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Prefeito de Chicago recusou receber partida da Copa do Mundo por cláusula da Fifa que poderia custar até R$ 517 milhões; entenda | Collector
Prefeito de Chicago recusou receber partida da Copa do Mundo por cláusula da Fifa que poderia custar até R$ 517 milhões; entenda
Jornal O Globo

Prefeito de Chicago recusou receber partida da Copa do Mundo por cláusula da Fifa que poderia custar até R$ 517 milhões; entenda

Enquanto 16 cidades celebram a chegada da Copa do Mundo de 2026, uma das maiores metrópoles dos Estados Unidos seguirá apenas como espectadora. A ausência de Chicago do torneio foi resultado de uma decisão política que ainda repercute no país. Em entrevista ao The Athletic, publicada nesta segunda-feira, o ex-prefeito Rahm Emanuel revelou que rejeitou o acordo proposto pela Fifa por considerar que os riscos financeiros ficariam integralmente com os contribuintes da cidade. Segundo Emanuel, a principal divergência envolvia uma cláusula que permitia à Fifa solicitar a instalação de uma cobertura no Soldier Field, casa do futebol americano local. A cláusula que encerrou as negociações O ex-prefeito afirmou que o contrato previa a possibilidade de a Fifa exigir a construção de uma estrutura sobre o estádio, mesmo que a entidade nunca tivesse utilizado esse dispositivo anteriormente. O custo estimado da obra variava entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. Isso representaria um gasto entre R$ 258,5 milhões e R$ 517 milhões. — Eles disseram que nunca haviam usado essa cláusula, mas eu respondi que toda primeira vez acontece uma vez. Não havia nenhuma possibilidade de deixar os contribuintes expostos a uma despesa dessa magnitude — afirmou Emanuel. A crítica do ex-prefeito não se limitou à questão da cobertura. Segundo ele, o modelo de organização da Copa prevê que a Fifa retenha receitas de ingressos, direitos de transmissão, patrocínios, estacionamento e outras fontes de arrecadação. Já as cidades-sede ficam responsáveis por custos relacionados à segurança, mobilidade urbana, transporte público, serviços médicos, bombeiros e policiamento. A Fifa projeta arrecadação superior a US$ 11 bilhões com a Copa de 2026. Na cotação atual, o valor equivale a aproximadamente R$ 56,9 bilhões. — Estavam me pedindo para assumir todos os riscos enquanto a Fifa ficava com os lucros. Os números simplesmente não fechavam — afirmou o ex-prefeito. Benefícios econômicos são questionados A Fifa sustenta que o torneio gera impacto econômico positivo para as cidades-sede. O presidente da entidade, Gianni Infantino, costuma citar estudos que estimam um impacto de cerca de US$ 30 bilhões na economia americana durante o Mundial, equivalente a aproximadamente R$ 155,1 bilhões. Mas Emanuel diz que nunca se convenceu pelo argumento. — Diziam que seria excelente para o marketing da cidade. Eu respondia que Chicago não precisava da Fifa para ser conhecida mundialmente — afirmou. Além da possível cobertura do estádio, Chicago também rejeitou outros pontos do contrato. Entre eles estavam pedidos de isenção fiscal sobre ingressos, transporte gratuito para torcedores e a obrigação de financiar uma área oficial de eventos da Fifa durante todo o torneio. Segundo Emanuel, aceitar essas condições seria contraditório com sua política de não utilizar recursos públicos para beneficiar organizações esportivas privadas. A decisão chamou atenção porque Chicago sempre foi considerada uma das candidatas naturais para receber jogos da Copa. A cidade sediou partidas da Copa do Mundo FIFA de 1994, recebeu jogos da Copa do Mundo Feminina de 1999 e abriga franquias de todas as principais ligas esportivas norte-americanas.

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