Jornal O Globo
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou em reunião desta terça-feira a homologação do leilão de reserva de energia feito pelo governo federal em março deste ano. Diretores da autarquia sustentaram que não há impedimento para a deliberação, pois a decisão judicial que suspendeu os resultados do certame ontem já foi cumprida. A Aneel já havia homologado uma parte do leilão, mas a maioria dos resultados foram confirmados na reunião desta terça, que aprovou a entrada de operação de usinas em 2027, 2028, 2029, 2030 e 2031. O certame enfrentou disputa judicial desde 2025, e neste ano contratou o maior volume de potência da história do setor. Ontem, a Justiça Federal do Ceará determinou a suspensão do resultado do leilão até que o caso fosse apreciado pela Justiça do Distrito Federal. A Procuradoria Regional Federal da 5ª Região, no entanto, afirmou em ofício enviado à Aneel que "a condição apontada na decisão do Juízo do Ceará já foi implementada" porque a Justiça do DF já havia decidido manter o leilão. Dessa forma, a interpretação jurídica é de que a determinação já foi cumprida. O leilão era esperado pelo setor há três anos e chegou a ser previsto para ocorrer em 2025. Atualmente, o resultado é questionado na Justiça Federal e no Tribunal de Contas da União (TCU). O principal questionamento é em relação à alteração do preço-teto de contratação das usinas. Diferentemente de um leilão tradicional, em que se compra o volume de energia, esse tipo de concorrência trata da disponibilidade de potência.O sistema paga para que a usina tenha capacidade de fornecer energia rapidamente ao ser acionada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Especialistas argumentam que o leilão era necessário para garantir a segurança do sistema elétrico nacional. Mas, desde a sua realização, ele já foi alvo de questionamento no Tribunal de Contas da União (TCU) , na Justiça Federal, no Ministério Público Federal (MPF) e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão que regula a concorrência no país. O que pesa para o consumidor Nos cálculos da consultoria TR Soluções, a contratação das usinas deve custar R$ 48 bilhões de custo anual para a conta de luz dos consumidores a partir de 2032. Segundo a estimativa da consultoria, isso significa que o país contratou um aumento já certo em seis anos, de 7,5% na conta de luz do consumidor residencial. Os efeitos devem ser mais fortes a partir de 2029, quando a maioria das usinas entrará em operação. No entanto, já será possível verificar aumento médio de 0,4% na conta de luz este ano, afirma o diretor de Regulação da TR Soluções, Helder Sousa. As primeiras usinas começam a funcionar em agosto. A fatura deve subir porque os consumidores terão de arcar com R$ 515,7 bilhões em receitas aos geradores de energia vencedores do leilão ao longo dos contratos. Cerca de 60% do preço da conta de luz paga pelos consumidores reflete o pagamento da geração, transmissão e distribuição da energia consumida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN). É aí que entra o custo do leilão, na geração da energia com a contratação das usinas. O preço dos contratos pagos às empresas é diluído na conta de luz dos consumidores ao longo dos próximos anos.
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