Como Saturno 'funciona'? Imagens inéditas revelam segredos da atmosfera e dos anéis | Collector
Como Saturno 'funciona'? Imagens inéditas revelam segredos da atmosfera e dos anéis
Jornal O Globo

Como Saturno 'funciona'? Imagens inéditas revelam segredos da atmosfera e dos anéis

A atmosfera de Saturno foi registrada com um nível de detalhe inédito a partir de observações combinadas dos telescópios espaciais Telescópio Espacial James Webb e Telescópio Espacial Hubble, ao longo do segundo semestre de 2024. As imagens, capturadas com 14 semanas de intervalo, e divulgadas neste mês, permitem aos cientistas investigar a dinâmica atmosférica e a composição do gigante gasoso sob diferentes perspectivas. O trabalho complementa décadas de estudos anteriores, incluindo os dados obtidos pela sonda Cassini, em operação entre 1997 e 2017, e amplia a capacidade de reconstruir a evolução climática do planeta. A combinação de observações em luz visível e infravermelha permite analisar desde as camadas profundas de nuvens até a alta atmosfera, oferecendo uma visão tridimensional inédita, segundo a NASA. Fenômenos persistentes e estrutura atmosférica Os registros em infravermelho do Webb, obtidos em 29 de novembro de 2024, destacam uma corrente de jato duradoura, conhecida como “onda em fita”, que se estende pelas latitudes médias do hemisfério norte. O fenômeno indica a presença de ondas atmosféricas internas, invisíveis a partir de observações terrestres. Na mesma imagem, cientistas identificaram vestígios da chamada Grande Tempestade da Primavera, que ocorreu entre 2010 e 2012 e ainda apresenta remanescentes detectáveis. Já o Hubble, em imagem capturada em 22 de agosto de 2024 como parte do programa OPAL, revela a estrutura em faixas da atmosfera e variações sutis de cor, além de registrar luas como Janus, Mimas e Epimeteu. Outro destaque é a persistência do hexágono no polo norte, uma estrutura atmosférica estável descoberta pela missão Voyager em 1981. Segundo a NASA, essas podem ser as últimas imagens detalhadas do fenômeno pelos próximos 15 anos, devido à chegada do inverno na região, que deverá escurecer o polo até a década de 2040. Observações em infravermelho também indicam uma coloração incomum nos polos, possivelmente associada a aerossóis em alta altitude ou à atividade auroral, resultado da interação entre partículas carregadas e o campo magnético do planeta. Anéis e evolução sazonal Além da atmosfera, as imagens evidenciam com clareza inédita a complexa estrutura de anéis de Saturno. No infravermelho, o Webb mostra os anéis com brilho intenso, devido à predominância de gelo de água. Diferenças marcantes são observadas entre o anel B, mais denso, e o anel F, mais fino e externo, este último quase imperceptível nas imagens do Hubble. Os registros também permitem identificar diversas luas, incluindo Titã, a maior delas, além de Dione, Encélado e Janus. A variação no ângulo de observação ao longo da órbita de Saturno contribui para mudanças na aparência dos anéis e na visibilidade dos hemisférios. As imagens de 2024 documentam a transição do verão no hemisfério norte rumo ao equinócio de 2025, marcando uma mudança gradual na exposição do hemisfério sul. Esse acompanhamento contínuo, aliado ao histórico do programa OPAL, consolida um dos mais completos bancos de dados sobre a evolução atmosférica de planetas gigantes. Segundo a NASA, os fenômenos observados, como tempestades, faixas de nuvens e estruturas onduladas, reforçam o papel de Saturno como um laboratório natural para o estudo da dinâmica de fluidos em condições extremas, ampliando a compreensão sobre a meteorologia planetária no Sistema Solar.

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