Jornal O Globo
A Ferrari passou a transportar por via aérea alguns de seus supercarros altamente personalizados para clientes do Oriente Médio, em meio às restrições logísticas causadas pela guerra envolvendo o Irã, que afetam o tráfego no Estreito de Ormuz. A medida, divulgada pelo jornal britânico 'Financial Times' busca preservar entregas a consumidores de altíssimo poder aquisitivo, mesmo com custos significativamente mais elevados. Ferrari Amalfi Spider: novo conversível tem 640 cv e foco no dia a dia; veja fotos Porsche do Bill Gates: conheça modelo esportivo que fez magnata acumular 13 anos de multas e alterar legislação dos EUA; imagens Na semana passada, a montadora italiana suspendeu a maior parte das entregas para o Golfo, já que navios transportadores de veículos não conseguem acessar a região. Ainda assim, a empresa informou que realiza “algumas entregas por avião” e indicou a investidores que veículos podem ser redirecionados para clientes fora da região, se solicitado. Galerias Relacionadas Mesmo antes da escalada do conflito, consumidores ultrarricos já optavam pelo frete aéreo para receber mais rapidamente modelos exclusivos e sob medida — um serviço que custava cerca de três vezes mais do que o transporte marítimo. Agora, com a crise, executivos do setor afirmam que esse custo pode ser de quatro a cinco vezes maior, diferença que ainda assim vem sendo aceita pelos compradores. Segundo a Freightos, plataforma de dados logísticos, o preço médio para transportar um quilo de carga da Europa ao Oriente Médio subiu dois terços desde o início da guerra, chegando a US$ 2,96, o equivalente a R$ 15,52 — valor ainda mais elevado no caso de veículos de luxo. Leia também: Preços de jatinhos privados disparam enquanto 'super-ricos' tentam sair de Dubai em meio à crise do Oriente Médio, aponta Forbes “Isso depende se os fabricantes estão reduzindo sua própria margem por causa da relação com o cliente ou se o cliente optou por pagar do próprio bolso”, disse Ian Arroyo, diretor de estratégia da empresa. Outras marcas adotam estratégias distintas. A Bentley afirmou que está atendendo pedidos com estoques já disponíveis na região e não utiliza transporte aéreo. Já a Rolls-Royce Motor Cars, controlada pela BMW, declarou estar fazendo “todo o possível” para atender à demanda, sem detalhar sua logística. “É uma região muito importante para nós”, afirmou o CEO da Rolls-Royce Motor Cars, Chris Brownridge. “Muitos de nossos clientes que aguardam veículos gostariam de recebê-los, e estamos trabalhando da melhor forma possível com a logística para viabilizar essas entregas.” Dos estúdios de Hollywood às estradas da Califórnia: Alfa Romeo Spider, conversível que virou símbolo italiano, completa 60 anos; fotos Empresas do setor logístico indicam que um número limitado de veículos também pode ser enviado em contêineres, alternativa mais lenta e igualmente cara. Embora mercados como Estados Unidos e China superem o Oriente Médio em volume de vendas, a região é estratégica para montadoras de luxo devido ao alto nível de personalização demandado — responsável por cerca de 20% da receita automotiva da Ferrari. No início do mês, o grupo Volkswagen alertou que o conflito deve afetar as vendas de suas marcas premium, como Porsche, Lamborghini e Audi. Apesar de a maioria das encomendas existentes ter sido mantida, executivos relatam queda na entrada de novos pedidos. Uma montadora europeia informou ter suspendido planos de abrir concessionárias na Arábia Saudita, enquanto o fluxo de clientes em seu showroom em Abu Dhabi diminuiu. “Ficou tudo muito, muito quieto”, disse o CEO da empresa. Ele acrescentou que, caso o conflito se prolongue, veículos destinados ao Oriente Médio poderão ser redirecionados a mercados como o Japão. “Estamos vendendo as versões mais caras dos carros mais caros no Oriente Médio”, afirmou. “É difícil obter o mesmo retorno ao realocar esses veículos para outros mercados.” O CEO da Bentley, Frank-Steffen Walliser, também destacou a importância da região: “o melhor mercado do mundo” em termos de lucro. “Estamos muito preocupados com a situação. Com certeza, as pessoas no Oriente Médio têm outras preocupações no momento do que procurar um novo Bentley.” A crise ocorre em um momento já desafiador para o setor, pressionado por tarifas mais altas nos Estados Unidos e pela desaceleração das vendas na China. Muitas marcas de luxo apostavam no crescimento do Oriente Médio para compensar perdas em mercados-chave. “Não há para onde ir”, disse Andy Palmer, ex-CEO da Aston Martin. “Faz muito tempo que não vejo uma situação em que todos os mercados estejam em dificuldade.”
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