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Conheça as personalidades que viraram nomes de bairros em Ribeirão Preto, SP Os nomes dos bairros em Ribeirão Preto (SP) carregam mais do que apenas endereços, eles contam parte da história da cidade. Figuras de forte influência política, econômica, religiosa e social eternizaram seus legados ao batizarem regiões tradicionais do município, principalmente entre a segunda metade do século XX e o início do século XXI. De acordo com o historiador e professor Felipe Souza, a prática era muito comum porque, no passado, havia uma grande valorização pública dessas personalidades. Ele explica que a sociedade da época alimentava um forte "culto à personalidade" em torno de patriarcas e homens de poder que ajudavam a construir a cidade. "Os bairros levavam os nomes de grandes políticos, empresários e agropecuaristas. As cidades estavam em formação. Apesar de esses bairros serem da segunda metade do século XX, o nome deles remete a personalidades do final do século XIX e da primeira metade do século XX. O culto a essas personas era muito maior na época do coronelismo", explica. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Para resgatar a memória de figuras que dão nomes a regiões de Ribeirão Preto, o g1 contou com a ajuda de Felipe Souza e do historiador Yuri Carvalho. Veja a lista abaixo. Vista aérea do Centro de Ribeirão Preto, SP, com o Theatro Pedro II Reprodução/EPTV Dom Miele Nascido em São Bernardo do Campo (SP), Dom Bernardo José Bueno Miele foi o quarto arcebispo da Arquidiocese de Ribeirão Preto e comandou a Igreja Católica na cidade de 1972 a 1981. Durante o período, participou da criação da Pastoral da Juventude. A atuação de Dom Miele foi marcada pelo apoio às comunidades mais pobres e pela defesa do diálogo durante os anos do regime militar, o que lhe rendeu o apelido de “bispo do povo”. "Ele fazia muito trabalho social, olhava para as periferias, tanto que era conhecido pelos fiéis como ‘o bispo do povo’. Ele também agia como uma figura conciliadora entre a ditadura civil-militar e o povo oprimido, para poder minimizar os danos desse período complicado da nossa história", detalha Felipe Souza. Em homenagem ao religioso, a COHAB-RP inaugurou o Jardim Dom Miele em 1983, na Zona Norte, com 777 moradias populares poucos anos após a morte do arcebispo, em 1981. Jardim Dom Miele, inaugurado em 1983, homenageia o arcebispo de Ribeirão Preto (SP) Dom Bernardo José Bueno Miele, que ficou conhecido pelos fiéis como "bispo do povo" Divulgação/ Arquidiocese de Ribeirão Preto Branca Salles Em uma época em que figuras masculinas dominavam os holofotes do poder, Branca Salles era destaque por voltar os olhos e o trabalho para quem mais precisava. Ela teve seu nome diretamente ligado a projetos de moradia popular e filantropia. "A Dona Branca Salles era muito ligada à assistência social e a políticas de educação popular. Ela olhava muito para as famílias de baixa renda do município e tinha esse olhar voltado para fazer caridade", explica Souza. O reconhecimento veio em 1996 com a criação do Jardim Dona Branca Salles pela COHAB-RP, na região Sudoeste. O nome dela também estampa uma Base de Apoio Comunitário (BAC) da região que reúne creche, posto de saúde, biblioteca e serviços de assistência social para os moradores. Imagem aérea do Jardim Dona Branca Salles, na Região Sudoeste de Ribeirão Preto (SP). O nome do bairro é uma homenagem ao legado de assistência social deixado por ela Reprodução EPTV Vila Tibério Um dos bairros operários mais tradicionais de Ribeirão Preto carrega a história do agrimensor Tibério Augusto Garcia de Senne. Em 1890, ele se casou com Deolinda Franco, filha do coronel João Franco de Moraes Octávio, dono de terras na zona Oeste da cidade. A partir dessas áreas e da compra de chácaras vizinhas, Tibério loteou a região que ia da Estação Mogiana até perto de onde hoje é o campus da USP. "Os terrenos, vendidos a preços acessíveis, atraíram trabalhadores