Jornal O Globo
José de Abreu surgirá em um papel bem diferente em “Por você”, próxima novela das 19h da Globo. O ator, que não fazia humor desde 1987, quando esteve em “O outro”, estará no núcleo cômico da trama. Ele será um descendente de italianos, torcedor do Palmeiras e dono de um bar no Rio: Entrevista: Pâmela Tomé fala do papel em microdrama do Globoplay e comenta desafio de interpretar Xuxa em série E mais: Giovanna Ewbank fala de novo projeto nas redes, da chegada dos 40 anos e de maternidade — Houve uma época em que eu falei para a Amora Mautner (diretora) que não queria mais fazer o pobre engraçadinho. Até brinquei e disse: “Quero ser o (Antonio) Fagundes. Quero sentar na cabeceira da mesa e ter uma família grande”. E foi o que aconteceu. Desde então, nunca mais fiz personagem popular. Comédia não faço desde “O outro”. Então, estou muito animado. E eu pedi o papel. Eles iam me dar outro personagem, que iria entrar mais para a frente, um homem rico. Eu falei que estava doido para fazer um popular, engraçadinho. O Osmar Prado estava saindo, e o diretor logo me ofereceu o papel que ele ia fazer. Na trama, seu personagem terá embates com o de Antônio Pitanga: — O meu personagem teve uma relação com uma mulher, e dessa relação nasceu o filho dele, papel do Rodrigo Lélis. Só que ela também se relacionou com o Clemente (Pitanga). Eles brigam muito e dizem que o motivo é o restaurante, mas, na verdade, é uma disputa por amor. Em sua preparação, o ator viajou para a Sicília, na Itália, com o intuito de mergulhar na cultura local: — Quando eu fiz “Caminho das Índias”, eu não fui gravar na Índia, mas eu ia fazer um sacerdote, então pedi para a Globo ir lá estudar. Eu gosto de me envolver com o universo do personagem. Quando disseram na reunião de elenco de “Por você” que meu personagem talvez fosse siciliano, eu falei: “Eu vou embora para a Sicília”. Os sicilianos são muito diferentes dos outros italianos. Eu estou estudando os gestos deles para enriquecer o personagem. Quando a comida é boa, eles colocam o dedo na bochecha. Tem alguns códigos que eu pretendo trazer para a novela. No fim de maio, Abreu completou 80 anos. Ele conta como encara a passagem do tempo: — Eu acho que a idade que me bateu mais forte foram os 50. Eu sou geminiano, com ascendente e lua em Peixes, então não me preocupo muito com essa coisa de tempo. Oitenta, confesso, deu uma balançadinha, porque é um número meio definitivo na vida de muita gente. A maioria das pessoas se aposenta antes. Eu estou aposentado há 15 anos pelo INSS. Comecei a trabalhar com 14 anos. O meu contrato com a Globo venceu na pandemia e, desde que eu saí, há quatro anos, eu estou fazendo uma novela por ano, como se eu fosse contratado ainda. Só não ganho entre uma novela e outra. Essa coisa de tempo para mim não faz muita diferença. Óbvio que, com 80 anos, o corpo já não é a mesma coisa. Quando eu viajo, adoro andar muito, visitar coisas; agora, eu fico mais cansado. Eu nunca fui dos esportes, sempre fui péssimo, eu só era bom de dança. Tem essa coisa do físico não ser o mesmo, me canso mais, mas eu tenho uma saúde de ferro. Toda vez que eu vou fazer um check-up, o médico diz que o novo está melhor que o anterior, então vão ter que me aguentar por muitos anos. Com 60 anos de carreira — 45 deles na Globo —, ele avalia a trajetória, fala do reconhecimento do seu trabalho e garante que não pretende se aposentar tão cedo. — Aonde eu vou, as pessoas falam com reverência. Fiz uma série na Netflix e, quando eu cheguei, foi uma coisa… Na sala de reunião da novela também. Daqui a pouco vão fazer um busto meu; estou preocupado com isso (risos). Eu digo que eu nasci virado para a lua. Vejo nas redes amigos que trabalharam comigo e que estão fora do mercado há anos. Tem que ter muita sorte para você se manter, sabe? Tirando os quatro primeiros anos de Globo, em que eu fazia uma novela, parava, fazia outra, depois eu emendei uma atrás da outra. Não tem um ano em que eu não fiz novela. Eu tenho a impressão também que não é só você ser um bom ator, ser profissional, ter talento. Tem uma coisa também do seu jeito de lidar. Tem ator que é muito chato, que é pentelho, que chega para gravar triste, baixa o astral, reclama da gravação, do horário. A nossa profissão é isso: tem que esperar mesmo. Abreu está morando no Rio, mas já passou três anos na França. Ele explica os motivos que o levaram a vender