Jornal de Brasília
O Congresso dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (9) um projeto de lei de US$ 70 bilhões (R$ 362 bilhões) que financia a ofensiva migratória do presidente Donald Trump durante o restante de seu mandato. A medida, aprovada nesta terça-feira pela Câmara dos Representantes e na semana passada pelo Senado, segue agora para o gabinete de Trump para sua promulgação. Para o presidente republicano, ela representa uma vitória em um de seus temas políticos mais emblemáticos. O projeto prevê cerca de US$ 38 bilhões (R$ 196 bilhões) para o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), aproximadamente US$ 26 bilhões (R$ 134 bilhões) para a Patrulha de Fronteira (CBP) e quase US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) adicionais para custos imprevistos. Esses recursos somam-se aos quase US$ 140 bilhões (R$ 724 bilhões) já aprovados no ano passado pelo Congresso, de maioria republicana, destinados ao combate à imigração. O governo de Donald Trump enfrenta a pressão dos defensores de uma linha mais dura contra a imigração, que lamentam que as autoridades não tenham conseguido alcançar a meta de um milhão de deportações por ano. Tom Homan, um dos arquitetos desse programa de deportações dentro do governo, prometeu nesta terça-feira uma intensificação das operações, especialmente em Nova York, cidade que vota majoritariamente nos democratas "Cheque em branco" O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, comemorou em um comunicado após a votação o fato de que "os democratas não poderão retirar o financiamento" do ICE e da CBP nos próximos anos. A aprovação ocorre após vários meses de controvérsias em torno das práticas do ICE e da CBP. Os democratas exigiam reformas significativas nessas duas agências desde a morte, em Minneapolis, em janeiro, de Renee Good e Alex Pretti, dois americanos mortos por agentes federais à margem de manifestações contra as operações do ICE naquela cidade do norte dos Estados Unidos. "Consideramos que o dinheiro dos contribuintes deveria ser usado para tornar a vida mais acessível para os americanos, e não para dar um novo cheque em branco de US$ 70 bilhões ao ICE", afirmou na segunda-feira o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries. Em fevereiro, a oposição dos parlamentares democratas levou o Departamento de Segurança Interna a uma paralisação orçamentária recorde de mais de 70 dias. O que ficou de fora Os democratas pediam mais restrições à forma de atuação do ICE, em particular o uso sistemático de câmeras corporais por seus agentes. O texto aprovado nesta terça-feira acabou não incluindo essas reformas solicitadas pela oposição. Várias medidas defendidas por Trump também não constam do projeto de lei, em especial os US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) para a construção de um salão de baile na Casa Branca, projeto fortemente desejado pelo presidente republicano. Também ficou de fora o fundo de quase US$ 1,8 bilhão (R$ 9,3 bilhões) contra a suposta "politização da Justiça", destinado, segundo o governo, a indenizar pessoas apresentadas como vítimas do sistema judicial. A oposição democrata denunciou a proposta como uma "caixa-preta" que poderia beneficiar, em particular, apoiadores de Trump que invadiram o Capitólio em Washington durante o Ataque ao Capitólio dos Estados Unidos de 6 de janeiro de 2021. Vários parlamentares republicanos também haviam manifestado oposição a essa iniciativa. © Agence France-Presse
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