ferroviários, agricultores, lavradores e imigrantes, especialmente italianos. Com isso, o processo contribuiu para a formação da identidade popular e operária da Vila Tibério", explica Yuri Carvalho. Além de loteador, Tibério Augusto também exerceu o cargo de vereador em Ribeirão Preto entre 1892 e 1896. Uma das regiões mais tradicionais e operárias da cidade, a Vila Tibério ganhou o nome do agrimensor, loteador e ex-vereador Tibério Augusto Divulgação Manoel Penna Manoel Penna nasceu na região do Vale do Paraíba e viveu em Guaratinguetá (SP) antes de chegar a Ribeirão Preto. Na cidade, conheceu Antonio Diederichsen, empresário e tesoureiro com quem construiu uma forte amizade e parceria profissional, chegando a se tornar sócio dele. Ao lado de Diederichsen, Manoel Penna participou de um período de transformação econômica e urbana da cidade após a crise de 1929. Os dois estiveram ligados à construção do Edifício Diederichsen. “Eles souberam se reinventar, principalmente com a construção do edifício Diederichsen, que narra um novo modo de vida habitacional em Ribeirão, que era horizontal e passou a ser vertical”, diz Felipe. Penna também ficou conhecido por trazer o primeiro automóvel da cidade, um Chevrolet que chegou encaixotado, pela ferrovia. Posteriormente, ele e Diederichsen foram responsáveis pela criação da concessionária Santa Emília. Após a morte do amigo em 1955, ele continuou administrando os negócios, tornou-se tesoureiro da Santa Casa e do Asilo Padre Euclides, e viveu até os 101 anos, falecendo em 1990. O bairro na zona Leste que leva seu nome foi lançado em 1994, com 600 casas. Conjunto habitacional na zona Leste carrega o nome do empresário Manoel Penna, responsável por trazer o primeiro automóvel a Ribeirão Preto (SP) Arquivo pessoal Quintino Facci Famoso fazendeiro e pecuarista, Quintino Facci integrava uma das famílias proprietárias de terras mais tradicionais do interior paulista. Seu nome, no entanto, estampou manchetes e polêmicas a partir da década de 1950 devido a intensos conflitos agrários. Em 1955, Quintino Facci esteve envolvido em um conflito com lideranças rurais da região. Na época, participou de uma ação que resultou na prisão de Nazareno Ciavatta, então presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ribeirão Preto, em meio às disputas ligadas à organização dos trabalhadores do campo. O nome de Quintino Facci foi escolhido para batizar um dos maiores conjuntos habitacionais de Ribeirão Preto, na zona Norte da cidade. O complexo foi entregue pela COHAB-RP em duas etapas: o Quintino Facci I, inaugurado em 1979, e o Quintino Facci II, lançado em 1980. Anos depois, a família voltou a ser notícia por conta de uma disputa pela herança deixada pelo fazendeiro após a morte dele, em 2004. “Ele chocou o país por deixar a herança dele, que era mais ou menos de R$ 100 milhões na época, pra um único herdeiro, por conta dessas brigas entre disputas de terra, entre família”, relata Felipe Souza. Vista aérea do bairro Quintino Facci, que homenageia o empresário e fazendeiro. Reprodução/EPTV Salgado Filho Joaquim Pedro Salgado Filho foi político, advogado e ministro durante o governo de Getúlio Vargas. Nascido no Rio Grande do Sul, ganhou destaque nacional ao atuar no Ministério do Trabalho entre 1932 e 1935, período em que participou da criação das primeiras leis trabalhistas do Brasil. Em 1941, Salgado Filho assumiu o recém-criado Ministério da Aeronáutica e passou a ser responsável pela organização da Força Aérea Brasileira (FAB). Durante a Segunda Guerra Mundial, participou da estruturação da aviação militar e civil do país e ajudou na preparação do contingente brasileiro enviado para a Europa. O político morreu em 1950, aos 62 anos, em um acidente aéreo no Rio Grande do Sul. Segundo Felipe Souza, Salgado Filho tinha relação com Ribeirão Preto, já que o pai dele foi um dos responsáveis pela criação do clube de aeronáutica da cidade. “Nós temos a criação do clube de aeronáutica