunizante contra o vírus, de 2015, que foi descontinuado após aumentar o risco de doença grave

A luta contra a dengue no Brasil e no mundo ganhou um novo capítulo em 2024 com o início da primeira campanha de vacinação em massa contra a doença após a incorporação do imunizante Qdenga, da fabricante Takeda, no Sistema Único de Saúde (SUS). Neste ano, a campanha passou a incluir também a dose única do Instituto Butantan, que foi suspensa temporariamente nesta segunda-feira após relatos de 42 reações adversas, incluindo dois óbitos, possivelmente ligados à vacina. Vida Boa: Café influencia na saúde do coração? Médica responde em vídeo Vacina contra a dengue do Butantan suspensa: Em 10 pontos, entenda o que se sabe sobre a paralisação No entanto, ainda que tenham sido pioneiras numa campanha de vacinação a nível nacional, a Qdenga e a dose do Butantan não foram as primeiras vacinas aprovadas contra a dengue no Brasil e no mundo. Em dezembro de 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o sinal verde para a Dengvaxia, da farmacêutica Sanofi, que chegou a ser ofertada na rede privada e aplicada na rede pública do Paraná, mas que não foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Depois da comercialização, porém, estudos de longo prazo identificaram que a dose poderia aumentar o risco de dengue grave entre pessoas que não tinham histórico de infecção pelo vírus da dengue antes da vacinação. As autoridades restringiram a indicação do imunizante e, no ano passado, a Sanofi anunciou que ele foi descontinuado definitivamente devido à baixa demanda. Relembre o caso Em dezembro de 2015, diversos países como México, Brasil e Filipinas aprovaram a primeira vacina contra a dengue do mundo: a Dengvaxia, da Sanofi, para pessoas de 9 a 45 anos. Aplicada em três doses, com seis meses de intervalo entre elas, a proteção reduziu em 65,6% os casos de dengue e em 80,8% as hospitalizações durante os estudos clínicos. Os dados de eficácia e segurança dos testes foram analisados pelas agências reguladoras antes de elas concederem o aval. Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a recomendar que países com elevada transmissão de dengue considerassem a introdução da vacina como parte das estratégias de prevenção contra a doença, e as Filipinas incluíram a dose na campanha nacional de imunização. Em agosto daquele ano, o governo do Paraná também decidiu iniciar uma campanha pública de vacinação de forma independente do PNI e das recomendações do Ministério da Saúde. No entanto, em 2017, análises posteriores dos dados de estudos clínicos a longo prazo indicaram uma eficácia significativamente menor entre pessoas vacinadas que não haviam tido dengue antes de receberem o imunizante, pouco acima dos 50%. Além disso, identificou que, para esse grupo, a vacinação poderia aumentar o risco de uma doença grave caso a pessoa fosse contaminada com o vírus após receber as doses. Isso porque uma segunda infecção pelo vírus da dengue costuma ser mais grave, e pesquisadores à época sugeriram que o imunizante poderia atuar como uma espécie de primeira infecção. No fim daquele ano, a OMS e a Anvisa disseram que a Dengvaxia não deveria mais ser aplicada em quem não tinha histórico de dengue confirmado laboratorialmente, ou seja, restringiu a sua recomendação somente para pessoas que tivessem uma contaminação prévia. Segundo a OMS, estudos da própria Sanofi identificaram um risco dobrado de dengue grave e hospitalização entre pessoas vacinadas que não tivessem infecção prévia em comparação com os não vacinados. Esse aumento do risco foi traduzido em 5 casos de hospitalização para cada 1.000 pessoas vacinadas que não tivessem histórico de dengue ao longo de cinco anos, e 2 casos de dengue clinicamente grave para cada 1.000 imunizados. Em 2018, a Anvisa determinou que a Sanofi atualizasse a bula da vacina no Brasil para incluir a restrição. Já as Filipinas decidiram encerrar a campanha nacional de vacinação e suspender por completo o registro do imunizante. Além disso, aplicou uma multa simbólica no valor de aproximadamente R$ 6,5 mil na época para a farmacêutica. Apesar do uso restrito, a vacina é eficaz e segura entre pessoas com histórico de dengue. Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health - Americas encontrou um risco 71% menor da doença entre pessoas imunizadas que tinham infecção prévia no Paraná. Ainda assim, os entraves logísticos associados à necessidade de testagem para avaliar se o indivíduo já teve dengue dificultaram o seu uso. Em meio a esse cenário, no ano passado, a Sanofi anunciou a descontinuidade definitiva da Dengvaxia. Em nota, negou que a motivação fosse atrelada “a questões de qualidade, segurança ou eficácia da vacina” e disse que “a decisão se deve à baixa demanda do mercado”.

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