Jornal O Globo
Tatuagens estão presentes de diversas formas: desenhos, escritas e símbolos. Embora a representação de ideias e imagens na pele esteja presente na cultura ocidental, o ato de fazer uma tatuagem não está isento de riscos e pode trazer alguns impactos para a saúde. Em 2024, o cantor Machine Gun Kelly revelou em entrevista que passou por complicações após fazer uma tatuagem preta que cobria seus membros superiores. Os pigmentos injetados na pele migraram para as axilas e ombros do artista, que passou a ter dificuldade para movimentar os braços e sentir dores locais. "Minha pele também ficou amarela e eu não conseguia dormir", conta. Um estudo publicado por pesquisadores do Departamento de Saúde Pública e do Departamento de Pesquisa Clínica da University of Southern Denmark (SDU), juntamente com a University of Helsinki, mostrou anteriormente que indivíduos tatuados são mais frequentemente diagnosticados com câncer de pele e linfoma em comparação com aqueles sem tatuagens. Os gânglios linfáticos são uma parte crucial do sistema imunológico, ajudando a combater infecções e filtrar substâncias nocivas do corpo. Os pesquisadores pensam e ficam preocupados que a tinta possa desencadear inflamação crônica nos gânglios linfáticos, o que, ao longo do tempo, pode levar ao crescimento anormal das células e a um risco aumentado de câncer. Além disso, o tamanho das tatuagens também é importante. A pesquisa indicou que o câncer é mais evidente em pessoas com tatuagens maiores do que a palma da mão. Risco de infecção De acordo com Adam Taylor, professor de anatomia da Universidade de Lancaster, na Inglaterra, aponta que existe o risco de infecções graves por meio da agulha utilizada na tatuagem, como a contaminação com vírus da hepatite B e C e o vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana). "As agulhas de tatuagem são projetadas para depositar tinta na derme, que fica próxima à superfície", explica, em entrevista ao Daily Mail. Por isso, é importante checar as credenciais do local onde vai ser realizada a tatuagem e verificar se os equipamentos do tatuador são registrados na Anvisa e rigorosamente higienizados. Uveíte Um efeito colateral que tem sido descrito pela literatura médica em pessoas tatuadas é o aparecimento da uveíte, uma doença ocular rara. Ela pode ser desencadeada por células inflamatórias (pois tatuagens tendem a gerar inflamações) que ultrapassam a barreira hemato-ocular, responsável por proteger a parte interior do olho. A úvea (a camada média do globo ocular), que está na área externa do olho, contém a íris e pode ser diretamente afetada por essas células. E, em situações mais graves, pode desencadear um glaucoma, uma doença ocular crônica que danifica o nervo óptico. Cicatrizes permanentes Outro efeito colateral, mais conhecido, são as cicatrizes permanentes formadas pela cicatrização queloide. Nela, a pele fica mais alta e pode se estender para além das linhas da tatuagem, dando uma impressão de "alto relevo".
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