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Filha de Maradona chora em julgamento que apura morte do pai e ouve mensagens do médico: 'Gorda idiota e ingrata' | Collector
Filha de Maradona chora em julgamento que apura morte do pai e ouve mensagens do médico: 'Gorda idiota e ingrata'

Filha de Maradona chora em julgamento que apura morte do pai e ouve mensagens do médico: 'Gorda idiota e ingrata'

Dalma Maradona Villafañe, a filha mais velha de Diego Armando Maradona, prestou depoimento diante do Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro, nesta terça-feira (9), no julgamento que apura possíveis responsabilidades criminais pela morte do ídolo argentino. Suas irmãs, Gianinna e Jana, já haviam testemunhado. Dalma responsabilizou a equipe médica que cuidava de seu pai — formada, segundo ela, pelo neurocirurgião Leopoldo Luque, pela psiquiatra Agustina Cosachov e pelo psicólogo Carlos Díaz, três dos sete réus do processo — além da empresa de assistência médica Swiss Medical. O momento mais emocionante do depoimento ocorreu quando ela relembrou o instante em que viu o corpo do pai, em 25 de novembro de 2020. Muito abalada, não conseguiu conter as lágrimas. “Quando cheguei à casa de Tigre, meu pai já tinha falecido. Entrei no quarto, o vi coberto por um lençol até a altura do peito. Ele estava muito inchado, no corpo inteiro, no rosto... Cheguei perto e segurei suas mãos. Não entendia o que tinha acontecido”, afirmou, chorando, diante dos juízes. Antes disso, Dalma falou sobre a decisão tomada após a cirurgia para retirada de um hematoma subdural, realizada em 3 de novembro de 2020 na Clínica Olivos. “Fizeram-nos acreditar que a internação domiciliar era a única opção possível”, declarou. Segundo ela, nos dias 9 e 10 de novembro de 2020 ocorreram duas reuniões para definir os próximos passos após o sucesso da operação. Foram apresentadas três alternativas: transferência para uma clínica contra a vontade de Maradona, encaminhamento para um centro de reabilitação com o consentimento dele ou a internação domiciliar. “Luque nos apresentou a internação domiciliar como a única alternativa viável, porque meu pai não aceitaria ficar internado em outra clínica e obrigá-lo seria complicado”, afirmou. Dalma disse que acreditou que uma “internação domiciliar séria” seria a melhor solução. Durante o depoimento, repetiu diversas vezes a palavra “séria”. “Acreditávamos que era a melhor opção. Fizeram-nos acreditar que era a única. Mas depois percebemos que não havia ambulância, que os acompanhantes terapêuticos tinham sido dispensados”, declarou. Questionada sobre quem considerava responsável por isso, respondeu: “Luque, Cosachov, Díaz e a Swiss Medical”. “Todos garantiam que seria uma internação domiciliar séria, com equipamentos, enfermeiros, acompanhantes terapêuticos e uma ambulância 24 horas na porta. Achávamos que era o melhor, mas depois vimos que não era assim”, afirmou. Segundo Dalma, o primeiro sinal de alerta surgiu quando Maradona passou mal após comer camarões com alho e brócolis. Na ocasião, Nancy Forlini, coordenadora médica da Swiss Medical e também ré no processo, enviou uma mensagem à irmã Gianinna avisando sobre o mal-estar. “Foi aí que percebemos que ninguém estava assumindo a responsabilidade pela situação”, disse. Ela argumentou que, havendo uma equipe médica e enfermeiros responsáveis pelo paciente, não fazia sentido que as filhas fossem avisadas sobre o primeiro problema de saúde. Dalma também relembrou uma conversa com Luque. “Eu disse a ele: ‘Se meu pai é um paciente difícil, você pode se afastar e deixar outro profissional assumir’”, contou. Segundo ela, o neurocirurgião decidiu permanecer no caso. “Quem dera que tivesse se afastado”, afirmou aos juízes. Mais tarde, respondendo a perguntas do advogado Fernando Burlando, Dalma disse que nem a equipe médica nem os profissionais da Clínica Olivos explicaram os riscos da internação domiciliar. Sua resposta foi direta: “Não”. A pedido de Burlando, foram reproduzidas mensagens de áudio de WhatsApp nas quais Luque se referia a Dalma como “uma gorda idiota e ingrata”. A filha de Maradona classificou o médico como alguém “deslumbrado pela fama”, mais interessado em aparecer em fotos do que em exercer adequadamente sua função. Antes do início das perguntas da defesa, Dalma voltou a chorar. Questionada sobre como sua vida mudou após a morte do pai, respondeu: “Não existe um dia em que eu não sinta falta do meu pai. Ele me faz falta.”

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