Jornal O Globo
Engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts desenvolveram uma pulseira de ultrassom capaz de captar com precisão os movimentos da mão humana e transmiti-los, em tempo real, para robôs ou sistemas digitais. O avanço foi descrito na revista Nature Electronics, sob a liderança do professor Xuanhe Zhao, e publicado nesta quarta-feira (24). Com dimensões semelhantes às de um smartwatch, o dispositivo utiliza componentes eletrônicos miniaturizados para gerar imagens contínuas de ultrassom do punho. Essas imagens registram o deslocamento de músculos e tendões, que são então interpretados por um algoritmo de inteligência artificial. O sistema traduz os gestos em comandos, permitindo que mãos robóticas ou objetos virtuais reproduzam os movimentos com precisão. Controle mais natural e sem sensores externos Ao contrário de tecnologias anteriores, que dependiam de câmeras ou luvas com sensores, a nova pulseira elimina a necessidade de equipamentos volumosos ou que limitem a mobilidade. A proposta da equipe é tornar a interação entre humanos e máquinas mais intuitiva, com respostas imediatas e naturais. Durante testes com oito voluntários, o sistema demonstrou capacidade de identificar até 22 movimentos distintos dos dedos e do polegar. Os participantes conseguiram formar letras em linguagem gestual, manipular objetos e executar gestos complexos, com controle fluido de uma mão robótica. Segundo Gengxi Lu, primeiro autor do estudo, o diferencial está na leitura direta dos tendões do pulso, que funcionam como “fios invisíveis” responsáveis pelos movimentos dos dedos. O algoritmo foi treinado com milhares de registros classificados manualmente, o que permitiu reconhecer padrões complexos e convertê-los em ações precisas. Nos experimentos, a tecnologia possibilitou que uma mão robótica tocasse melodias simples em um piano de brinquedo e realizasse tarefas como arremessar uma bola em uma cesta em miniatura. Em ambientes digitais, os usuários conseguiram ampliar e reduzir imagens apenas com o movimento dos dedos. O futuro no pulso A equipe planeja aprimorar o dispositivo, tornando-o ainda menor e mais adaptável a diferentes perfis de usuários. A ampliação da base de dados, com mãos de diversos formatos e tamanhos, deve permitir o treinamento de robôs humanoides para tarefas de alta precisão, como cirurgias ou operações em simuladores. O projeto contou com colaboração da Universidade do Sul da Califórnia e financiamento de agências como a National Science Foundation, o National Institutes of Health e a National Research Foundation of Singapore. Para Zhao, a tecnologia pode redefinir a forma como humanos interagem com máquinas, ampliando o acesso a interfaces mais precisas e naturais. A expectativa é que a inovação tenha aplicações em áreas como robótica, medicina, educação e entretenimento digital.
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