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Presidente do BRB diz que vai abrir mais de 20 processos para investigar envolvimento de funcionários no caso Master | Collector
Presidente do BRB diz que vai abrir mais de 20 processos para investigar envolvimento de funcionários no caso Master

Presidente do BRB diz que vai abrir mais de 20 processos para investigar envolvimento de funcionários no caso Master

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (9), que foram abertos mais de 20 processos para investigar o envolvimento de funcionários da instituição nas transações fraudulentas com o Banco Master, que culminaram em uma crise financeira no banco distrital. A declaração ocorreu logo após a audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que recebeu o dirigente para esclarecer a atual situação do BRB. De acordo com o executivo, as apurações foram abertas nas Corregedorias do BRB e do Governo do Distrito Federal (GDF). Segundo Souza, o relatório produzido pelo escritório Machado Meyer com suporte técnico da Kroll, definiu o grau de responsabilidade dos envolvidos e apontou mais de 20 pessoas. "Nós temos aproximadamente um pouco acima de 20 processos. […] Não estamos pré-julgando, mas a apuração que estamos fazendo está logrando êxito […] estamos verificando quem levou o BRB a essa situação", disse. Sobre as apurações internas, o presidente do BRB assegurou aos senadores que a instituição está colaborando ativamente com as investigações que miram ex-administradores envolvidos no esquema fraudulento e garantiu que entrará com ações de responsabilidade civil. “Abrimos apurações para todos os dirigentes, empregados e qualquer um que foi citado dentro do relatório da Machado Meyer ou de apurações que venham a chegar”, detalhou durante a audiência. Souza ainda informou sobre o bloqueio de ações relacionadas ao caso e que os procedimentos estão sendo devidamente encaminhados pelos órgãos responsáveis. Souza ainda disse que o BRB conseguiu bloquear 23,5% das ações que o grupo envolvido no escândalo do Master detinha na instituição do DF. Entre os acionistas estavam o ex-sócio do Master, Maurício Quadrado, e o fundador e ex-presidente do conselho de administração da Reag, João Carlos Mansur, além de Vorcaro. O BRB já move uma ação contra o Master, sob responsabilidade da 13ª Vara Cível de Brasília. No processo, o banco distrital cobra uma indenização pela venda de carteiras de créditos apontados como “podres” ou até mesmo inexistentes. Questionado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, sobre a investigação que envolve a negociação de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões – usados supostamente como propinas para o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para viabilizar a compra do Master –, o executivo esclareceu que o caso está sendo investigado exclusivamente pela Polícia Federal. Reunião na CAE O presidente do BRB compareceu na manhã desta terça-feira (9) à CAE para detalhar a situação em que a instituição estatal se encontra. Na ocasião, o dirigente respondeu aos questionamentos dos senadores sobre o rombo causado por transações com o Banco Master, a divulgação dos balanços de 2025 e o plano de reestruturação costurado recentemente entre o GDF e a União. A audiência estava sendo aguardada pelo colegiado desde a semana passada. Souza havia sido convocado para prestar esclarecimentos no dia 2 de junho, mas cancelou a presença um dia antes. Inicialmente, o pedido se tratava de um convite, mas como o dirigente afirmou que só compareceria à reunião após a entrega do balanço do BRB – prevista para ser divulgada em maio, mas adiada novamente pela instituição sem nova previsão –, o presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), transformou o convite em convocação. Durante a reunião, o presidente do banco afirmou que o BRB precisará de R$ 8,8 bilhões para enfrentar “possíveis perdas” decorrentes de transações feitas com o Master. Segundo ele, esse valor será uma reserva técnica necessária para preservar o “fôlego” da instituição e evitar um processo de liquidação. Souza ainda explicou que o valor surgiu após a auditoria interna do BRB revelar que, dos R$ 30 bilhões em títulos comprados do banco privado, pelo menos R$ 8,8 bilhões podem estar perdidos. De acordo com ele, pelo menos R$ 2,6 bilhões desse montante não têm nenhum tipo de lastro, o que significa que não há garantia de que serão reembolsados à instituição estatal. Para recompor o banco, o GDF costurou recentemente um acordo com a União para avalizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A proposta foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aguarda aprovação na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Caso receba o aval da Casa Legislativa, o BRB precisaria de mais R$ 2,2 bilhões para o aporte necessário, segundo Souza. “É um projeto de lei importantíssimo para a sobrevivência do BRB. Fundamental”, disse durante a audiência. E completou: “Este problema [com o Master] é muito maior e o BRB é a maior vítima”. Balanço sem previsão Ao ser questionado sobre a divulgação do balanço financeiro dos últimos trimestres de 2025, o presidente do BRB garantiu que o documento será entregue após a conclusão do processo de auditoria interna que apura as irregularidades nas transações com o Master. “A divulgação ocorrerá tão logo sejam concluídos os procedimentos de auditoria independente, validação contábil e tramitação regulatória exigidas pelas normas aplicadas”, disse. O dirigente ainda afirmou que o maior interessado em divulgar o balanço financeiro é a própria instituição. “Estejam certos, a quem mais interessa divulgar o balanço é o próprio BRB, tendo em vista a corrida de liquidez que cada vez se acentua, tendo em vista a não divulgação desse balanço", acrescentou. De acordo com ele, a decisão da atual administração é priorizar a divulgação de informações completas e devidamente auditadas, preservando a transparência perante clientes, investidores, órgãos de fiscalização e toda a sociedade.

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