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‘A UFF não vai se submeter a ninguém’, diz reitor eleito sobre parcerias com prefeituras
Jornal O Globo

‘A UFF não vai se submeter a ninguém’, diz reitor eleito sobre parcerias com prefeituras

Após vencer a consulta eleitoral que definiu a nova reitoria da Universidade Federal Fluminense (UFF), o professor Roberto Salles afirma que a instituição manterá uma relação institucional com governos e prefeituras, mas sem abrir mão de sua autonomia. Em entrevista exclusiva ao GLOBO-Niterói, o reitor eleito para o quadriênio 2026-2030 diz que a universidade terá uma relação “de igual para igual” com os poderes públicos e que “não vai se submeter a ninguém”. Vereadora deixou plenário sob vaias: Audiência sobre uso de banheiros por pessoas trans tem clima tenso na Câmara de Niterói 'Isso deixa a gente revoltado': Após ser vítima de pelo menos 12 furtos, comerciante desabafa Ao lado da futura vice-reitora, a professora da Faculdade de Educação Luciana Freitas, Salles também fez um balanço da campanha, marcada, segundo ele, pela atuação de um “gabinete do ódio” que teria disseminado informações falsas durante o segundo turno. A chapa vencedora promete priorizar a redução da evasão estudantil, a modernização da gestão administrativa, a ampliação do diálogo com a comunidade acadêmica e a busca por novas fontes de financiamento. Quais serão as prioridades da nova gestão? Roberto Salles: A eleição terminou. Nós ganhamos no primeiro e no segundo turno, e agora existe uma só UFF. Precisamos unir a universidade para recuperar seu protagonismo. A UFF perdeu posições em rankings nacionais e internacionais e precisamos trabalhar para reverter esse quadro. Luciana Freitas: Uma das prioridades será fortalecer a gestão democrática e o diálogo com a comunidade universitária. Vamos retomar a conversa permanente com as entidades representativas e visitar unidades e campus para ouvir demandas e atualizar nosso diagnóstico antes mesmo da posse. Que medidas concretas podem ser implementadas logo no início da gestão? Salles: Antes de definir prioridades financeiras, precisamos conhecer em profundidade a situação administrativa, orçamentária e estrutural da UFF. O primeiro passo será esse diagnóstico. Luciana: Vamos estudar novos mecanismos para agilizar a tramitação de processos administrativos, que hoje são muito lentos. Também queremos ampliar a participação da comunidade nas decisões da universidade. A chapa defendeu uma aproximação maior com prefeituras. Como isso deve funcionar? Salles: A UFF gera desenvolvimento econômico e social nos municípios onde atua. É justo que haja uma contrapartida. Vamos conversar com todos os prefeitos, independentemente de partido. A universidade deve estar acima de disputas políticas. Luciana: Vamos dialogar com todas as prefeituras onde a UFF está presente. Já iniciamos conversas e temos pautas importantes, como mobilidade estudantil e apoio às unidades da universidade. E vocês projetam novas parcerias com a prefeitura de Niterói, voltadas para o desenvolvimento da cidade e da própria universidade? Salles: A parceria vai ser de igual para igual, não vai ser de submissão. Será uma relação saudável, baseada nos interesses da universidade. A UFF não vai se submeter a ninguém, nem a nenhum governo. A universidade tem autonomia e assim continuará. Essa que é a verdade. Então a relação é de igualdade. Luciana: Estaremos abertos a qualquer projeto que a prefeitura venha a propor e também queremos levar projetos à prefeitura. Que não seja só uma via de mão única. A UFF é muito importante para Niterói, e a prefeitura sabe disso. Como enfrentar as dificuldades orçamentárias das universidades federais? Salles: O principal desafio é a recomposição do orçamento da educação superior. Defendemos uma atuação conjunta dos reitores para ampliar os recursos destinados às universidades e fortalecer a assistência estudantil. Luciana: Também vamos buscar emendas parlamentares, recursos extraorçamentários e novas fontes de financiamento. Isso não substitui o orçamento regular, mas ajuda a viabilizar projetos importantes. Quais outras alternativas de financiamento estão sendo estudadas? Salles: Existem oportunidades em agências federais e fundos voltados para inovação, energia e desenvolvimento tecnológico. Um exemplo é a instalação de sistemas de energia solar para reduzir custos. Precisamos buscar recursos onde estiverem disponíveis. O senhor costuma dizer que a UFF cresceu muito em tamanho. O que significa agora apostar em qualidade? Salles: A UFF já é uma das maiores universidades federais do país. Agora precisamos consolidar esse crescimento, reduzir a evasão, fortalecer a graduação, ampliar a pesquisa, investir em inteligência artificial, sustentabilidade, inovação e empreendedorismo. Luciana: A universidade produz pesquisa de excelência, mas isso nem sempre aparece para a sociedade. Precisamos valorizar e dar visibilidade ao que é produzido aqui. Como o senhor analisa o resultado da eleição? Salles: No segundo turno criaram em Niterói um gabinete do ódio, que começou a produzir fake news monstruosas, dizendo que sou racista, isso e aquilo. Ainda assim, vencemos a eleição no primeiro e no segundo turnos. O senhor recebeu ataques que o colocavam como sendo contrário às cotas raciais. Qual é sua posição sobre essas políticas? Salles: Sempre fomos favoráveis. Não posso ser em nenhum momento contra qualqur cota porque fui um cotista, fui um bolsista de trabalho, a única bolsa que existia quando eu era estudante. Quando eu saí da gestão, nós tínhamos 14 modalidades de bolsas e antecipamos em um ano as cotas. Initial plugin text

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