Jornal O Globo
A investigação que levou à prisão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), nesta terça-feira (9), teve origem em agosto de 2025, durante o cumprimento de mandados de busca e prisão contra um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o promotor de Justiça Marcos Tadeu Rioli, do MP-SP, o traficante afirmou que ele havia recebido, dois dias antes da prisão, uma mensagem exigindo o pagamento de R$ 500 mil para que seu caso não fosse encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MP-SP. A cobrança foi feita por WhatsApp, por meio de mensagens de visualização única. Embora o traficante tenha acabado preso, denunciado por tráfico de drogas e associação com o tráfico, a denúncia de extorsão levou o MP-SP a abrir uma investigação paralela para identificar quem havia tentado obter a vantagem financeira. As prisões desta manhã se baseiam na Operação Infiltrados, que aponta que os três suspeitos estariam envolvidos num plano para matar um promotor do Gaeco e num esquema de extorsão de investigados. Um dos presos é um ex-estagiário do MP-SP que atuava em uma promotoria de Campinas. De acordo com o Gaeco, ele era bacharel em direito e não integrava a equipe do grupo especializado, nem tinha acesso direto às investigações da operação que resultou na prisão do traficante. Ainda assim, possuía acesso a inquéritos policiais em tramitação na promotoria onde trabalhava. Segundo os investigadores, o estagiário teria utilizado esse acesso, somado a informações obtidas por meio de sistemas restritos, para levantar dados sobre o alvo. Como mostrou a investigação, ele contou com a colaboração de um ex-policial penal, afastado da corporação por denúncia de extorsão, e de um policial civil que teriam fornecido consultas privilegiadas em bancos de dados oficiais. Com essas informações, o grupo identificou que o investigado possuía “elevado poder aquisitivo”. O promotor afirmou ainda que a mensagem enviada ao traficante continha inclusive trechos de relatórios policiais. A expectativa do Gaeco é concluir essa fase da apuração durante o período das prisões temporárias, inicialmente fixadas em cinco dias e passíveis de prorrogação por mais cinco. Para eles, a análise do material apreendido poderá revelar novos envolvidos.
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