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Ex-presidente da Fifa, Blatter detona relação de Infantino e Trump: 'Sem conformidade com o estatuto' | Collector
Ex-presidente da Fifa, Blatter detona relação de Infantino e Trump: 'Sem conformidade com o estatuto'

Ex-presidente da Fifa, Blatter detona relação de Infantino e Trump: 'Sem conformidade com o estatuto'

A política de Donald Trump e as regras da Copa do Mundo de 2026 vivem um cabo de guerra mais intenso nas últimas semanas. Dificuldades com vistos para jogadores, jornalistas e torcedores, como no caso da seleção do Irã, que confirmou sua participação apenas nos últimos dias, ao caso do árbitro somali que teve sua participação cancelada na última segunda-feira (8). Para o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, a corda vem sendo sempre puxada para o lado dos Estados Unidos, e não é de hoje. Exceção: EUA desobrigam estrangeiros com ingressos para a Copa a pagarem caução turista de R$ 75 mil 'Estou muito desapontado': Em entrevista, árbitro somali comenta exclusão da Copa de 2026 Em entrevista ao jornal francês Le Monde, o suíço considerou a relação classificada como "bromance" (uma aglutinação entre irmãos e romance em inglês) entre Trump e o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, como a mais preocupante que observa na instituição. —A atividade política da Fifa, que não está em conformidade com seus próprios estatutos referentes ao dever de neutralidade da organização, atingiu seu ápice. Os Estados Unidos não tiveram dificuldade em se estabelecer como uma grande potência do futebol — diz Blatter. Atualmente com 90 anos, ele já havia sugerido um boicote ao torneio, aconselhando os torcedores a não irem aos EUA durante a Copa do Mundo, que também acontecerá no Canadá e no México. Blatter também desaprovou o novo modelo da competição, que passou de 32 para 48 seleções. — Ela ultrapassa todos os limites com suas 48 seleções e 104 partidas! — reforçou o ex-presidente, que comandou a Fifa entre 1998 e 2015. Para ele, a relação problemática de Trump e Infantino começou ainda na escolha dos Estados Unidos para sediar o evento, em 2018, quando o republicano estava no seu primeiro mandato. A reportagem publicada pelo jornal francês lembra que os Estados Unidos acusaram o Catar de comprar votos para conquistar o posto de país sede da Copa de 2022, quando foram derrotados por 14 votos a 8. — Acreditávamos que tínhamos a melhor proposta, mas não fomos selecionados. As regras vigentes na época não foram concebidas para permitir um processo o mais justo possível. Essas regras permitiam uma margem relativamente ampla, dentro da qual conduzimos nossa candidatura de maneira muito correta e imparcial. Elas deixavam uma margem muito grande para ações fora dos limites — disse Sunil Gulati, ex-presidente da Federação de Futebol dos EUA , a juízes franceses em 2021, durante a investigação francesa sobre suspeitas de corrupção na atribuição da Copa do Mundo ao Catar. Mais críticas da imprensa Além do Le Monde, o maior jornal dos Estados Unidos, o The New York Times, publicou também nesta terça-feira (9), um artigo assinado pelo repórter e comentarista esportivo Adam Crafton, também bastante duro contra Trump e Infantino. A publicação atribuiu a confusão dos vistos para delegações e jornalistas a esta relação entre eles. "Os indícios deveriam ter estado lá para a Fifa. Talvez na ordem executiva, assinada no primeiro dia de volta do presidente Donald Trump à Casa Branca, intitulada 'Protegendo o Povo Americano Contra a Invasão'. Talvez nas proibições de viagens, impostas principalmente a países do Oriente Médio e da África. Talvez na exigência de que viajantes de 50 países paguem até US$ 15.000 em fianças para vistos de negócios ou turismo. Talvez na suspensão dos pedidos de visto de imigrante para cidadãos de 75 países. Talvez nos comentários de Trump sobre os somalis, dizendo que eles deveriam 'voltar para o lugar de onde vieram' e que 'o país deles não presta por algum motivo'", publicou Crafton. O jornalista lembrou ainda frases ditas por Infantino durante um o Congresso da Fifa no Paraguai, em 2025, que contrastam com os vistos negados aos profissionais envolvidos na Copa. Na ocasião, o presidente elogiou Trump e disse que o governo americano faria com que todos fossem bem-vindos. "O mundo é bem-vindo na América. Claro, os jogadores, todos os envolvidos, mas definitivamente também todos os torcedores. E sejamos claros: isso não parte de mim, parte do governo americano", afirmou Infantino na ocasião.

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