Jornal de Brasília
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta terça-feira (9), a Operação Interface contra uma organização suspeita de praticar estelionato eletrônico na modalidade conhecida como golpe do “falso executivo”. A ação contou com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e teve caráter interestadual. Ao todo, foram cumpridas 87 medidas cautelares nos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Norte, incluindo 60 mandados de busca e apreensão, 27 mandados de prisão e ordens judiciais de bloqueio de dezenas de contas bancárias usadas pelo grupo. A operação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com apoio operacional das polícias civis dos dois estados. As investigações apontam que o esquema causou prejuízo de aproximadamente R$ 200 mil a uma empresa do setor industrial do Rio Grande do Sul. Segundo a apuração, os criminosos usavam técnicas de engenharia social para criar perfis falsos em aplicativos de mensagens, com fotos, nomes e informações públicas de executivos das empresas-alvo, e assim convencer funcionários de setores financeiros a fazer transferências bancárias sob a alegação de demandas urgentes e sigilosas. De acordo com a investigação, o golpe era executado a partir da região de Cuiabá (MT), e os valores obtidos eram rapidamente distribuídos para contas de terceiros em diferentes estados, em uma estratégia de pulverização financeira para dificultar o rastreamento dos recursos. A polícia identificou ainda uma estrutura hierárquica organizada, com articuladores e executores responsáveis pelo planejamento e contato com as vítimas, gerentes encarregados da movimentação financeira, além de “tripeiros”, que recrutavam contas bancárias mediante comissão, e “conteiros”, que cediam suas contas para receber os valores. Os investigados deverão responder por estelionato qualificado por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas máximas previstas para os crimes podem ultrapassar 26 anos de reclusão. Segundo o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, Anchieta Nery, a integração entre as forças de segurança é fundamental para enfrentar organizações criminosas que atuam no ambiente digital. Já a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, afirmou que o golpe envolve estudo prévio da estrutura das empresas e uso de informações públicas para criar perfis falsos convincentes. O nome da operação faz referência às interfaces digitais dos aplicativos de mensagens, usadas pelos investigados para simular a identidade de executivos e estabelecer uma falsa relação de confiança com funcionários das empresas-alvo. *Com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública
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