Uma segunda Esfinge? Pesquisador identifica possível estrutura gêmea sob as areias do Egito | Collector
Uma segunda Esfinge? Pesquisador identifica possível estrutura gêmea sob as areias do Egito
Jornal O Globo

Uma segunda Esfinge? Pesquisador identifica possível estrutura gêmea sob as areias do Egito

Seria possível que a Esfinge de Gizé não estivesse sozinha? Um novo conjunto de análises reacende uma antiga hipótese: a de que o monumento mais enigmático do Egito teria uma “gêmea” escondida sob as areias do deserto. A teoria ganhou força após declarações do pesquisador italiano Filippo Biondi, que detalhou suas descobertas durante participação no podcast Limitless, apresentado por Matt Beall, nesta quinta-feira (26). Segundo ele, dados obtidos por radar de satélite indicam a existência de uma estrutura maciça enterrada no Planalto de Gizé, em um ponto que espelha geometricamente a posição da Esfinge já conhecida. Assista: Pistas antigas, tecnologia moderna A hipótese não surge do nada. Entre as patas da Esfinge está a chamada Estela dos Sonhos, erguida pelo faraó Tutmés IV por volta de 1401 a.C., que apresenta representações que, segundo alguns estudiosos, sugerem a existência de duas esfinges. Tradicionalmente interpretada como peça de legitimação política, ao narrar um sonho que garantiria ao faraó o direito ao trono, a inscrição agora é revisitada sob outra perspectiva. Biondi argumenta que essas imagens podem não ser apenas simbólicas. Ao traçar linhas entre as pirâmides e a Esfinge, sua equipe identificou um padrão geométrico “com correlação de 100%”, que apontaria para um segundo ponto no planalto. “Estamos muito confiantes”, afirmou, estimando em cerca de 80% a probabilidade de que haja uma estrutura no local. Estrutura subterrânea e “simetria incrível” As varreduras indicam que essa possível segunda Esfinge estaria sob um monte de areia endurecida, com cerca de 33 metros de altura. Diferentemente de formações rochosas naturais, o material analisado sugere areia solidificada, o que reforça a hipótese de algo oculto abaixo. Os dados preliminares também revelam a presença de poços verticais e passagens horizontais semelhantes às já identificadas sob a Esfinge original. Segundo o pesquisador, as linhas detectadas não indicam cavidades vazias, mas paredes densas — o que poderia corresponder a estruturas escavadas. Além disso, Biondi afirma que as medições apontam para um sistema ainda maior. “Há uma megaestrutura subterrânea sob o planalto”, disse, sugerindo a existência de uma rede extensa de túneis e câmaras. Debate antigo, novas controvérsias A ideia de uma segunda Esfinge não é inédita. O egiptólogo Bassam El Shammaa já havia levantado essa possibilidade há mais de uma década, com base em registros históricos e mitológicos. Em contrapartida, o ex-ministro de Antiguidades do Egito, Zahi Hawass, rejeita a teoria, argumentando que a área já foi amplamente escavada sem evidências concretas. Biondi, no entanto, sustenta que novas tecnologias permitem observar o subsolo de forma mais precisa, sem necessidade de escavações imediatas. Ainda assim, ele reconhece que a confirmação depende de estudos de campo e da autorização das autoridades egípcias. Próximos passos A equipe já prepara uma proposta formal para realizar investigações no local, incluindo a análise de poços identificados entre a Esfinge e a pirâmide de Quéfren. Segundo o pesquisador, alguns desses acessos estariam obstruídos por detritos, cuja remoção poderia revelar passagens mais profundas. Apesar do entusiasmo, o próprio Biondi adota cautela. “É fundamental ir ao local com geólogos e estudar cuidadosamente”, afirmou. Por ora, a possível “segunda guardiã” de Gizé permanece sob a areia, entre indícios, controvérsias e o fascínio que, há milênios, cerca os mistérios do Egito Antigo.

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