seu apartamento no bairro do Marais, numa área nobre da capital francesa: — Eu comprei o apartamento de Paris em 2014, quando a Globo tinha um plano de casa própria para os funcionários. Ela me emprestou metade do dinheiro, e eu paguei em três anos. Nesse contrato, eles iam descontando do meu contracheque. Eu fiquei morando lá por três anos, tinha carta de residência, que dão para artistas, esportistas. Você pode morar por três anos e estender por mais três. E pode trabalhar na sua profissão. Então, o meu endereço fixo era lá. Eu aluguei meu apartamento do Rio de Janeiro, e a minha casa era em Paris. A cada vez que a Globo me convidava para fazer novela, eles me traziam de Paris. Eu ficava no Rio com o hotel pago ou alugava um apartamento. Depois, eles me devolviam para Paris. Eu fiquei com esse apartamento durante 10 anos, mas dá muito trabalho. A França é muito burocrática. Eles ainda estão no tempo do papel: você tem que assinar tudo manualmente, ir ao cartório. Dá uma mão de obra, é muito chato. Eu tive um problema grave com um vizinho: de seis em seis meses, o apartamento dele alagava o meu. Tinha que chamar seguro, assembleia, síndico… Os apartamentos em Paris são todos tombados, você não pode mexer sem autorização. Aí eu falei: “Não dá mais”. Meus filhos e netos também já estavam cansados de ir para Paris. Abreu aproveitou o período na Europa para morar também em outros países: — Obviamente que, de Paris, eu fiquei um tempo na Grécia, em Portugal. Às vezes eu alugava o apartamento na França porque dava vontade de conhecer outros países. Ele revela que o dinheiro da venda está aplicado e diz que considera a quantia como sua aposentadoria: — Coloquei à venda e já vendi o apartamento. O dinheiro está aplicado lá na França — uma bobagem, porque lá os juros são baixíssimos. Estou fazendo uma declaração no imposto de renda para trazer o dinheiro para cá, porque o dinheiro todo saiu do Brasil: metade saiu da Globo e a outra metade saiu do meu trabalho, então eu posso trazer para o Brasil. E eu posso dizer que ele é a minha aposentadoria, porque de aposentadoria do INSS eu ganho uma merreca. Esse apartamento foi a única vez em que eu consegui guardar dinheiro, porque normalmente eu gasto mais do que eu ganho. Ao ser questionado sobre com o que gosta de gastar, ele diz que preza mais por viver bem do que por acumular bens: — A Bia (filha do ator) fez curso de arte e entretenimento, desenho e game em Los Angeles. Ela ficou cinco anos lá por causa da pandemia, que aumentou o tamanho do curso. A faculdade em Los Angeles era muito cara, mas ela saiu de lá empregada em uma grande empresa. Agora ela foi para a Inglaterra fazer uma pós-graduação. Está em Londres; conseguiu um emprego ainda melhor. Mas isso tudo gasta dinheiro, né? E eu viajo muito… Quer dizer: eu invisto em ser e não em ter. O apartamento onde eu vivo com a minha mulher tem 120 metros quadrados; é simples. A gente viaja muito. Eu prefiro comer bem, bons restaurantes, tomar um bom vinho. Eu não quero ter coisas, acumular coisas. Não é do meu perfil. Eu quero é mais é viver a vida mesmo. E, aos 80 anos, eu posso dizer que eu dei certo, né? O ator é casado com a maquiadora Carolynne Junger, de 28 anos. Ele fala da parceria entre eles: — A Amora Mautner foi a primeira pessoa para quem contei sobre nós dois. Ela levou um susto, perguntou em que ano a Carol nasceu. Quando eu contei, ela disse: “Meu Deus, vamos ver até quando vai durar?” Já são sete anos. Parceria boa. TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp O ator também comenta o sonho de entrar para a política, mas diz acreditar que não conseguirá realizá-lo: — Da última vez em que eu iria tentar, alguns dos meus filhos trabalhavam com algumas prefeituras, um filho meu trabalhava com a Polícia Rodoviária Federal, e aí eu não podia me candidatar. Nesses quatro anos, eles deixaram de ter esses negócios, mas assinei um contrato com a Netflix de continuação. Pode ser que a série que estamos fazendo tenha segunda, terceira temporada. Então, não posso me candidatar. Mas eu sou tão desligado que eu tinha esquecido desse pequeno detalhe. Era uma coisa mais de pedido do Lula, para a gente tentar ter pessoas melhores no Congresso. Eu fico com vontade, mas não dá. É besteira; eu acho que é um sonho que não vou realizar nunca. Galerias Relacionadas Initial plugin text
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