Jornal O Globo
O PT lançou nesta terça-feira uma plataforma que pretende organizar a militância nas plataformas digitais, unificar o discurso governista e aumentar a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais e fazer frente ao bolsonarismo. A iniciativa é formada por uma teia de grupos em aplicativos de mensagem em que serão enviados conteúdos para divulgação, além de tarefas específicas para serem cumpridas. Na largada, vão ser explorados temas ligados à Copa do Mundo, com o uso do verde e amarelo, seguindo orientações já apresentadas pelo próprio presidente. O lançamento ocorre às vésperas do início do processo eleitoral, com as convenções partidárias em julho, e num momento em que a pré-campanha petista intensifica a articulação. Nesta semana, o PT organizou evento com evangélicos e divulgou uma carta que deverá ter pontos incorporados no programa de governo de Lula e, nesta terça, com o lançamento da plataforma digital. Dois integrantes da pré-campanha dizem que é preciso intensificar a presença nas redes e fazer frente à direita, que hoje é considerada mais articulada no meio digital. Eles afirmam que é possível usar métodos da direita e incorporá-los, seja a partir de uma linguagem mais extravagante e direta, seja pela velocidade com que os conteúdos são elaborados e divulgados. No evento de lançamento, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) disse que a atuação nas redes sociais é um ponto que os adversários de Lula na campanha “ainda estão na nossa frente”. O ministro Guilherme Boulos no evento Victoria Azevedo -- Poderia dizer que é o algoritmo, que são as big techs ou que eles têm mais dinheiro. Tudo isso é verdade, mas eles têm organização digital e unificação da narrativa. Tem método, tem comando, todos falando o mesmo tema -- disse. Boulos vestiu uma camisa verde e amarela com a frase “o Pix é do Brasil”, numa sinalização da estratégia do PT de intensificar o uso das cores da bandeira brasileira. O secretário de comunicação da sigla, Eden Valadares, usava a mesma camisa. A estratégia é retomar as cores da bandeira brasileira, que nos últimos anos ficou associada a Jair Bolsonaro e seus aliados, num momento em que Lula reforça a defesa da soberania brasileira para fazer frente à ofensiva do governo Donald Trump ao Brasil. O próprio Lula afirmou em evento no fim de maio que é preciso a esquerda “aprender a usar” o verde e amarelo, para “não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”. No fim de semana, o presidente compartilhou uma fotografia usando a camisa da seleção brasileira com a legenda “o Brasil é dos brasileiros”. No evento do PT nesta terça-feira, foi exibida uma prévia de uma peça publicitária que o partido lançará nesta semana sob o mote “Lula pelo Brasil”, na qual são destacados programas sociais do governo e iniciativas da gestão federal com o uso das cores da bandeira brasileira. A defesa da soberania e do Pix se tornou o ponto central da reação brasileira às medidas anunciadas pelos EUA e trunfo eleitoral de Lula, que acusa a família Bolsonaro, em especial Flávio Bolsonaro, seu principal adversário na disputa, de ter articulado sanções junto a Trump. O evento em Brasília reuniu outros ministros do governo, como Wellington Dias (Desenvolvimento Social), e parlamentares aliados de partidos como PT, PC do B, PV, Rede e PSB, além de integrantes da pré-campanha do petista, entre eles o marqueteiro Raul Rabelo e o coordenador-geral e presidente do PT, Edinho Silva. Em sua fala, Edinho disse que a plataforma tem como objetivo intensificar a presença de Lula nos espaços. --Precisamos representar o presidente Lula nas redes sociais, na construção das informações e naquilo que é a verdade. Temos que fazer essa disputa com os instrumentos que temos em mãos-- afirmou.
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