g1
Milícia e tráfico transformam comerciantes e clientes em reféns no Rio de Janeiro O controle da venda de produtos por milícias e traficantes tem provocado aumento de preços em comunidades e bairros dominados por facções criminosas no Rio de Janeiro. Comerciantes afirmam ser obrigados a comprar mercadorias de fornecedores indicados pelos grupos criminosos, muitas vezes por valores acima dos praticados no mercado e sem possibilidade de negociação. Relatos obtidos pelo Fantástico mostram que produtos básicos, como farinha de trigo, frango assado, água, gás e hortifrúti, passaram a ser vendidos sob um regime de exclusividade imposto por criminosos. Segundo comerciantes, quem tenta comprar de outros fornecedores sofre ameaças ou pode ser impedido de continuar trabalhando. Um dos exemplos apontados é o do frango assado. Moradores relataram que o produto, antes vendido por cerca de R$ 10, chegou a custar até R$ 40 após a imposição dos fornecedores ligados aos grupos criminosos. Comerciantes são obrigados a comprar frango de empresas ligadas a facções. Fantástico Monopólio do crime: tráfico e milícia controlam até quem fornece comida para mercados e padarias no Rio Farinha mais cara encarece o pão francês A farinha de trigo é um dos produtos que, segundo comerciantes, passou a ser controlado por distribuidoras investigadas pela polícia por suspeita de ligação com organizações criminosas. Proprietários de padarias afirmam que deixaram de ter liberdade para escolher fornecedores e passaram a pagar mais caro por mercadorias de qualidade inferior. De acordo com um comerciante ouvido na reportagem, sacos de farinha que custariam cerca de R$ 70 passaram a ser vendidos por até R$ 110. O aumento, segundo ele, acaba sendo repassado ao consumidor final. "A gente era obrigado a comprar na faixa de R$ 100 a R$ 110. No final das contas, o preço do pão francês tem que aumentar", relatou. Entrega de farinha feita por empresas investigadas por ligação a facção do Rio de Janeiro. Fantástico Lucro para facções, prejuízo para moradores Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o esquema funciona como uma espécie de monopólio forçado. As organizações criminosas garantem mercado cativo para empresas parceiras e eliminam a concorrência por meio de intimidação e extorsão. Com isso, conseguem vender produtos mais caros e aumentar a arrecadação. O resultado é sentido principalmente pela população de áreas mais vulneráveis, que passa a pagar mais por itens essenciais. "Essas famílias já são muito vulneráveis ao processo inflacionário. Se você impõe uma taxa extra para essas famílias, o produto chega ainda mais caro para elas", afirmou um especialista ouvido pela reportagem. Caminhão de empresa ligada à facções no Rio de Janeiro. Fantástico Segundo as investigações, os recursos obtidos com a venda obrigatória de mercadorias ajudam a financiar a chamada "taxa de guerra", mecanismo utilizado por facções para arrecadar dinheiro destinado à compra de armas e à manutenção do controle territorial. Para comerciantes, o impacto vai além do prejuízo financeiro. "Você trabalha para eles, você vira o funcionário deles", resumiu um empresário que atua em uma das regiões afetadas pelo esquema. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
Go to News Site