Letrux lança “SadSexySillySongs": "Me encontro nessa tríade sentimental” | Collector
Letrux lança “SadSexySillySongs
Vogue Brasil

Letrux lança “SadSexySillySongs": "Me encontro nessa tríade sentimental”

Em 2023, Letrux anotou três palavras num caderninho. Sad. Sexy. Silly. O que parecia um rascunho virou método, e o método virou disco. "SadSexySillySongs", quarto álbum de estúdio da cantora e compositora carioca, acaba de chegar nas plataformas como o trabalho mais coeso sonoramente imediato de sua carreira, sem abrir mão de nada do que sempre a fez singular. É também o mais fácil de entrar sonoramente, e um dos mais ricos para ficar. O conceito funciona bem. Não é dispositivo estético nem recurso de marketing. Ao longo das 12 faixas, você encontra os três universos com clareza, e às vezes os três ao mesmo tempo. Já na faixa de abertura, que dá nome ao álbum, a produção apresenta o jogo com precisão: guitarras, baixo presente, sintetizadores destacados e uma letra que avisa logo de cara, quase como um manifesto: "be careful with the words, be careful with the lines". É uma introdução que funciona como chave de leitura para tudo o que vem depois. As músicas mais tristes carregam uma melancolia contida, quase elegante. As sexy ganham uma cremosidade na produção que é ao mesmo tempo luxuosa e misteriosa, com pads sofisticados e batidas que evocam os anos 80 e 90 sem soar nostálgicas. É um disco que funciona perfeitamente num fone de ouvido, numa viagem, ou com alguém do lado numa noite com clima. As bobas têm aquela leveza necessária que Letrux defende com convicção. "A bobeira é importante", ela disse em conversa com a Vogue Brasil, e o disco prova. O que é notável é que nenhuma dessas personas domina o álbum. Letrux é tudo, e o disco reflete isso sem hesitar. Letrux Divulgação/Bruna Latini A produção é de Thiago Rebello, baixista da banda desde "Noite de Climão" e uma escolha que diz muito sobre a fase. Depois de três álbuns marcados por muitas camadas sonoras, Letrux quis se reorganizar. O sonho era um disco voz e violão. No meio do processo, as músicas mais sexy pediram mais. "As músicas mais sexy precisavam dessa cremosidade, de um getti-getti, regras estão aí para ser quebradas", ela conta. O experimento não vai longe demais, mas tampouco fica na zona de conforto. O resultado é um disco mais limpo do que os anteriores, mas minimalista no sentido Letrux da palavra, que não é o minimalismo de ninguém mais. O álbum conta ainda com We never know, faixa de um minuto inspirada por Laurie Anderson, que quebra o fluxo das faixas com a elegância de quem sabe exatamente onde colocar um silêncio. O processo foi descrito como um jogo criativo: "A gente se divertiu muito pensando e vibrando cada ambiência das músicas, 'vamos deixar mais sexy', 'vamos deixar mais boba', foi um jogo divertido de criar." As parcerias de composição de nomes como Mahmundi, Bruno Capinan, Jadsa endossam esse espírito coletivo sem diluir a voz autoral. Metade das músicas em português, metade em inglês, e as duas línguas coexistem com naturalidade. As letras são o ponto alto de sempre, e aqui chegam em três registros - confessionais, performáticas e irônicas, às vezes na mesma faixa. Três músicas me ficaram de forma especial. "Essa cidade é complicada" tem aquela pegada mais radiofônica. “Caligrafia tarada” mostra a força da Letrux em transformar desejo em linguagem, onde escrita vira corpo. E “Over my dead body” cresce aos poucos, com uma produção mais pop, até o desfecho mais intenso do álbum. Letrux Divulgação/Bruna Latini O disco também recupera canções antigas que nunca foram gravadas. "Ciúme me dá frio", escrita em 2005, e "I wrote this when I was 22" chegam aqui sem destoar, e a integração diz algo sobre como certos sentimentos não envelhecem, só mudam de forma. Letrux conta que tocava essas músicas em shows solo de voz e violão achando que eram bobeiras, até que o público começou a perguntar onde podia ouvi-las. "Apesar desses itens já ultrapassados, ela tem uma ideia romântica, terna, que faz muito sentido até para mim", disse sobre a música escrita aos 22 anos. O ciúme de 2005 ainda bate em 2025, só que a gente aprende a usar casaco de outro jeito. Letrux falou também sobre liberdade com a clareza de quem já resolveu essa questão internamente. "Já tem um tempo que eu sou uma pessoa muito obediente ao desejo. E eu percebi que obedecer à sociedade, às regras, não me satisfaz." Não é pose. Você ouve isso no disco. Há um controle aqui que não vem de contenção, mas de escolha. Ela sabe exatamente o que quer dizer e como quer dizer, e isso dá ao álbum uma coesão rara. Citando a Clarice Lispector, ela lembra que as realizações matam os desejos, mas vai sem medo mesmo assim. "Seguir regras que não vêm do desejo ia me mofar." O disco termina com um grito. Literalmente. "Over my dead body" cresce, a bateria entra de forma inesperada, e Letrux encerra com tudo. Ela mesma explica a escolha: "Um grito pode ser sexy, um grito na cama, pode ser triste, e pode ser bobo. Finalizo o disco com um grito." É o álbum inteiro em uma imagem sonora. Triste, sexy e bobo, ao mesmo tempo, sem pedir desculpa. "Esse álbum é um bom resumo de quem eu sou hoje em dia e de quem talvez eu sempre tenha sido", ela disse, citando David Bowie: é bom envelhecer porque você se torna cada vez mais quem você é. No estúdio, ela e Rebello perceberam que o título do novo disco carregava, de certa forma, os títulos dos três anteriores: o Climão foi sexy, Aos Prantos foi sad, e Mulher Girafa foi silly. "Me encontro nessa tríade sentimental", disse. "SadSexySillySongs" é exatamente isso. Não é uma ruptura, não é uma reinvenção. É Letrux ficando mais Letrux, com mais precisão e, obviamente, bastante profundidade. Mais em Globo Condé Nast Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? 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