aqui, que foi a criação do pai do Salgado Filho, principalmente também em homenagem ao Joaquim Pedro Salgado Filho, que foi o primeiro ministro nosso aqui do Brasil da aeronáutica”. O nome dele foi escolhido para batizar o Jardim Salgado Filho, em Ribeirão Preto. A homenagem segue uma tradição comum em várias cidades brasileiras, que deram o nome do ministro a ruas, bairros e aeroportos por causa da contribuição dele para a aviação nacional. Jardim Salgado Filho é uma homenagem ao primeiro ministro da Aeronáutica, refletindo a forte ligação de Ribeirão Preto (SP) com a história da aviação Arquivo pessoal Alexandre Balbo O italiano Alexandre Balbo foi peça-chave na expansão industrial sucroenergética da região, sendo cofundador de usinas em cidades como Sertãozinho (SP) e Pontal (SP). Em Ribeirão Preto, a visão empresarial dele resultou na criação da Construtora Balbo, responsável por grandes obras de infraestrutura local. Como reconhecimento a esse impacto urbano, o bairro Jardim Alexandre Balbo foi inaugurado na zona Norte em 1993, entregando simultaneamente mais de 1,3 mil casas. Ele também batiza o Anel Viário Norte. Alexandre Balbo (de terno cinza) ao lado da família Arquivo pessoal Adelino Simioni Farmacêutico formado na capital paulista e nascido em Batatais (SP), Adelino Fortunato Simioni foi um dos nomes de destaque no desenvolvimento do setor sucroenergético. Embora tivesse formação na área da saúde, ele se revelou um verdadeiro visionário no campo agroindustrial. O trabalho de Simioni foi fundamental para modernizar e expandir a destilação de álcool em usinas do interior paulista. A atuação dele ajudou a impulsionar a economia regional em um período de forte crescimento e consolidação da agroindústria no estado de São Paulo. Como reconhecimento por esse impacto econômico, o nome dele foi escolhido para batizar um dos maiores projetos habitacionais de Ribeirão Preto. Conhecido popularmente pelos moradores apenas como "Simioni", o bairro começou a ser erguido no início da década de 1980 pela Companhia Habitacional Regional (COHAB-RP). A entrega do conjunto habitacional transformou a paisagem e a dinâmica da zona Norte da cidade. Ao todo, a construção contou com quase três mil moradias populares, que precisaram ser divididas em três etapas de lançamento para abrigar a grande leva de novos moradores que se instalou na região. Pintura de Adelino Fortunatto Simioni Candido Portinari Heitor Rigon Representando a força da imigração italiana que ergueu Ribeirão Preto durante a era do café e, mais tarde, da cana-de-açúcar, Heitor Rigon faleceu em 1985, aos 89 anos, após décadas acompanhando a transformação econômica da cidade. Quase dez anos depois, em 1994, o nome dele foi escolhido pela COHAB para batizar o movimentado bairro e a Unidade de Saúde da Família (USF) que hoje atendem milhares de moradores na zona Norte. Heitor Rigon fez parte da força da imigração italiana que ergueu Ribeirão Preto durante a era do café Arquivo pessoal José Sampaio José Sampaio Júnior foi morador da região de Ribeirão Preto e teve o nome ligado a uma das famílias que participaram da formação política e social da cidade. Natural de Jardinópolis (SP), ele construiu a vida na região ao lado da esposa, Florinda Bordizan Sampaio. O legado da família ganhou destaque principalmente por meio do filho dele, João Gilberto Sampaio, médico e ex-prefeito de Ribeirão Preto durante a década de 1980. José Sampaio Júnior morreu antes da criação do conjunto habitacional que recebeu o nome dele como homenagem. O Jardim José Sampaio Júnior foi criado pela COHAB-RP no fim de 1988, com 1.724 unidades habitacionais divididas em diferentes setores. O complexo foi construído na zona Norte de Ribeirão Preto durante a gestão do então prefeito João Gilberto Sampaio. João Gilberto Sampaio, ex-prefeito de Ribeirão Preto e filho de José Sampaio Júnior Cedoc/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
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